opinião

Bolsonaro: o antipresidente e, agora, o antibrasileiro

Colunista comenta sobre o polêmico pronunciamento do presidente ao incitar as pessoas a saírem de casa frente à pandemia

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Foto: Isac Nóbrega/PR (Divulgação)

Desde a redemocratização, o brasileiro, com idade acima dos 30 anos, já viu presidentes alegando perseguição ao sofrerem impeachment e outro negando a existência dos maiores esquemas de corrupção do país (mensalão e petrolão). Tudo, obviamente, de uma gravidade sem precedentes e aviltante até. Mas como o Brasil não cansa de surpreender, mais uma vez fomos brindados por um dos discursos mais irresponsáveis e descomedidos da nossa jovem democracia.  

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Jair Bolsonaro veio, em rede nacional, profanar o absurdo e ventilar o surreal. Disse ele que a Covid-19 é uma "gripezinha", justamente quando vemos líderes de governos de todo o planeta trabalhando para minimizar, ao máximo, as mortes e, claro, os impactos econômicos.

Mas, por aqui, ao seguir os aconselhamentos do chamado "gabinete do ódio", capitaneado pelo filho Carlos Bolsonaro (vereador no RJ), Bolsonaro pai minimizou a doença ao catalogá-la como "gripezinha", um "resfriadinho" _ ainda que ela siga matando Brasil e mundo afora. A declaração é diametralmente oposta ao que o Ministério da Saúde tem feito desde a eclosão da pandemia, ao orientar os brasileiros que mantenham os cuidados de higiene e, principalmente, que fiquem em casa. 

Bolsonaro, mais uma vez, disparou críticas à imprensa, a governadores e prefeitos que estão pregando "terra arrasada" por terem fechado escolas e comércio. Ironizou "o confinamento em massa", uma orientação do Ministério da Saúde, da OMS e dos profissionais da saúde, ao pregar que é preciso "voltar à normalidade".

E, agora, levanta a bandeira do chamado "isolamento vertical". Ou seja, ficando restrito apenas para pessoas acima de 60 anos a medida de permanecer em casa. Bolsonaro mostra-se, mais uma vez, belicoso, perigoso e, pior, coloca em risco a segurança e a saúde de todos os brasileiros.

FEDERAÇÃO ATENTA
Felizmente todos os estados da Federação estão tendo, em seus governadores e prefeitos, a lucidez, a coerência e, principalmente, o cuidado com a vida dos brasileiros. Coisa, aliás, que Bolsonaro despreza. Isso fica evidente na seguinte declaração dele: "o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos, então por que fechar escolas?", o que você entende por isso? Se você ainda não se convenceu, tem outra fala: "raros são os casos fatais de pessoas saudáveis com menos de 40 anos de idade, não teremos qualquer manifestação caso se contamine".

Bolsonaro, que vive em um mundo paralelo em que prevalece a lógica da guerra fria (o mundo dividido, de forma simplista, entre capitalistas e comunistas), segue teorizando e alucinando. 

Porém, numa coisa, o presidente está certo ao dizer que "Deus abençoe nossa pátria querida". Até porque, frente à postura do capitão da reserva, o brasileiro está largado à própria sorte.


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