opinião

A perigosa segregação que a vacina não pode gerar

Colunista comenta sobre polarização entre grupos considerados prioritários e quem não se enquadra nessas condições

Nos últimos dias, as redes sociais, bem como os vereadores de Santa Maria, entraram em convulsão onde todos, indistintamente, pedem por vacinação a 100% da população. Algo tão óbvio e previsível que qualquer pessoa com as faculdades mentais em dia saberia que não precisava nem ser dito: absolutamente todos são prioridade nesse processo de imunização. O que muitos estão fazendo, de forma consciente ou não, é dizer que há, sim, pessoas ou grupos que, nesta largada inicial, deveriam ser deixados de lado.

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É um axioma arriscado e temerário. Seria, aliás, o mesmo que o Brasil, com quase 250 mil mortos, dizer que, deste total, há quem pudesse estar nas estatísticas dos óbitos. Desta forma, estamos andando a passos largos para o que, na obra O Inferno de Dante, é chamado de antessala do mal. Nesta fase, que é bom que se diga não faz parte dos nove círculos do inferno, habitam os covardes e os indecisos. Esses dois grupos, dentro do icônico livro do italiano Dante Alighieri, têm certamente o pior dos lugares. Até porque eles não podem ir para o céu nem para o inferno. E, por isso, eles agonizam por aqui mesmo na Terra.

É de se ver com preocupação manifestações em redes sociais de parlamentares que tentam, ao jogar para a plateia, emplacar a vacinação com certos grupos com as mais variadas alegações. É claro que os educadores deveriam ser imunizados, já que a volta às aulas se mostra imprescindível e necessária. No entanto, não há, no momento, doses em quantidade suficiente para todos. O que se assiste, desde o começo deste ano, é que a absoluta maioria dos países tem optado por proteger antes os idosos e, inclusive, os profissionais de saúde que estão na linha de frente.

Contudo, nem todos governantes seguem essa lógica. Exemplo disso é que a Indonésia fugiu à regra e adotou uma estratégia que priorizou os trabalhadores com idades entre 18 e 59 anos. No planeta impera uma regra: como não há vacina para todos, é preciso estabelecer prioridades.

VARIÁVEIS
Neste período todo de quase um ano de pandemia, ouvi de médicos e especialistas locais e de outras partes do Estado que a vacinação, de forma bem resumida, trilha um caminho: reduzir o número de casos e mortes ou interromper a transmissão do vírus para acabar com a pandemia. Se a meta for, entretanto, conter a disseminação da Covid-19, a via mais acertada seria, mesmo, vacinar adultos em idade produtiva, como a Indonésia fez. Inevitável que indagações, sob o prisma de um olhar mais humanitário e, até mesmo, ético, vejam como mais apropriado proteger aqueles grupos mais suscetíveis.

Na tentativa de reduzir uma explosão ainda maior da mortalidade e das hospitalizações - em Santa Maria, Estado e país -, o avanço da vacina não deve segregar quem quer que seja. Até porque o vírus não é seletivo. Então, quanto mais vacinados, melhor.


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