cultura

Virada de ampulheta

Colunista Camila Vermelho comenta sobre arte, cotidiano e final de ano

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O final do ano está quase chegando, resta pouco menos de dois meses. Embora a mudança de uma data para outra possa não significar muito mais do que uma contagem numérica cíclica. Contagem que se renova e se esgota, feito uma ampulheta virada, desvirada, revirada.

Mas também não quer dizer que se deve desprezar as filosofias - sejam elas espirituais ou não - envolvidas nos processamentos de sentidos dos anos novos. Afinal, se não formos nós a dar sentido às nossas vidas, como seria? E quem o faria? 

Também não há de se perder de vista as questões práticas do cotidiano com o rasgar das folhas do calendário. E os planejamentos feitos na ponta da caneta sobre o papel. Nisto, o pragmatismo não abre tantas possibilidades de pensamento. Contudo, há coisas que fogem a qualquer plano, apesar de tentarmos. 

Ainda esta semana, por exemplo, conversava com um amigo e companheiro de atividades artísticas. Além de tratarmos sobre uma nova parceria, falamos a respeito de muitas outras coisas. Questionamentos e motivações que levam a humanidade e a arte ao movimento. Às viradas. 

Dentre os assuntos, a dualidade entre aquilo que se tem (ou que se pensa que se tem) certeza e o que escapa (ou que se pensa que escapa) do nosso controle. Um conflito que nos polariza. Não obstante, qual o momento para arriscar as visões estabelecidas de mundo, até mesmo o próprio conforto, para ver, ouvir e receber o que não está claro, mas parece necessário? E romper com aquele incômodo tão naturalizado que nem parece mais aborrecer, devido ao costume? 

Ou, trocando alhos por bugalhos, quando assumir aqueles desafios que fazem com que as pessoas se transformem, saiam da zona de segurança e criem novos sentidos, até então desconhecidos, mas urgentes? 

Hoje, parece que tem muito mais gente com respostas do que perguntas. Será que as certezas e as ortodoxias, ou o que se pensa que se sabe, não são o revés da humanidade? Ainda mais agora? 

Com a arte, não haveria de ser diferente. Tal como com as ciências de uma forma geral. Se não fossem os pioneiros e as pioneiras, muito ao que se tem acesso talvez não existisse. Quem sabe, até se acreditaria que a Terra é plana. Ou que ela não gira em torno do sol. Mas ela se move, como disse Galileu Galilei (1564-1642). A Terra se move! 

Acredito que um dos princípios para as datas novas, os dias novos e os anos novos são o movimento, a constante renovação. Ter a sensibilidade, sensorial e criticamente, de perceber o que emperra o desenvolvimento de uma sociedade. E do que pode e deve ser renovado.  

Ler um autor novo, uma autora nova. Assistir a um novo filme, não apenas aqueles sobre os quais todo mundo fala. Assistir a um novo espetáculo de dança, de teatro. Arriscar-se numa performance. Ir à uma exposição, inclusive as das escolas primárias. 

Não se engane, a arte dá sinais de quando as coisas não vão bem. Por isso, recorra à arte, para encontrar nela perguntas sobre 2019. Se foi um bom ano e se realmente não estamos precisando de uma nova virada de ampulheta.


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