cultura

Mudanças, autógrafos e dedicatórias

'Com a proximidade da mudança, a realidade de colocar toda a sua vida em caixas fica cada vez mais real', escreve o colunista Lucio Pozzobon



Depois de quase 19 anos morando em um mesmo apartamento, chegou a hora de mudar e pra ser sincero, é um momento difícil e bom ao mesmo tempo. Ou seja, sensações diferentes e confusas entre si. Com a proximidade da mudança, a realidade de colocar toda a sua vida em caixas fica cada vez mais real. 

Nesse processo entendi tudo o que tinha no meu quarto e outros ambientes da casa. Comecei a perceber o quanto precisava ou não de algo, que por muitas vezes transformaram-se em um simples elemento visual na construção de uma decoração ou complemento de uma estante. Foi aí que cheguei nos livros e filmes, que são parte da minha trajetória, como uma pessoa que preserva uma certa coleção de itens em formato físico. 

Trabalhar com livros por tanto tempo (seja no blog ou trabalho) traz um apego inesperado. São memórias, lembranças de viagens, contatos, marcadores de página autógrafos e dedicatórias. Além de suas histórias, essas são algumas marcas que os livros deixam.

A dificuldade de abrir um livro que vai para doação com um autógrafo ou dedicatória de amigos passa a ser um pedaço difícil dessa trajetória. Fica sempre aquele pensamento "e se alguém encontrar e resolve ir atrás de quem enviou aquela mensagem e de quem deixou ela pra trás?". Pura nóia. Só que esse pensamento estava me impedindo de deixar aquelas histórias, que fizeram parte da minha vida, seguissem em frente.

Até o momento, já foram 5 ou 6 caixas separadas para doação, que vão encontrar novos donos que podem amar (ou não) aquelas histórias. É um processo de desapego e que por muitas vezes, vira um momento de incerteza. Mas precisamos entender que esses momentos de libertação do material físico são importantes, até porque, aquelas histórias contadas nos livros, não deveriam ser só minhas.

Na última quinta fez uma semana que comecei a reabrir as caixas e tomar essas decisões do que ficava e o que seguiria em frente. O processo ainda não acabou, mas mesmo achando difícil e cansativo é gratificante ver que essas histórias podem circular além do meu núcleo familiar e de amigos.

Por hora, ficarão as lembranças desses encontros, seja com os personagens e cenários dos livros, como as pessoas que discutiram a história comigo ou até dividiram a leitura. Mas não podemos esquecer que sempre teremos novas histórias e pessoas chegando.


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