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O futuro habita em nós bem antes de acontecer

José Renato: 'Estamos ainda juntos nisso ou não? Queremos um Brasil com desenvolvimento social, econômico e cultural? É possível ter esperança?'


A galeria de retratos da dor humana que formam a via crúcis do nosso tempo se enriquece quase a cada momento de novas estações de padecimentos.

Os dias que se arrastam nessa incerteza quanto ao futuro, só me reforçam a ideia de que o otimismo me parece uma opinião não somente absurda, mas verdadeiramente ímpia, porque constitui uma irrisão amarga em face dos inomináveis sofrimentos dos brasileiros. Sempre que olho na nossa triste e desalentadora realidade, descubro no horizonte algo que antes não se percebia tão nitidamente, mas que só escurece ainda mais numa perspectiva já pouco risonha.

É difícil dar explicação cabal sobre o comportamento coletivo de um ano pouco brilhante (ainda estamos em março). Dizem que o mal do incerto, o remédio é um só: esperança. O ser humano vive, como sabemos, mais de futuro que de presente.

O poeta Rainer Maria Rilke dizia: "o futuro habita em nós bem antes de acontecer".

Certa vez, o embaixador Rubens Ricupero afirmou: "Viver de futuro requer, contudo, esperança. E esta, quem a dá, mais do que previsões dos institutos de pesquisa ou as características da realidade objetiva, é a fé de uma liderança política capaz de inspirar confiança e vigor".

Quando ela se ausenta, nos vemos mergulhados na atmosfera enevoada que paira sobre nós e foi tão bem evocada pelo poeta português Fernando Pessoa: "Nem rei nem lei, nem paz nem guerra/ Brilho sem luz e sem arder/ Como o que fogo fátuo encerra".

O resultado dessa mediocridade sem inspiração nem grandeza é que saímos cada vez mais com a boca amarga de ressentimentos, decepções, frustrações, recriminações e exageros, mais perplexos e desalentados do que antes. Os equívocos, enquanto duram, fazem um considerável estrago. Vidas se perdem. Sonhos acabam.

Sabemos que o futuro é rico em possibilidades - mas não há como escapar da questão moral subjacente, que também é uma questão política. Estamos ainda juntos nisso ou não? Queremos um Brasil com desenvolvimento social, econômico e cultural? É possível ter esperança?

Por fim, relembro os versos de Yeats, em "The Second Coming": "The best lack all conviction, the worst are full of passionate intensity"" ou, em vernáculo, "Os melhores não têm qualquer convicção, os piores estão cheios de passional intensidade"". Que Deus nos ajude!


RICUPERO, Rubens. O ponto ótimo da crise. Rio de Janeiro: Revan, 1998.


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