viagem

Mãe natureza

Colunista José Renato da Silveira escreve em homenagem ao mês das mães


Foto: Pixabay


Jardineiro esquecido
Invisível ao mundo,
Escondido num abismo profundo
Escarpado nos penhascos
Por entre rochas, duas rochas,
Com urzes floridas para o mar,
Verde e branco se misturam,
Brilhando à luz do sol e do borrifo...
Agora sou um jardineiro esquecido em meu próprio canteiro de reminiscências.

JRFS

Esta semana, fiquei encarregado de limpar a área da frente de casa - garagem e quintal. Por conta da pandemia, a divisão de tarefas foi redistribuída entre os familiares. É outono. Engraçado que nunca prestei muita atenção nesta estação do ano de temperatura amena.

Armado com uma vassoura de piaçava na mão, contemplei esse novo ciclo por uma perspectiva diferente. Contei com a voluntária colaboração de um vento uivante na noite passada. Ele se encarregou de trazer as folhas secas, gravetos e pequenos galhos caídos da gigantesca sibipiruna, das frondosas mangueiras e da exótica faia das vizinhanças para a garagem e o gramado. Enquanto varria e recolhia os restos acumulados presenciei uma cena divina. Em um dos cantos do teto branco, um casulo se rompe e dele emerge uma borboleta de cor laranja com pontinhos pretos. Observo - estático - o belo show da natureza! É vida... Um privilégio poder ver isso!

Tempos depois prossigo a atividade no jardim gramado. A azáfama incessante das formigas e pequenos insetos enquanto passava o rastelo me deixou subitamente triste, amargurado, preocupado. Paralisei de novo. Fui salvo a tempo da angústia e aflição pela figura materna.

Desconfio que ela estivesse me observando, Disse: - Coragem! Estar em contato com a Mãe-Natureza é estar em contato com a energia divina e com os ciclos da vida. As coisas vão mudar... para melhor! Alegre-se! Varra os pensamentos negativos, pois tudo é passageiro!

Respirei fundo e agradeci. Então passei a refletir sobre o mês de maio que se avizinha.

Maio: mês das mães
Maio é considerado o mês das mães. Nesse ano de 2021, a data cairá no dia 09. Os historiadores afirmam que há algumas semelhanças entre essa data comemorativa e algumas celebrações realizadas na Antiguidade clássica. Na Grécia Antiga, a entrada da primavera era festejada em nome de Rhea, a Mãe dos Deuses.

No Brasil, o Dia das Mães é uma das datas comemorativas mais importantes do calendário. Foi estabelecida no Brasil, de maneira oficial, por um decreto emitido pelo presidente Getúlio Vargas. Sua origem moderna remonta aos Estados Unidos, no começo do século XX.

Homenagear as mães é celebrar a vida; é celebrar sua presença amorosa no lar e fora dele, que acolhe, cuida, educa, protege e se sacrifica.

Conforme Dom Raymundo Damasceno Assis: "Maio, mês que toca nosso coração (...) é o mês em celebramos o Dia das Mães, e entre todas elas, aquela que é a mãe de Deus e nossa Mãe, a Virgem Maria, a quem amamos e reverenciamos em todo o Brasil, com título de Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira. Contudo, temos também como Nossa Senhora de Fátima que marca o mês de maio".

Celebrar a vida
No dia 29 de abril, o Brasil ultrapassou a marca de 400 mil mortos por Covid-19. Como diz Lilian Cunha, em colaboração com a CNN, "a sensação de que a morte invadiu nossas vidas, nossas casas e parece beliscar nossos calcanhares é palpável - e real. Se em 2020, para uma parte da população a pandemia parecia concentrada em bairros da periferia ou em uma faixa etária mais alta, após termos cruzado a barreira de mais de 3 mil falecimentos diários a percepção de que a morte nos espreita se intensificou".

Nesse momento sombrio de incertezas, dificuldades, mudanças e perdas de entes queridos e conhecidos, a homenagem às mães é a celebração da vida. Para finalizar, não poderia deixar de citar o inesquecível poema de Carlos Drummond de Andrade em homenagem às nossas mães:

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite, é tempo sem hora
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura,
ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.


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