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Elite preguiçosa

Colunista José Renato da Silveira escreve sobra a preguiça durante a pandemia


"Os dias de hoje são a época da mediocridade e da insensibilidade, da paixão pela ignorância, pela preguiça, pela incapacidade de agir e pela necessidade do tudo pronto". 
Fiódor Dostoiévski  

Eu, minha mãe e os livros
Desde criança, minha mãe me motivou a ler. "Os especialistas dizem que um dos fatores que influencia a leitura, de acordo com o estudo, é o incentivo de outras pessoas. Um a cada três entrevistados, o equivalente a 34%, disse que alguém os estimulou a gostar de ler. Os professores aparecem em primeiro lugar, apontados por 11%. Em segundo lugar está à mãe ou responsável do sexo feminino, apontado por 8%, e, em seguida, está o pai, responsável do sexo masculino ou algum outro parente apontado por 4%". 

Hoje, aos 42 anos, nesse ano fatídico de 2020, li 70 livros. Acredito que já li mais de 3000 mil livros ao longo da minha vida. Espero ler mais 3000 livros nas próximas três, quatro décadas de minha existência.

O espanto
Causa-me espanto (como professor universitário) que o Brasil perdeu, nos últimos quatro anos, mais de 4,6 milhões de leitores, segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.  

De 2015 para 2019, a porcentagem de leitores no Brasil caiu de 56% para 52%. Já os "não leitores", ou seja, brasileiros com mais de 5 anos que não leram nenhum livro, nem mesmo em parte, nos últimos três meses, representam 48% da população, o equivalente a cerca de 93 milhões de um total de 193 milhões de brasileiros.

As maiores quedas no percentual de leitores foram observadas entre as pessoas com ensino superior - passando de 82% em 2015 para 68% em 2019 -, e entre os mais ricos.

Na classe A, o percentual de leitores passou de 76% para 67%. O brasileiro lê, em média, cinco livros por ano, sendo aproximadamente 2,4 livros lidos apenas em parte e, 2,5, inteiros. A Bíblia é apontada como o tipo de livro mais lido pelos entrevistados e também como o mais marcante.

Elite pobre intelectualmente
De acordo com a pesquisa Retratos de Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró Livro em parceria com o Itaú Cultural, a internet e as redes sociais são razões para a queda no percentual de leitores, sobretudo entre as camadas mais ricas e com ensino superior.  

Um país em que a elite lê pouco revela muito sobre a nossa "elite brasileira estar entre as que menos geram valor no mundo".

Além disso, relembro as duras palavras de Darcy Ribeiro: "Ao longo dos séculos, vimos atribuindo o atraso do Brasil e a penúria dos brasileiros a falsas causas naturais e históricas, umas e outras imutáveis. Entre elas, fala-se dos inconvenientes do clima tropical, ignorando suas evidentes vantagens. Acusa-se, também, a mestiçagem, desconhecendo que somos um povo feito do caldeamento de índios com negros e brancos, e que nos mestiços constituímos o cerne melhor do nosso povo. Também se fala da religião católica como um defeito, sem olhos para ver a França e a Itália magnificamente realizadas dentro dessa fé. Há quem se refira à colonização lusitana, com nostalgia, por uma mirífica colonização holandesa. (...) Dizem, também, que nosso território é pobre - balela. Repetem, incansáveis, que nossa sociedade tradicional era muito atrasada - outra balela. (...) Trata-se, obviamente, do discurso ideológico de nossas elites. (...) De fato, o único fator causal inegável de nosso atraso é o caráter das classes dominantes brasileiras, que se escondem atrás desse discurso. Não há como negar que a culpa do atraso nos cabe é a nós, os ricos, os brancos, os educados, que impusemos, desde sempre, ao Brasil, a hegemonia de uma elite retrógrada, que só atua em seu próprio benefício".

Ler mais e redes sociais
O estudo mostra que 82% dos leitores gostariam de ter lido mais. Quase a metade (47%) diz que não o fez por falta de tempo. Entre os "não leitores", 34% alegaram falta de tempo e 28% disseram que não leram porque não gostam. Esse percentual é 5% entre os leitores. A internet e o WhatsApp ganharam espaço entre as atividades preferidas no tempo livre entre todos os entrevistados, "leitores" e "não leitores".  

Em 2015, ao todo, 47% disseram usar a internet no tempo livre. Esse percentual aumentou para 66% em 2019. Já o uso do WhatsApp passou de 43% para 62%.

"A pesquisa mostra ainda uma série de dificuldades de leitura. Entre os entrevistados, 4% disseram não saber ler, outros 19% disseram ler muito devagar; 13%, não ter concentração suficiente para ler; e, 9% não compreender a maior parte do que leem. Há ainda entraves para acesso aos livros".

"O Brasil está vivendo uma crise na economia, vemos dificuldade para o acesso, para a compra [de livros]. As pessoas estão frequentando menos bibliotecas", diz Zoara.

Segundo a pesquisa, 5% dos leitores e 1% dos não leitores disseram não ter lido mais porque os livros são caros; e, 7% dos leitores e 2% dos "não leitores" não leram porque não há bibliotecas por perto".

Triste realidade! Por fim, infelizmente, como dizia Darcy Ribeiro: "Mestrado é só para mostrar que o sujeito é alfabetizado, pois a metade dos que estão na universidade não sabem ler".


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