gastronomia

Cerveja: o mercado, as apostas e os holofotes

Colunista fala sobre o mercado cervejeiro em Santa Maria e suas possibilidades de crescimento


A notícia da construção de um Centro de Distribuição do Grupo Petrópolis, do Rio de Janeiro, em Santa Maria, colocou mais uma vez os holofotes sobre o universo da cerveja na cidade. Se você me acompanha há mais tempo por aqui sabe que além de um apaixonado pela cerveja artesanal, sou um entusiasta do mercado cervejeiro como um todo. Se é novo por aqui, posso resumir dizendo que acho que todos ganhamos com a chegada de um empreendimento como esse.

É bem presente entre os apreciadores de cerveja artesanal dúvidas como o quanto o mercado regional já está atendido e se existirá espaço para novas cervejarias. É normal que isso aconteça porque enquanto em outros locais esse já é um mercado consolidado, por aqui a cerveja artesanal ainda é um produto novo e, por isso, está se posicionando, procurando sair do nicho dos "especialistas" e buscando mercados mais amplos.

Ao escrever sobre a vinda do novo centro de distribuição para a cidade, o jornalista do Diário Eduardo Tesch trouxe dados importantes sobre a região e o Estado, partindo do ponto de vista de Porto Alegre como uma metrópole da cerveja no Brasil por ter 40 cervejarias regularizadas, o maior número do país. Caxias do Sul, na Serra, tem 19 empresas em atividade e a Região Central tem 11 e mais duas em análise. Tenho a felicidade de ter a minha cervejaria, a Zagaia, entre elas. E posso garantir: não é fácil.

Foto: Renan Mattos (Diário)

Os caminhos não são únicos
Voltando à questão do mercado da cerveja em Santa Maria, muitas apostas são feitas em relação ao que o consumidor espera. Entre os posicionamentos que tenho visto, aparecem cervejas com estilo mais diferenciado, cervejas mais leves e fáceis de tomar, e cervejas com menor custo de produção e por consequência mais baratas.

Quem está com a razão? Só o tempo dirá, e é certo que lá na frente alguém dirá que era óbvio. Cada estratégia tem seus argumentos, e eles parecem contundentes. Teremos vários modelos de negócio para a cerveja artesanal por aqui, com espaço para cada um deles? Pode ser, mas acho muito pouco provável, pelo que vejo em outros mercados, de outros países. Sei que cada país tem realidades muito diferentes, mas gosto de analisar "pelo espelho retrovisor", vendo o que aconteceu nos últimos anos.

Eu também tenho cá as minhas apostas e gosto de ver os números dos EUA, pois lá, em 2020, o mercado das artesanais foi de 12,3%, e eles são o segundo maior mercado do mundo, perdendo apenas para a China e ficando acima do Brasil que está em terceiro. Esta participação é muito maior do que a que existe no Brasil, porém os dados que temos não são muito claros e diferem a partir das várias fontes. Acredito que o mercado artesanal no Brasil já tenha chegado aos 3%.

Foto: Renan Mattos (Diário)

Estados Unidos tem crescimento inspirador
Em 2015, quando estive na Craft Brewers Conference em Portland - OR, assisti a um painel sobre o mercado de lá. Contavam 4.800 cervejarias naquele momento, e a discussão era o espaço para o crescimento. Alguns acreditavam que já estavam perto da saturação. Em 2020 os EUA contaram 8.884 cervejarias. Quase dobraram o número em cinco anos, que segue aumentando, ainda que a uma taxa anual menor.

Então lá é uma maravilha? É só abrir e faturar! Não é bem assim. Nestes mesmos cinco anos, foram fechadas aproximadamente 2.000 cervejarias, segundo os dados da Brewers Association. A conta é: em cinco anos abriram 6.800 cervejarias e fecharam 2.000. A taxa de insucesso é bem relevante, mesmo no segundo maior mercado do mundo.

Os empreendimentos cervejeiros que mais prosperam por lá são os Brewpubs (bares que fabricam a própria cerveja) e os Taprooms (locais focados em vender uma variedade de cerveja de uma determinada fábrica). O saldo de novos negócios (aberturas menos fechamentos) em 2019 foi de sete para microcervejarias e 685 para brewpubs e taprooms. É uma forte sinalização daquele mercado.

Foto: Renan Mattos (Diário)

No Brasil, os dados do Ministério da Agricultura não distinguem brewpubs de cervejarias, logo não temos esta informação. Ao todo, em 2020 eram 1.383 estabelecimentos registrados, com um aumento de 14% em relação ao ano anterior. O movimento artesanal é muito forte aqui no Estado, mais consolidado, e os dados de crescimento de 2020 em relação a 2019 ficaram em 9%, com crescimento mais significativo em estados do nordeste.

Em resumo, temos espaço para novos empreendimentos, que serão muito bem vindos, mas por ser um produto em crescimento no mercado, o modelo de negócio e o posicionamento são fundamentais para quem quiser prosperar. Façam suas apostas!

Saúde!


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