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Angelus

Colunista José Renato da Silveira fala sobre a tradição do Angelus no Vaticano


Início da manhã. O divino sol raia no firmamento e derrama suas majestosas ondas de luz e calor. Acordo com a mente inspirada, ousada, robusta e o espírito pleno de entusiasmo e gratidão. A manhã de bons fados anuncia a chegada da primavera. Somos agraciados benevolentemente com os sons, odores e colorido da natureza que renasce. Ela anestesia de nossa mente os dias frios e úmidos, cinzentos e sombrios do inverno. Roma fica florida, alegre e divertida; a cidade nos convida a experimentar e conhecer suas paisagens históricas. É domingo. Neste dia santo, tínhamos programado para visitar, acompanhar à consagração do Angelus no Vaticano. Milhares de pessoas, turistas do mundo todo, reúnem-se ao meio-dia de domingos e dias santos, na Praça São Pedro, para acompanhar a oração Mariana do Angelus conduzida pelo Papa Francisco. O Angelus é uma oração recitada em recordação do Mistério perene da Encarnação três vezes ao dia: às 6 horas, ao meio-dia e às 18 horas, momento em que é tocado o sino do Angelus.

Foto: Arquivo pessoal
Papa Francisco durante consagração do Angelus no Vaticano

TRADIÇÃO DO ANGELUS
Trata-se de uma antiga tradição. A recitação, acompanhada pelo badalar dos sinos das igrejas, teve início no século XIII. Era chamada na época de "oração da paz", pois o objetivo era honrar o Filho de Deus que, encarnando-se no seio da Virgem Maria, colocou os fundamentos da paz entre Deus e os homens. A oração era rezada somente no início da noite, pois se acreditava que o Arcanjo Gabriel apresentou-se à Virgem Maria ao entardecer. Inicialmente era composta pelas palavras da primeira parte da Ave-Maria, repetidas diversas vezes. Somente mais tarde, assumiu a fórmula rezada atualmente. Já no Sínodo de Strigonia (Hungria), em 1307, um decreto prescreveu que os sinos deveriam tocar todas as noites "instar tintinnabuli" (docemente) e os fiéis que tivessem recitado três Ave-Marias receberiam indulgência plenária. Com o passar do tempo, a oração passou a ser rezada também durante a manhã, a partir de 1400. Mas foi o Papa Calisto III, em 1456, que prescreveu o badalar dos sinos do Angelus também ao meio-dia com a oração de três Ave-Marias. Por fim, um sínodo realizado em Colônia no início do século XV estabelecia claramente: "De agora em diante, todos os dias, em cada igreja, no nascer do sol, sejam tocados três vezes os sinos como se costuma fazer ao entardecer, para saudar a Virgem gloriosíssima". E se concedia indulgência àqueles que, durante o tocar dos sinos, tivessem recitado três Ave-Marias.

O ANGELUS DAQUELE DOMINGO
Antes de rezar o Angelus com os milhares de fiéis e turistas reunidos na Praça São Pedro, o Papa Francisco já havia alertado que "diante do grito de fome - todos os tipos de "fome" - de tantos irmãos e irmãs em todas as partes do mundo, não podemos permanecer como espectadores distantes e tranquilos". E falando de improviso, chamou a atenção para o desperdício e para o destino da comida que sobra em nossas refeições. A inspirar sua reflexão, a passagem do Evangelho da multiplicação dos pães e dos peixes, que alimentaria à saciedade a multidão que seguia Jesus nas proximidades do lago de Tiberíades. E dela, o Papa destaca a atitude corajosa do rapaz que, vendo a multidão faminta, "coloca à disposição tudo o que tem: cinco pães e dois peixes:

"Bravo rapaz! Ele, também ele, via a multidão; também via os cinco pães.  Disse: Mas eu tenho isto, se serve está à disposição". Este rapaz nos faz  pensar um pouco em nós... Aquela coragem: "os jovens são assim, têm coragem. Devemos ajudá-los a levar em frente esta coragem".

A inspirar sua reflexão, Francisco aponta mais uma vez para a coragem e a sensibilidade do rapaz, que a exemplo de Jesus, viu a grande multidão e  entendeu a compaixão, dizendo: "Ah, pobre gente.... Eu tenho isto". A compaixão o levou a oferecer o que tinha.

Fonte: Arquivo pessoal

A mensagem final do papa Francisco foi tocante:

"Penso nas pessoas que têm fome e em quanta comida que sobra que botamos fora... Cada um de nós pense: a comida que sobra no almoço, na janta, para onde vai? Na minha casa, o que se faz com a comida que sobra? Se joga fora? Não. Se você tem este costume, dou a você um conselho: fale com seus avós, que viveram no pós-guerra, e pergunte a eles o que faziam com a comida que sobrava. Nunca jogar fora a comida que sobra. Se reutiliza ou se dá a quem possa comê-la, a quem tem necessidade. Nunca colocar fora a comida que sobra. Este é um conselho e também um exame de consciência: o que se faz em casa com a comida que sobra?". 

"Rezemos a Virgem Maria - disse ao concluir - para que no mundo prevaleçam os programas dedicados ao desenvolvimento, à alimentação, à solidariedade e não àqueles do ódio, dos armamentos e da guerra".

A mensagem do Papa Francisco de 2017 continua atual em 2020. Não acham? 

Fonte: Vatican News


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