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A grama do vizinho é mais verde

Colunista José Renato da Silveira escreve sobre a inveja


"Matamos o tempo; o tempo nos enterra". Esse é o problema de jogar com o tempo; ele acaba sempre por ganhar a partida. 

Em tempos de pandemia, evitei viajar por fazer parte do grupo de risco. Nesse sentido, tentei e tento seguir uma rotina de leituras, escritas, aulas, algumas atividades físicas e alguns hobbies. 

Gramados são bonitos
Minha família ama, cuida e protege a natureza. Em casa, desde a infância, temos uma relação especial com os animais. Já tivemos e temos gatos, cachorros, pássaros. Já tivemos aves domésticas - galos e galinhas - não para o nosso consumo, mas para protegê-los dos maus tratos. Temos flores e plantas das mais diversas. E um gramado bonito que requer cuidados constantes. 

A história dos gramados 
Vale destacar que a ideia de criar um gramado na entrada de residências privadas e edificações públicas nasceu nos castelos de aristocratas franceses e ingleses no final da Idade Média. 

No início da era moderna, esse costume enraizou-se e tornou-se um traço típico da nobreza. Como diz Harari: "gramados bem cuidados exigiam terra e muito trabalho, particularmente antes de haver cortadores de grama e irrigadores de água automáticos. E, em troca, não produziam nada que tivesse valor material. Nem mesmo podiam servir de pasto porque os animais comeriam e esmagariam a grama. Camponeses pobres não poderiam se permitir desperdiçar em gramados um terreno precioso, tampouco seu tempo. Portanto, a despojada relva na entrada dos castelos representa um sinal de status inconfundível (...) quanto maior e mais bem-arranjado o gramado, mais poderosa era a dinastia. Quem fosse visitar um duque e visse que seu gramado estava em mau estado saberia que se tratava de um nobre em dificuldades". 

Humanos e gramados 
Como diz Harari: "foi assim que os humanos estabeleceram uma identificação entre gramados e poder político, status social e riqueza econômica. Não é de admirar que no século XIX a burguesia em ascensão tenha adotado o gramado entusiasticamente. 

No início, somente banqueiros, advogados e industriais podiam permitir tais luxos em suas residências. Mas, quando a Revolução Industrial aumentou a presença da classe média e fez surgirem o cortador de grama e o aspersor automático de água, milhões de famílias puderam permitir-se ter um relvado em casa". 

Dois esportes e o gramado 
Não podemos esquecer que dois esportes de destaque na atualidade - futebol e tênis - são disputados em gramados. 

A indústria dos gramados nos Estados Unidos 
Nos subúrbios americanos, gramados limpos e bem cuidados deixaram de ser luxo de gente rica e passaram a ser vistos como uma necessidade da classe média. Ressalto que a grama é atualmente, depois do milho e trigo, o cultivo mais disseminado nos Estados Unidos, e a indústria dos gramados (plantas, esterco, cortadores de grama, aspersores, jardineiros) fatura bilhões de dólares a cada ano. 

A inveja e o grama verde 
Uma frase que ficou popularizada no Brasil é "a grama do vizinho está mais verde". "Em tempos de redes sociais, em que compartilhar textos e imagens sobre a própria vida faz parte da rotina de muitas pessoas, é natural ter ainda mais impressão de que a grama do vizinho é a mais verde. Claro, esta é uma metáfora que estou usando para ilustrar como muitas vezes observamos de forma mais positiva as ações dos outros e minimizamos às nossas. Isso acontece porque a maioria gosta de publicar fotos de momentos felizes e de conquistas em geral, o que faz com que nos sintamos inferiores em alguns momentos, ou seja, com a nossa "grama queimada". Trata-se de uma questão de perspectiva. 

"Todos querem tornar públicas apenas coisas boas, mostrar a sua melhor versão para o mundo e deixar que todos pensem que sua grama é a mais verde. Porém, a realidade não é bem assim! Tentar viver de forma perfeita, como acredita que acontece com os seus amigos e os artistas das redes sociais, apenas servirá para te frustrar, simplesmente porque a perfeição da vida deles não existe. A beleza de viver está exatamente nas suas imperfeições e nas experiências que nos permitem crescer, aprender, acertar, errar, sorrir, chorar e evoluir. Portanto, embora pareça em muitos momentos, nem sempre a grama do fulano que você segue na internet é realmente mais verde do que a sua, você que está enxergando de longe e através de filtros e edições e não se dando o devido valor". 

Obs: A inveja 
"A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. 

É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo. 

A inveja é frequentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer aos outros. A inveja na forma de ciúme é proibida nos Dez Mandamentos da Bíblia. Do latim invidia, que quer dizer olhar com malícia". 


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