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A comunicação de moda se reconstrói na pandemia

Colunista Letícia Sarturi analisa reinvenção da moda e de sua comunicação durante o contexto atual


É tempo de se reinventar. Assim como diferentes setores, o destino da moda na pandemia de COVID-19 também foi alterado. Além dos ciclos de produção, o ato de comunicar ganhou novos rumos. Das revistas especializadas as/aos influenciadores digitais: é preciso repensar o conteúdo. 

Há meses, publicações já demonstram um comprometimento com o momento atual e trazem a "urgência do agora" nas capas. Elas passaram das celebridades e modelos vestidas com alta-costura para quem luta na linha de frente à pandemia, por exemplo. 


A Vogue Brasil, um dos grandes nomes da comunicação de moda no país, também passou por mudanças. Em maio, a revista apresentou duas capas, em alusão ao aniversário de 45 anos da marca, protagonizadas por Gisele Bündchen com roupas de grifes e um conceito de "novo normal" pós-pandemia. A proposta tentou voltar-se a uma simplicidade, mas não mudou a abordagem e continuou caracterizada por padrões e glamourização (fora da realidade mundial!). 


A capa foi polêmica e marcada por críticas dentro e fora do mundo da moda. Enquanto isso, a Vogue italiana já havia se destacado com a impactante capa branca da edição de Abril. A revista traduzia o momento vivenciado. 

De acordo com o diretor chefe da Vogue Itália, Emanuele Farneti, a escolha do branco tem diversos significados: respeito, renascimento, a cor dos uniformes de quem coloca a vida em risco para salvar as nossas e o espaço e o tempo para pensar. "O branco é para aqueles que estão preenchendo esse tempo e espaço vazios com idéias, pensamentos, histórias, versos, músicas e cuidados com os outros", comenta Farneti no Instagram. 


Neste mês, a franquia brasileira tenta trilhar uma nova perspectiva. Ela volta o olhar para o seguinte conceito: "a união fará a força da moda nacional". Inspirada no álbum "Paratodos", de Chico Buarque, a Vogue traz profissionais que fazem parte da cadeia de moda brasileira, como costureira, agricultor, estilista, modelista, camareira e fotógrafo, na nova capa. 

A edição colaborativa reuniu 58 nomes de diferentes áreas da indústria da moda do Brasil. A publicação também lançou, nas redes sociais, o #VogueChallenge, um desafio que propõe que as/os leitoras/res criem a capa que gostariam de ver na Vogue BR. 



COMUNICAÇÃO NAS REDES
Muito além de conteúdos voltados à imagem, digitais influencers abordam estilos de vida. Em tempos de distanciamento social, as rotinas foram alteradas e foi necessário acompanhar essas transformações. Sob a perspectiva da moda, o tempo é de conforto (acompanhe as tendências comfy plus size) e de minimalismo. Percebo que as produções muito exuberantes foram e ainda são alteradas ou boicotadas entre produtoras/res de conteúdo online. 

Essa mudança demonstra que a moda é somada a expressão não só da individualidade como de um coletivo. Trata-se da representação de um tempo marcado por adaptação e (auto) cuidado. 

Estamos imersos em constantes adequações e a única certeza é de que a forma de comunicar como vivenciamos no início de 2020 já está ultrapassada. Seguimos (re)aprendendo, pois a moda é uma expressão do meio social.


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