sociedade

Uma Criança, Uma Vida, Muitas Opiniões

'No momento atual, expressar opiniões sobre temas sensíveis podem provocar uma avalanche de posições contrárias', escreve o colunista Juliano Trindade


Na semana passada, acompanhamos estarrecidos os trágicos acontecimentos ocorridos com uma criança de dez anos, no Espírito Santo. Essa criança foi violentada sexualmente por um tio dela, durante quatro anos. De tal atrocidade, resultou uma gravidez.O doloroso fato, lamentavelmente, foi acrescido por uma guerra entre grupos da sociedade, posicionados contra e a favor do aborto. Em meio a esse debate, pessoas radicais cometeram crimes, tentando provar seu ponto de vista e impedir essa criança de abortar. 

A gravidez é um dos mais belos momentos na vida de uma mulher, ter filhos significa, entre outros marcos muito fortes, a garantia da continuidade de sua história familiar. No caso, entretanto, uma gravidez, com dez anos de idade, não seria viável - a criança e o feto não  sobreviveriam. Como foi cometido um crime que acarretou a gravidez, a justiça autorizou o aborto. O aborto neste caso seria a única saída para não somente garantir a vida da criança, como também evitar problemas graves de natureza diversa a ela. 

Interferir na vida de outra pessoa com o intuito de promover uma mudança de pensamento e de posicionamento, utilizando-se de atitudes agressivas ou opiniões ofensivas foram as principais estratégia utilizada por grupos radicais. Tentaram a todo custo impedir o aborto da criança-mãe, colocando assim a sua vida em risco. Criaram argumentos irreais, lutaram contra a preservação da vida e se posicionaram contra a ciência. Tais atitudes atrapalharam todo o processo pelo qual a criança precisaria passar. 

Uma ativista da direita radical, em meio a essa discussão, teve acesso a informações sigilosas e as publicou nas redes sociais - uma atitude criminosa que colocou em risco a vida da criança, de seus familiares e da equipe médica envolvida no procedimento. Essa ativista cometeu um crime - divulgar informações ligadas a caso como esse, é proibido.A atitude da ativista foi criminosa e inconsequentes ao tentar convencer outras pessoas a utilizarem as mesmas estratégias suas.

O desejável para todos é importante, porém não se pode ir contra a orientações da ciência e da medicina, em situações específicas como a referida. Quando a ciência tem que tomar à frente, discussões ideológicas, religiosas ou partidárias perdem seu espaço. Provocar discussões para tentar influenciar ou provocar mudanças na orientação científica significa colocar em risco vidas humanas.

No momento atual, expressar opiniões sobre temas sensíveis podem provocar uma avalanche de posições contrárias. Conversar sobre assuntos importantes e entender pontos de vista contraditórios são essenciais para que todos possamos crescer como pessoas. Tentar impor opiniões e visões não são a melhor estratégia e podem causar perdas significativas no decorrer do debate. 

A criança felizmente fez o aborto. Grandes e profundas cicatrizes, no entanto, farão parte de sua vida para sempre. As situações provocadas pelos fundamentalistas religiosos e os ativistas radicais ampliou e piorou a situação ainda mais. O governo do Espírito Santo agiu rapidamente e colocou a criança e sua família em um programa de proteção. Como consequência, toda a família envolvida mudará de cidade, de nome e, a partir de agora, tomara que consigam ter uma nova vida! 

No momento atual, onde as diferenças ficam cada vez mais exacerbadas, onde os extremos ganham espaço, o diálogo e a compreensão tem de voltar ao centro das ações para que todos juntos possam crescer e aprender juntos. Uma visão única não é o ideal, todos temos conhecimento e habilidades diferentes e isso precisa ser respeitado, mas interferências, em situação como a essa, são inconcebíveis, Precisa-se mesmo é proteger mais as crianças e manter opiniões fora da realidade longe do centro das atenções. 


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