sociedade

Sobre ser renunciante diante de contextos difíceis

Colunista fala sobre saúde espiritual e a prática de Yoga

Como é difícil colocar em prática algumas mudanças, inclusive quando não apenas acreditamos nelas mas também compartilhamos a teoria que as sustenta como parte do que entendemos ser nossa missão de vida.

Como instrutora de Yoga, a cada aula trago ensinamentos da filosofia do Yoga, de Mestres Espirituais ou de outras referências na linha do autoconhecimento e consciência. Ultimamente, é em Krishna, no Bhagavad Gita, que estamos buscando orientações sobre a nossa caminhada. A compreensão intelectual pode não ser das mais fáceis em vários trechos do livro, mas difícil mesmo é se transformar conforme os ensinamentos nele sugerem. E os testes vem. É a própria vida. E o tempo inteiro.

Foto: Pixabay

No último final de semana acompanhei notícias e redes sociais e de comunicação virtuais provavelmente muito mais do que minha saúde espiritual (mental, emocional e material, por consequência) recomendaria e me enchi de preocupação e medo diante do futuro do país.

Consequentemente, meu estado vibracional baixou e muitas sombras aproveitaram para me dominar e me fazer manifestar negatividade, tensão e ainda mais preocupação e medo. Muitos foram as "vítimas", direta ou indiretamente. Especialmente eu mesma, já que automaticamente foi reduzida minha capacidade de agir, pensar e ser.

Já de muito optei por me proteger de um contato mais frequente com discursos de violência, negatividade e conflito, confiante de que as crises vividas coletivamente são tão importantes quanto as individuais. São doídas. Reveladoras de verdades nada agradáveis. Mas são também a condição necessária para mudanças que sejam efetivas.

Mas agora sucumbi. Me permiti invadir pela densidade energética. Me incomodei com algumas manifestações e (des?)informações e temi pelas possibilidades surgidas com tal contexto. Posteriormente percebi meu coração fechado e falta de espontaneidade, leveza e contentamento. Estava azeda, fria, distante ou, como disse uma amiga, aérea. Queria saber o que fazer para sair desta situação e como fazer para evitar cair em algo parecido de novo.

Sobre o amor incondicional pelos filhos, pelos demais seres e por nós mesmos

Lembrei, então, de Krishna e das conversas com os praticantes de Yoga. De muita complexidade mas muita verdade é o convite deste mestre do Yoga que viveu por volta de 5.000 anos atrás para que nos tornemos renunciantes, que é aquele que "nada deseja e nada recusa, inatingido pelos opostos, tanto no seu agir quanto no seu desistir, não afetado nem por esperanças nem por medo." Renunciante é aquele que humildemente sabe das limitações da sua capacidade de conhecer os propósitos e consequências de cada situação e contexto. E, portanto, se entrega à vida e aos acontecimentos mantendo um estado interno de serenidade e compreensão por tudo e todos.

Ser renunciante não significa, de modo algum, ser conformado e passivo. Krishna nos instiga à ação correta: um agir conforme o que o nosso coração diz ser o mais justo; que não privilegia ou prejudica ninguém intencionalmente; que nasce, se realiza e se conclui perante uma condição de serenidade e sem esperar qualquer resultado em troca (nem pagamento, nem reconhecimento, nem mesmo o que acreditamos ser o melhor para uma coletividade ou nação). É o agir conforme sentimos ser nosso dever sem nos angustiarmos ou sofrermos com o contexto ou torcermos por um determinado fruto ou consequência.

A prosperidade é questão de consciência

Assim, o renunciante busca observar a realidade e nela interagir cumprindo com seus deveres, mas sem se envolver emocionalmente, não desejando nem refutando nada. Guiado pelo Amor, está acima do dualismo que rege o nosso plano: bom e mau; bonito e feio; certo e errado; luz e trevas.

Além de renunciante, precisamos também manter nossa mente no que acreditamos estar acima de nós e/ou no que consideramos ser mais valioso na nossa vida: Deus, Consciência Suprema; o Amor; filhos etc. Fundamental contribuição que sempre podemos dar ao TODO e a nós mesmos é alinharmos o pensamento em vibrações elevadas. Dessa forma, irradiaremos positividade colaborando para a Paz e a Harmonia em cada Ser e coletividade.

O moço, a jovem, o livro e o amor

Para finalizar, me conforta lembrar que não há problema eu cair. Como Arjuna, discípulo e com quem Krishna dialoga, "não encontro permanência [...] neste estado de devotamento. Ioga, como dizes, [Krishna,] é equanimidade de espírito; mas inquieto e rebelde é meu coração". Fundamental, como consola o mestre, é possuir "força de vontade" para persistir na luta para aquietar desejos e consequentemente a mente.

Emanando fé na sabedoria da vida e Amor por todos os seres e situações, sejamos a Paz. Namaskar!


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