sociedade

Reformas

Leia a coluna de José Renato Ferraz da Silveira



"Em tempos de conflito, é preciso escolher um lado"
Rubens Ricupero

"Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude"
Giuseppe Tomaso di Lampedusa

A infância e a Velha casa

A infância é um doce momento na nossa breve existência!

O poeta Casimiro de Abreu retrata isto muito bem no seu mais famoso poema:

"Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras, À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias do desapontar da existência!"

Algo que cativo nas memórias infantis é a casa de minha infância. Ela é frequente em meus sonhos. Quando as minhas reminiscências retornam para lá, "sinto como se estivesse caminhando nas nuvens".

A "alma" daquela casa amada me segue nos sonhos e desejos do futuro. Ela está condizente com a citação do livro de Ruth (eu sinto isto): "Onde tu fores, eu irei, e onde habitares, eu habitarei".

Relembro diversos momentos mágicos naquele ambiente. Gostosos momentos! Relembro dos inúmeros gatos e cachorros que tivemos. Relembro as plantas. Relembro o sol refletindo no meu quarto. Relembro o vento batendo na minha janela. Relembro os meus fantasmas e amigos imaginários. Relembro as festas de aniversário e muitos momentos felizes com meus irmãos e pais. Casa abençoada!

Ah! Não posso esquecer também das reformas feitas em casa. As pedras, a areia, pisos, azulejos, cimento, cal, inúmeros materiais e instrumentos - da reforma - tornavam-se objetos de divertidas e engraçadas brincadeiras com meus amigos de infância.

Apesar de tudo isso, meu papai não gostava (e não gosta) das reformas. Ouvi diversas vezes dele - irritado - sobre a mania de minha mãe querer "sempre" estar reformando a casa.

Hoje - "mais velho, mais grato, mais curtido e mais incerto" - eu compreendo melhor meu pai. Ele gosta que as coisas mantenham-se como estão. Independentemente de estarem boas ou em péssimas condições. O que importa é a rotina. Ele - como muitos brasileiros - é avesso às mudanças, ao novo, ao repentino. Para ele e muitos brasileiros, é fundamental conservar, preservar e manter tudo do mesmo jeito mesmo que não esteja bom. Manter como está é mais prático. Menos incômodo. Sem surpresas. Sem constrangimentos. Estar na zona de conforto é tranquilo e sossegado!

Pois bem, moramos na mesma casa por muitos anos (mais de 20 anos) em Bauru.

Nova casa
Hoje minha mãe - que gosta de mudanças e detesta a rotina - promove reformas na casa em que eles moram na cidade de Sorocaba. Ela planeja uma grande reforma ainda neste ano. Espero que ocorra. Imagina o desespero e aflição de meu pai?

Afinal, caro leitor, você deve estar se perguntando, afinal, o que isto tem a ver com as ironias na política brasileira?

Dizem os especialistas - e o meu pai em relação a minha mãe quanto às reformas - que reformar sempre foi uma "obsessão" para os governantes brasileiros.

É quase consenso dos juristas e cientistas políticos que não tivemos governos, desde a Independência, que não tenham feito suas reformas seja por vias legais ou pela força.

Tivemos sete constituições. Mudança permanente. Pensem, na atualidade, temos as chamadas medidas provisórias; no passado, eram os decretos-leis. A nossa agitada história política abrigou atos institucionais, atos complementares, atos adicionais, emendas e de Constituições inteiras que foram substituídas por outras.

Constituição de 1988
No dia 05 de outubro, a nossa "Constituição cidadã" completou 33 anos. Com mais de 80 emendas - muitas reformas - porém, que não alteraram os princípios fundamentais da Constituição de 1988. Conforme os pesquisadores, a Constituição cresceu quase 40% desde 1988. Mas nem o tamanho nem a frequência de alterações são vistos como problema.

"Em 1988, a Constituição virou um estuário de demandas sociais. É por isso que nasceu grande", diz Couto. "Muitas vezes isso é criticado. Mas na comparação internacional, as constituições que mais duram são as grandes. A dos EUA, enxuta e duradoura, é exceção"

Os especialistas sobre as Reformas
Para alguns especialistas, isto reflete o imediatismo das leis e das Constituições no Brasil. O imediatismo deve ser caracterizado aqui como uma atitude caracterizada pela pressa habitual de querer ver os problemas resolvidos, independentemente de sua complexidade, de suas implicações e da demanda de tempo requerida para sua solução. Muitas destas soluções - na realidade, "são acertadas em salas fechadas e aos eleitores, sem qualquer constrangimento, servem pratos feitos".

Para outros expertises, todas as reformas são bem vindas e necessárias quando apoiadas no planejamento, no critério, na ponderação e para o bem comum. Neste sentido, elas não significam imediatismo e superficialismo. Ou seja, em linhas gerais, elas se propõem por pautas de inclusão e avanços sociais, políticos e econômicos e etc.

Por fim, o nosso lar, a nossa casa merece amor, proteção, carinho e cuidado com todos e todas, não é?


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