sociedade

O Deus da Cloroquina e a Vacina

'Poucos foram, até o momento, aqueles que realmente se preocuparam com a coletividade. Vários os que tentam tirar a sua casquinha. Surgem, assim, os salvadores da pátria', escreve o colunista Juliano Trindade


Ela chegou, enfim ela chegou, depois de um longo ano, quando não se conseguia ver luz no fim do túnel, a vacinação contra o coronavírus chegou. A maior parte da população deve estar mais tranquila, pois acredita que, daqui a algum tempo, a vida voltará ao normal. 

Infelizmente temos pessoas que não compreendem a importância do momento e expressam opiniões semelhantes às do presidente, que demonstrou descrença com a vacina, chegou a falar contra ela - e continuou defendendo a cloroquina. 

A ciência, no ano de 2020 e no início de 2021, superou todas as expectativas, criou, desenvolveu, testou e entregou aos governos mundiais uma vacina segura. Cabe, agora, às autoridades organização de corretas campanhas de vacinação. O "deus da cloroquina brasileiro" não aceita esse protagonismo da ciência e não aceita, na realidade, a existência da vacina. Derrama suspeitas contra ela - chegou a dizer que quem a utilizasse poderia sofrer alterações - virar jacaré! Sugere como salvação um tratamento precoce com medicamentos que não têm comprovação científica contra o vírus. 

Neste momento, negar a realidade, negar o quão letal é esta doença que até o momento levou a morte cerca de duzentos e vinte mil brasileiros e promover um tratamento precoce, que pode causar danos à saúde das pessoas e até levá-las à morte, é inaceitável. Ir contra a ciência, contra inclusive a pareceres de médicos especializados, pode ser danoso à população. O presidente que deveria zelar pela saúde de todos os brasileiros, não se coloca ao lado dos cientistas e pesquisadores, defendendo o indefensável e parecendo acreditar que seu conhecimento é maior que o de todos. 

O mundo todo está lutando e torcendo para se ter vacinas confiáveis para imunizar a todos em um programa de imunização que atinja à coletividade o mais rápido possível. O deus da cloroquina brasileiro vive em um mundo paralelo, somente se preocupa em propagar os medicamentos que acredita sejam a salvação dos seus súditos. Não reconhece os perigos do que faz e fala, mesmo alertado pela ciência constantemente. 

O Brasil sempre foi e é conhecido no mundo por ter programas inovadores na área da saúde, como o programa de combate a AIDS e os programas de imunização de diversas enfermidades e erradicação de doenças graves. O presidente parece ignorar todo esse expertise existente e quer porque quer que todos façam o que ele acha certo, colocando em postos - chave da área da saúde pessoas não especializadas - ou tão especializadas quanto ele próprio! Faltam pessoas que conheçam a área da saúde, o sistema de saúde nacional e a própria área médica. 

Estamos agora no meio de uma guerra de egos, o deus da cloroquina, que a todo custo quer ser o salvador da nação com ou sem vacina, e outros políticos que buscam se contrapor a ele, buscando fazer o certo porque desejam ganhos políticos futuros. Poucos foram, até o momento, aqueles que realmente se preocuparam com a coletividade. Vários os que tentam tirar a sua casquinha. Surgem, assim, os salvadores da pátria. 

O processo de vacinação no Brasil começou aos trancos e barrancos, não se sabe até quando isso vai assim.Enquanto isso o número de mortos cresce de forma descontrolada. A população precisa tomar à frente e mostrar com clareza aos governantes da nação o que desejam. Vacinar agora é uma questão de sobrevivência, é mais importante que salvar a economia ou o mandato de um governante. Temos prioridades importantes e elas devem ser levadas a sério. 

Precisamos e desejamos voltar à normalidade, para tanto vacinar é o correto. Se o presidente compreender a realidade, reconhecer equívocos e trabalhar para o bem do todo, a situação por que estamos passando, poderá ser atenuada. O presidente, se possível, precisa parar de brincar de presidente e começar a trabalhar de verdade. Se isso não ocorrer, a população continuará a ir às ruas e reclamar seus direitos à saúde bem como o respeito dos governantes. 

A vacina e o programa de imunização são hoje prioridade nacional e devem ter todo o suporte e atenção, sem desmotivação por insinuações de sua fragilidade.Com o interesse geral de receber  a vacina e a adesão da população , essa crise poderá finalmente acabar. Esperemos por melhores dias.


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