sociedade

Entre os mundos da segurança e o do fluir... qual você tem escolhido?

Colunista fala sobre mudanças e autoconhecimento


Sou daquelas que não dá pra confiar. Uma vez ouvi algo assim de um chefe. Ele estava se referindo ao trabalho, mas usou a metáfora de que eu era daquelas que não dá pra apresentar pra família, pois não tem como saber se vou mesmo querer casar. De lá pra cá mudei tanto. Mas sigo sendo destas que "não dá pra confiar", ainda que os motivos agora sejam diferentes.

Num mundo como o nosso, em que de todos e tudo se espera segurança, ser "instável" no que se quer e sente provoca grandes desconfortos. São as pessoas cobrando de você por sua suposta imaturidade. São os padrões sociais lhe exigindo cumprir com os prazos e calendários.

Autoconhecimento: realidade ou utopia?

Desde o tempo em que estudava filosofia do Direito, me questiono sobre esta tal segurança. Por que este é um dos valores mais protegidos pelo sistema jurídico? Por que, afinal, este valor se tornou tão central na nossa sociedade? Por que nós realizamos boa parte das nossas escolhas buscando alcançar segurança? Basta refletir nas nossas escolhas de trabalho, por exemplo.

A segurança, segundo muitos, se fortaleceu enquanto valor por exigência do modelo econômico que adotamos há séculos, o capitalismo. Em contrapartida, o mover, o fluir, o mudar e se transformar, o se deixar conduzir, é natural da vida. Assim já dizia Heráclito, séc. V ou VI a.C: "Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo"; "O sol não apenas é novo a cada dia, mas sempre novo, continuamente".

Talvez seja o conhecimento que adquiri com o Direito que me deu tranquilidade para subverter a segurança e a estabilidade. Nada melhor do que olhar de dentro de uma grande estrutura fundada na segurança para perceber que há valores mais legítimos e naturais.

Afinal, por que agimos priorizando corresponder às expectativas sociais, assegurando aos demais uma certa segurança, e não atender às nossas demandas e sentires? A segurança se tornou um valor superior a tantos outros, como a verdade, a vontade, a espontaneidade, a paz e a conexão... Mas e será que é mesmo?

É preciso fazer uma força pra desapegar e deixar o movimento acontecer. E isto normalmente é mais desafiador naquelas áreas da vida onde temos mais medo. O medo nos dificulta se permitir fluir, já que nos faz calcular, analisar, pensar e repensar: "e se não der certo esta mudança?"; "e se eu perder o grande amor da minha vida?"; "e se eu perder a chance que tanto espero de me realizar profissionalmente?"

E o movimento costuma chegar sem um mapa do destino. Por isso que pra "não sermos confiáveis para os outros" é preciso confiar em si mesmo, na própria intuição.

E ainda que possamos querer resistir, nosso corpo e sobretudo nosso coração gritarão. Até mesmo sinais externos costumam surgir apontando o caminho. E, de qualquer forma, em algum momento a vida inevitavelmente te conduzirá à mudança. Se você resistir a mudar enquanto os avisos e chamados forem amorosos, eles terão que vir por experiências desafiadoras. Então, será que realmente vale à pena viver cada momento não conhecendo ou desconsiderando o que sente/quer?

Meditar não é fácil... mas persista!

Chegando a este final de ano, começou a crescer em mim a necessidade de suspender meus compromissos para ter tempo de aprofundar na minha sádhana (prática espiritual), estudar e me organizar nas ideias e projetos para o próximo ano. O chamado tava forte, mas sei do quanto o Yoga se torna importante na vida do praticante e idealizo cuidar da melhor forma possível de todo mundo que chega até mim. Foi desafiador escolher por dar ouvidos ao que estava sentindo.

A solução foi confiar e seguir o fluxo para onde a energia estava me puxando e ser sincera na comunicação, falando das vulnerabilidades, necessidades, vontades e, acima de tudo, da minha busca pela coerência com o que estudo e compartilho.

Pra te inspirar a ser mais você [email protected], buscar se conhecer e desenvolver a coragem de seguir a sua própria intuição, uma música da incrível Com fé, Café: 


"Meu conselho é que tenha fé em si mesmo
Vem de dentro
Só escute quem admira
Quem lhe ajuda a cair em si mesmo
Vem de dentro [...]
Ser quem é, seu despertar
Nunca esqueça de buscar
A verdade que carrega nunca vai se apagar
Seja intuição, levante o olhar".


fale conosco

redação
[email protected]
(55) 3213-7100
(55) 99136-2472
(WhatsApp)
Endereço
Faixa Nova de Camobi, 4.975, Bairro Camobi, CEP 97105-030, Santa Maria - RS

redes sociais
facebook
instagram
twitter
youtube

 


para assinar
(55) 3213-7272
diariosm.com.br/assinaturas

central do assinante
(55) 3213-7272
(55) 99139-5223
(WhatsApp, apenas falhas de entrega)
[email protected]
[email protected]
chat

para anunciar
(55) 3213-7187
(55) 3213-7190