tecnologia

Super fantásticos

Colunista Liana Merladete reflete sobre crianças e adolescentes que esperam mudar o mundo pela programação


Não é de hoje que falamos que a Educação pode mudar o mundo. Na verdade, isso é uma certeza. Pressupondo ação, é um processo constante. Começamos formando e transformando no lar e as relações de aprendizado, formais ou não, são estendidas para toda vida. Se pararmos para pensar, todas nossas experiências tem um tanto significativo de ensino e de aprendizagem. Quando olho para meu filho, hoje com 8 anos, penso nisso, por vezes ficando encantada sem fala, só admirando e conectando os pontos. A verdade é que a educação molda nossa personalidade. É sim nossa esperança quando o assunto são cidadãos protagonistas e ativos em seus papéis sociais. 


Foto: arquivo pessoal
Meu filho, 8 anos, em sua primeira aula de robótica.

E o que a tecnologia tem haver com isso? Acho que tudo ou pelo menos muito, muito mesmo! Recentemente, busquei uma escola de programação para meu pequeno. Enquanto algumas pessoas avaliaram como fantástica a oportunidade, um parente aqui, outro ali perguntou se não seria exagero. "É tão cedo", mediram.

A questão, diferente do que muitos pensam, não é expor mais (ou ainda mais) as crianças às telas. Precisamos promover um relacionamento inteligente com a tecnologia, essa que, a todo tempo, cada vez mais, nossos filhos têm acesso. Precisamos conscientizá-los que estamos falando de oportunidades, muitas das quais não tivemos. Que é preciso extrair o melhor disso.

Falamos, há todo tempo, que as crianças de hoje nascem sabendo mexer no smartphone. E é bem verdade. Tem até um termo para isso. Nossos pequenos são os nativos digitais, conceito que, sim, consolida uma espécie de abismo com relação aos imigrantes digitais. Um nativo digital é aquele que nasceu e cresceu com as tecnologias digitais presentes em sua vivência.



E, sim, é verdade que eles começam a dominar, entender e até explicar ferramentas mais cedo ou com bem mais facilidade do que podíamos imaginar. Por que não transformar ou reverter essa "energia" para comunicação, diversão e produção? Não estou falando de dar um trabalho, também cedo demais, aos nossos filhos. Mas de conceder experiências conectadas ao desenvolvimento da sociedade.

Esses dias estudava sobre, justamente porque queria experiência, afeto e o despertar para um novo mundo, e não sobrecarga ao meu filho. Nisso, encontrei uma fala de Mohamed Elhabiby, residente da RoboGarden, o PhD em Engenharia Geomática. De modo objetivo, ele lecionou que engana-se quem pensa que a programação é útil somente para quem quer fazer Ciência da Computação ou Engenharia. Hoje, segundo ele, isso será crescente no decorrer dos anos, todas as profissões terão seus processos transformados.

Já falamos inclusive por aqui. Advogados, contadores, porteiros, todos terão (e já estão tendo) seus processos de trabalho transformados. Programação aparece dentro do leque de competências e habilidades como indispensável.


Mas o que me encanta não são só as razões para isso. Alguns artigos apontam uma série de motivações para optar por essa alternativa para crianças e adolescentes e os mais básicos já são atraentes:

  1. Aprender brincando: jogando no computador e, enquanto cumpre as missões, o aluno aprende conceitos de programação e, para passar de fase, precisa desenvolver seus próprios códigos e aplicá-los a cenários matemáticos e de ciência, por exemplo.
  2. Matemática mais acessível: E até física, entre outras possibilidades! Aprender a lógica da computação ajuda o raciocínio, melhora o desempenho em outras disciplinas e estimula a criatividade.

Ocorre que jogos, games e afins podem e devem fomentar reflexão crítica e consciência frente questões sociais, políticas, econômicas e de aprendizagem, para listar apenas algumas possibilidades.

A gente sabe que o primeiro homem a pisar na lua foi Louis Armstrong. Mas fica esquecido, para não dizer desconhecido, que quem também colocou ele lá foi uma mulher. Margaret Hamilton foi a responsável, em 1969, pelo software da nave Apollo 11, que pousou na lua com os três astronautas.


Trabalhando para a Marinha dos Estado Unidos, Grace Hopper, outro exemplo, sentiu a necessidade de que as linguagens de programação (conjuntos de códigos que os programadores usam para fazer o computador entender o que eles querem) precisavam ser mais facilmente compreendidas pelas pessoas. Foi ela quem criou o COBOL, uma linguagem de programação que revolucionou o mundo dos computadores, facilitando a tarefa de programar e tornando a evolução tecnológica muito mais rápida daí por diante.

No dia 9 de novembro último, Santa Maria também foi palco de talvez não revolução, mas evolução nesse sentido. A Happy Code trouxe uma maratona de programação, onde crianças e jovens se reuniram para criar uma solução para o desafio proposto. No caso, a educação. O processo consistiu na ideação, criação de um protótipo da solução e apresentação do projeto.

Tive a honra de ser banca avaliadora, dividindo a missão com Ricardo Frohlich, Coordenador do Curso de Jogos Digitais da UFN e; Christian Brackmann, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR), com seus conhecimentos sobre o pensamento computacional.


Fotos: Comunicação Happy Code Santa Maria

Tivemos a honra de prestigiar - e pra falar bem a verdade, ficar em estado de choque - frente crianças de 6 a 9 anos e de 10 a 14 anos. Presenciamos um esforço colaborativo e muita criatividade, mas absoluta e verdadeiramente proposições viáveis e necessárias para o campo de ensino e aprendizagem da matemática; solução empática frente à esquizofrenia; alternativas de tecnologia assistiva; promoção da consciência ambiental e muito mais.

As equipes foram divididas pela unidade da escola e foram formadas por dois ou três participantes, que tiveram, literalmente, o tempo marcado no relógio para desenvolver suas proposições e não só isso: mas apresentá-las oralmente.

Eles entenderam sensível e facilmente que a questão não é só o desenvolvimento deles próprios. É algo maior. Perceberam que é ter nas mãos a possibilidade de criar softwares e aplicativos que possam resolver problemas reais da sociedade. Eles falaram e apontaram formas de chegarmos juntos a um lugar melhor para se viver. Eles sabem como ninguém colaborar com projetos de outras pessoas. Eles nos lecionam sobre a genialidade do coletivo!

Avalio essas crianças como super fantásticas. E esse banho de solidariedade, significado e sentido à colaboração merece nossa atenção. Precisamos atentar para novas possibilidades profissionais, sermos (como eles) - urgentemente - sensíveis à conservação da natureza; entender que a desigualdade social está diretamente associada à falta de educação de qualidade; que ela, a educação, dá acesso aos direitos. Precisamos, fundamentalmente, ouvir - e dar asas - aos nossos filhos.


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