vida e saúde

Refúgios

Colunista Manoela Lüdtke fala sobre fugas e descansos

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Desde criança sou uma leitora assídua de placas e na estrada essa é uma das minhas distrações. Recentemente, ao retornar de viagem percebi algo que não havia tomado minha atenção até o momento. Ao longo da estrada, quando a via não tem espaço para acostamentos, encontramos placas com a informação "refúgio a 100m". No início achei curioso ver uma placa com a palavra refúgio e logo entendi o porquê existiam e o que eram os tais refúgios. 

Como sou uma apreciadora das palavras e seus múltiplos usos e significados, além de ter escolhido trabalhar com elas e com o que as pessoas fazem delas, fiquem pensando sobre os refúgios. No dicionário, encontramos o significado da palavra refúgio: lugar para onde se foge para escapar a um perigo; asilo; retiro; aquilo que serve de amparo, de proteção. 

Bem, eu estava retornando de férias, precisei me refugiar no limite entre a terra e o mar para que o cansaço de um longo 2019 de muito trabalho desse espaço a tranquilidade necessária para encarar um ano novinho em folha. Freud nos advertiu há muito tempo o quanto o mal estar é inerente à vida em civilização. Viver é tarefa difícil, pois sempre nos deparamos com os limites impostos pela realidade. 

As crianças, por sua vez, no seu tempo infantil operam muito mais no registro do prazer, querem apenas obter satisfação e por isso é tão custoso aos adultos lhes ensinar como é viver na cultura. Talvez por isso, nas férias, precisamos nos tornar um pouco crianças, buscamos limites geográficos seja na praia ou nas montanhas, gostamos de ficar sem hora pré definida para absolutamente nada e contentamo-nos a caminhar, comer e beber algo gostoso, passear, dormir, se divertir. Necessitamos desses e de outros tantos refúgios. 

Assim, ao pensar nos refúgios, nas crianças, adultos e no ano que se inicia refleti que não podemos apenas contar com as férias de verão para que tenhamos munição para enfrentar a vida ao longo de todo o ano. Guardadas as proporções, precisamos nos inspirar em nossas crianças. Como sempre, elas têm algo a nos ensinar. Já perceberam como elas sempre encontram uma maneira de tornar tudo mais interessante e divertido? Até mesmo um castigo no quarto, "para pensar no que fez de errado" se transforma em uma brincadeira. As nuvens no céu divertem uma viagem, ao imaginar mil formatos de animais e monstros, os potes e panelas da mamãe transformam-se instrumentos musicais de alta qualidade. Resumindo, as crianças assim como na estrada, encontram seus refúgios o tempo todo e em qualquer situação. 

Inspirada no clima de ano novo, desejo a todos nós que possamos encontrar nossos refúgios ao longo do ano. Que possamos nos refugiar em abraços, sorrisos, conversas e que de vez em quando a gente consiga parar de correr tanto e que se permita descansar. Na sua próxima viagem de carro, repare que ao ficar estreita e sem acostamentos, a estrada oferece inúmeros refúgios. Que em 2020 a gente possa olhar pra eles com mais carinho e atenção.

Desde criança sou uma leitora assídua de placas e na estrada essa é uma das minhas distrações. Recentemente, ao retornar de viagem percebi algo que não havia tomado minha atenção até o momento. Ao longo da estrada, quando a via não tem espaço para acostamentos, encontramos placas com a informação "refúgio a 100m". No início achei curioso ver uma placa com a palavra refúgio e logo entendi o porquê existiam e o que eram os tais refúgios.

Como sou uma apreciadora das palavras e seus múltiplos usos e significados, além de ter escolhido trabalhar com elas e com o que as pessoas fazem delas, fiquem pensando sobre os refúgios. No dicionário, encontramos o significado da palavra refúgio: lugar para onde se foge para escapar a um perigo; asilo; retiro; aquilo que serve de amparo, de proteção. 

Bem, eu estava retornando de férias, precisei me refugiar no limite entre a terra e o mar para que o cansaço de um longo 2019 de muito trabalho desse espaço a tranquilidade necessária para encarar um ano novinho em folha. Freud nos advertiu há muito tempo o quanto o mal estar é inerente à vida em civilização. Viver é tarefa difícil, pois sempre nos deparamos com os limites impostos pela realidade. 

As crianças, por sua vez, no seu tempo infantil operam muito mais no registro do prazer, querem apenas obter satisfação e por isso é tão custoso aos adultos lhes ensinar como é viver na cultura. Talvez por isso, nas férias, precisamos nos tornar um pouco crianças, buscamos limites geográficos seja na praia ou nas montanhas, gostamos de ficar sem hora pré definida para absolutamente nada e contentamo-nos a caminhar, comer e beber algo gostoso, passear, dormir, se divertir. Necessitamos desses e de outros tantos refúgios. 

Assim, ao pensar nos refúgios, nas crianças, adultos e no ano que se inicia refleti que não podemos apenas contar com as férias de verão para que tenhamos munição para enfrentar a vida ao longo de todo o ano. Guardadas as proporções, precisamos nos inspirar em nossas crianças. Como sempre, elas têm algo a nos ensinar. Já perceberam como elas sempre encontram uma maneira de tornar tudo mais interessante e divertido? Até mesmo um castigo no quarto, "para pensar no que fez de errado" se transforma em uma brincadeira. As nuvens no céu divertem uma viagem, ao imaginar mil formatos de animais e monstros, os potes e panelas da mamãe transformam-se instrumentos musicais de alta qualidade. Resumindo, as crianças assim como na estrada, encontram seus refúgios o tempo todo e em qualquer situação. 

Inspirada no clima de ano novo, desejo a todos nós que possamos encontrar nossos refúgios ao longo do ano. Que possamos nos refugiar em abraços, sorrisos, conversas e que de vez em quando a gente consiga parar de correr tanto e que se permita descansar. Na sua próxima viagem de carro, repare que ao ficar estreita e sem acostamentos, a estrada oferece inúmeros refúgios. Que em 2020 a gente possa olhar pra eles com mais carinho e atenção.


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