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Desmistificando: Musculação e Emagrecimento são antagônicos?

Colunista Michel Silva fala sobre os mitos que envolvem o emagrecimento e a musculação


Enquanto nos aproximamos do fim do ano e consequentemente do verão, a procura por atividades físicas torna-se naturalmente maior. Com isso, nós profissionais da área nos deparamos com pessoas que chegam aos nossos centros de treinamento com um grande número de dúvidas, e o pior, com um número maior ainda de "certezas" bastante equivocadas. Mas a culpa não é delas, essas ideias de alguma forma já estão enraizadas no entendimento comum popular a muito tempo. Cabe a nós, em um legítimo "trabalho de formiguinha", reverter essas crenças e elucidar a realidade ao grande público.

Uma das crenças mais comuns é a de que, ao se buscar o emagrecimento, o treinamento resistido com pesos, ou seja, a musculação, seria desfavorável para esse objetivo, e logo, o foco do trabalho deveria se dar em cima de exercícios aeróbicos.

É fato que os exercícios aeróbicos têm sua parcela de importância no processo de emagrecimento sim (e isso pode vir à ser tema de uma próxima coluna), porém, ficam bem atrás no que se refere a promoção de uma adaptação fisiológica que é gerada naturalmente com a musculação: o consumo de energia pós-treino. Em outras palavras, o Efeito EPOC (sigla em inglês para Consumo Excessivo de Oxigênio Pós-Exercício).

Para entender melhor isso, precisamos entender, em linhas gerais, o estado de repouso absoluto, e também o estado de repouso pós-exercício.

Em estado de repouso absoluto, antes de um treino por exemplo, você tem um consumo de oxigênio tal para suprir o seu metabolismo aeróbio de repouso, que está produzindo energia suficiente para a necessidade daquele momento. Logo, tecido muscular, órgãos, vísceras, enfim, seu metabolismo como um todo necessitam de energia, que é proveniente de fontes aeróbias, tais como, adivinha só: a gordura. Obviamente, esse consumo é baixo, mas existe, para manter suas funções vitais.

Passando para uma situação de esforço físico, essa atividade vai gerar, obviamente, um consumo de energia superior ao do estado de repouso. Esse consumo superior está diretamente atrelado a condições da carga de trabalho (em outras palavras, volume e intensidade. E só nesse assunto cabe mais um texto). Isso se dá a partir de qualquer atividade, seja ela de treinamento com pesos ou não.

A lógica nos faria pensar que, encerrada a atividade física em questão, o consumo de oxigênio retornaria aos níveis de repouso. Mas não é exatamente assim que acontece. O consumo obviamente diminui consideravelmente, mas não retorna aos níveis iniciais, logo, esse efeito é o que chamamos de EPOC. Essa condição pode se dar por diversas vias provenientes do esforço, desgaste muscular, volume de treinamento e carga utilizada, tais como: produção de lactato, consumo de glicogênio muscular e fosfocreatina (fontes de energia responsáveis pela atividade motora), elevação da temperatura corporal, e mais diversas alterações fisiológicas que acarretarão um desgaste tanto metabólico quanto neuromuscular. Já podemos imaginar que, para a restauração desses processos fisiológicos e o consequente retorno aos níveis de consumo de oxigênio de repouso, há uma grande demanda de energia envolvida. E como citado anteriormente, lembram de onde vem essa energia consumida no repouso? Exatamente, da gordura corporal.

De posse dessas informações, fica fácil entender porque muitos programas de treinamento têm o controle do EPOC como uma porção auxiliar, e mais ainda, determinante, do processo de emagrecimento.

Logo, não tenha receio de entrar em um programa de treinamento focado mais em musculação do que em aeróbicos quando seu professor lhe recomendar um, mesmo que seu objetivo principal seja emagrecer. O benefício é garantido.

Bons treinos à todos e até o mês que vem (talvez com a continuação desse assunto).


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