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Coluna Cultura

Re-existir, entregar-se e não se entregar

23 Outubro 2017 00:00:00

Colunista relembra do momento mágico do show de Paul, da efemeridade das emoções, do temporal e, no final, do que importa em nossas vidas diante das dificuldades cotidianas 

Meus joelhos sequelados já doíam e eu anestesiado de uma sensação emocional ainda inédita, olhei para o meu lado esquerdo, uma professora estadual aposentada (no Rio Grande do Sul, o que é pior...), imagina só! Ela estava feliz e dançava como uma adolescente na balada A Hard Days Night, ao vivo, em pleno Beira-Rio com Paul McCartney e a trupe mágica do espetáculo #OneonOne. Sorte a minha, aliás sorte a nossa, a teacher de 68 anos e eu tirávamos o pé do chão em sincronia com quase 50 mil pessoas que estavam lá…

O colunista e sua mãe, Circe, professora e fã dos BeatlesFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Nessa massa de milhares de pessoas diferentes tinha mãe, filho, vô, neto, capataz de estância, publicitário, vendedor de capa de chuva, estancieiro, auxiliar de cozinha, médico, domador, músico  e várias velhinhas em transe rsrs... 

Antes disso, filas quilométricas de gente ansiosa e feliz, todos com a mesma expectativa, ver um Beatle.

Todas emoções vividas, cada um ao seu modo é claro, uns choravam, outros sorriam, todos cantavam ou dançavam e alguns até deram umas "desmaiadinhas", mas dessas simples que passam com um pouco de ar corrente e um copo d´agua.

Fã dos Beatles virou professora de inglês e realizou o sonho de conhecer o país do quarteto de Liverpool

Após as três horas de imersão no mundo mágico do ídolo britânico e seus hits mundiais, eu observava ainda extasiado a importância da música na nossa vida. Pois percebia que mesmo com tanta diferença social, sob chuva a céu aberto em Porto Alegre a paz perdurava dentro e nos arredores do estádio, todas as pessoas a que eu voltava os olhos pareciam ser amáveis…

O sonho acabou e voltamos todos para nosso mundo real, o cotidiano particular, a incerteza de que amanhã de manhã aquela árvore que a gente gostava das flores pode ter sido varrida pelo 'sopro' do vento, que aquele lugar que a gente gostava foi destruído por um incêndio, que as pessoas que a gente amava tanto já se foram "seguindo a luz do nunca mais", que a fome e a política têm massacrado nossa esperança por um mundo melhor e que, às vezes, a gente até perde a cabeça e acaba se excedendo porque tudo isso nos afeta diretamente, mas o que fazer se somos parte de tudo?

Sorte que aí está a arte e seus operários a provar que é possível RECOMEÇAR…

Falando nisso, vale este link: 

É parece mesmo que a ARTE é uma da poucas coisas a nos deixar (pelo menos em alguns instantes) todos iguais, éramos milhares numa só voz, cantando Hey Jude...

Valorize acima de tudo o amor que você recebe. Ele continuará a existir depois do seu ouro e da sua saúde terem acabado.
(O Mandino) 

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