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Cronistas do Diário

O homem que amava os cachorros

21 Abril 2016 00:00:00

VITOR BIASOLI
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É admirável o romance do cubano Leonardo Padura, intitulado O Homem que Amava os Cachorros. Ficção policial e política a respeito de uma trama fundamental na história do século 20: as lutas internas na União Soviética, nas décadas de 1920 e 1930, entre Stálin e Trotski. As disputas a respeito da construção do socialismo e os seus desdobramentos internacionais, na Alemanha do avanço nazista e na Espanha conflagrada por guerra civil.

Stálin defendia (e concretizou ao longo dos anos 1930) o socialismo num só país, enquanto Trotski mantinha-se coerente com o ideário internacionalista da Revolução de 1917, criava a Oposição de Esquerda, uma nova Internacional Socialista e enfrentava a truculenta e assassina ação política stalinista.

O romance enfoca o longo exílio de Trostki, de 1927 até o seu assassinato em 1940. Ao mesmo tempo, a preparação profissional do seu assassino (Ramón Mercader), saído das fileiras do Partido Comunista espanhol. Tudo isso narrado por um cubano, nos anos 2000, sufocado pelo controle político e pela precariedade material do socialismo caribenho. Esse último aspecto, por sinal, a grande originalidade do livro: os embates da construção do socialismo soviético vistos por um homem que perdeu a esperança no socialismo cubano (herdeiro do modelo soviético).

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Mesmo para o leitor que conhece o desfecho da história, uma leitura empolgante até a última linha. Afinal, no cruzamento das trajetórias de Trotski, Ramón Mercader e do amargo escritor cubano, é a utopia socialista que está em questão. “O mundo [capitalista] está no fundo de uma armadilha”, diz um dos personagens comunistas ao final do livro (um ex-agente da polícia política stalinista), “e o pior é que nós desperdiçamos a oportunidade de salvá-lo”. Um romance sobre a derrota de um projeto generoso que se transformou numa “delegacia de polícia dedicada a proteger o poder” (outra expressão do mesmo personagem comunista).

Para alguns, o romance de Padura é a expressão literária do fim do socialismo (literalmente do seu desabamento), para outros (entre os quais me incluo), mais uma reflexão (brilhante) a respeito da possibilidade de recriar desse ideário.

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