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surto de toxoplasmose

Resultado de análise da água para detectar fonte do surto de toxoplasmose não sai antes do dia 16

10 Maio 2018 08:00:00

Após três semanas de surto, Diário traz acompanhamento das principais ações de investigação da origem da doença

Dandara Aranguiz e Thays Ceretta

 Uma das frentes é a busca ativa - questionário aplicado a pessoas que tiveram exame confirmando a suspeita. Fotos: Gabriel Haesbaert (Diário)

Três semanas já se passaram desde o anúncio feito pelas autoridades em saúde de que Santa Maria vive um surto de toxoplasmose. De lá para cá, as estatísticas só têm aumentado, assim como a preocupação em encontrar a origem do foco da contaminação.

Uma equipe com profissionais das Vigilâncias em Saúde do Estado e do município, juntamente com técnicos do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS), trabalham para tentar encontrar a fonte do surto e a forma de disseminação por meio da busca ativa. Também estão sendo aguardados os resultados dos exames feitos na água fornecida pela Corsan, o que não deve ocorrer antes de 16 de maio.

O Diário fez um levantamento das principais ações anunciadas no combate ao surto e traça um panorama de como estão até agora.

: : Leia todas as notícias sobre o surto de toxoplasmose em Santa Maria : :

ANÁLISE DA ÁGUA 
Como a toxoplasmose é contraída via oral, ou seja, pela boca, por meio da ingestão de alimentos ou de água contaminada, existe uma grande expectativa quanto aos resultados das coletas de água feitas na cidade. Esse serviço foi feito pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CVES), órgão ligado ao governo do Estado, e pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Cada instituição fez oito coletas, e as amostras foram enviadas ao Laboratório de Parasitologia e Zoonoses e Saúde Pública da Universidade Estadual de Londrina (UEL). 

Conforme a coordenadora do laboratório, Roberta Lemos Freire, as amostras do CEVS estão chegando aos poucos, já as amostras da Corsan chegaram todas no dia 2 de maio. Os primeiros resultados foram obtidos e estão sendo analisados. O prazo para divulgação é de 7 a 15 dias úteis, a contar da data da chegada no laboratório.

Pela CEVS

  • Dia 24 de abril - No lodo do decantador, na água tratada e na água que fica retida nos filtros, num total de oito amostras
  • Primeiras amostras - Foram enviadas pelo Lacen no 25 de abril e chegaram na Universidade de Londrina no dia 27 de abril
  • Segundas amostras - Foram enviadas pelo Lacen no 26 de abril e chegaram na Universidade de Londrina no dia 2 de maio
  • Terceiras amostras - Foram enviadas pelo Lacen no 2 de maio e chegaram na Universidade de Londrina no dia 4 de maio
  • Previsão de resultado - O laboratório não divulga o resultado

Pela Corsan

  • Dia 26 de abril - Na Estação de Tratamento de Água (ETA), que fica na Vila Vitória, no Bairro Juscelino Kubitschek, na água bruta, tratada, que é usada para lavar os filtros e no lodo dos decantadores, num total de oito amostras de água
  • Dia 30 de abril - Enviado a Londrina
  • Dia 2 de maio - Chegou em Londrina
  • Previsão de resultado - De 10 a 15 dias úteis, a contar da chegada das amostras

Prazo - Os primeiros resultados devem ser divulgados a partir de 16 de maio. As primeiras coletas foram feitas no dia 24 de abril. As primeiras amostras chegaram ao Laboratório de Parasitologia e Zoonoses e Saúde Pública da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no dia 2 de maio, e as análises são feitas em um prazo de 7 a 15 dias úteis  

Responsabilidade - Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CVES). Cada uma das instituições fez oito coletas de água, em momentos e locais diferentes. Análises são feitas pelo laboratório de Londrina, que repassará os resultados à Secretaria de Saúde do Estado

LABORATÓRIO OFTALMOLÓGICO
A abertura de um ambulatório especializado para realizar exames gratuitos de oftalmologia e o credenciamento de laboratórios para fazer exames de sangue que sirvam de contraprova no diagnóstico da toxoplasmose em Santa Maria, anunciados pelo secretário Estadual de Saúde, Francisco Paz, na última sexta-feira, em coletiva de imprensa, para entrar em funcionamento nesta semana, foram adiados

De acordo com o titular da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS), Roberto Schorn, os exames oftalmológicos serão feitos pelo Hospital São Roque, de Faxinal do Soturno, que já presta serviço pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O local já está definido, mas, como ainda precisa de alvará de localização, não foi divulgado. Além disso, os detalhes de como será feito o atendimento ao público ainda não foram todos resolvidos. Por enquanto, a expectativa de abertura ficou para semana que vem (em data não definida). 

Paralelo a isso, a 4ª CRS está fazendo um levantamento para saber qual laboratório da cidade pode oferecer o serviço de contraprova - hoje feito pelo Laboratório de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (Lacen-RS) - dos exames de sangue. Uma reunião entre representantes da 4ª CRS e da prefeitura, sexta de manhã, deve traçar os próximos passos. 

Ambulatório oftalmológico 

  • Exames gratuitos de oftalmologia pelo SUS  
  • A ideia é que os pacientes consultem, primeiro, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias de Saúde da Família (EFS) e sejam referenciados pelo município para o atendimento oftalmológico
  • O serviço será gerido pelo Hospital São Roque, de Faxinal do Soturno, que já presta serviço pelo SUS por contrato com o governo do Estado
  • Anunciado dia 4 de maio, o ambulatório vai oferecer atendimento durante cinco dias na semana. No entanto, a capacidade de atendimento só poderá ser definida após o levantamento do quadro funcional necessário para atender à população

Mais laboratórios credenciados para contraprova de exames

  • Para encurtar o processo de realização dos exames de contraprova, a 4ª CRS está fazendo um levantamento para saber qual laboratório pode oferecer esse serviço 
  • Ainda não há uma definição do(s) laboratório(s) escolhido(s) para o serviço. A 4ª CRS ainda aguarda a divulgação do próximo boletim para fazer o levantamento do serviço a ser oferecido

APLICATIVO PARA MAPEAR FOCOS DO SURTO

Outra ação diz respeito ao georreferenciamento dos casos. Para isso, o Laboratório de Geomática, ligado ao Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), produziu um aplicativo de celular para agilizar o trabalho de mapeamento dos casos notificados e confirmados de toxoplasmose no município.

O aplicativo ficou pronto no dia 3 de maio, foi apresentado à prefeitura, passou por testes. Conforme o coordenador do laboratório, Enio Giotto, a equipe do Ministério da Saúde que está na cidade sugeriu algumas alterações no aplicativo durante uma visita na última terça-feira.

- Nós fizemos tudo baseado nas informações da equipe do Estado e do município. O aplicativo foi concluído, de forma operacional, foi para testes, mas o pessoal do epiSUS propôs outras perguntas e algumas mudanças. Agora, a gente está trabalhando nessas questões, e acredito que, na próxima segunda ou terça-feira, entregaremos essa nova versão - disse Giotto.

Diante do surto de toxoplasmose, Hemocentro adota novos critérios para doação de sangue

Porém, antes de ser adotado efetivamente, o aplicativo ainda passará por novos testes.

Nessas três semanas, também foram feitas promessas e estipulados prazos, tanto para a descoberta da causa da doença quanto para o atendimento oferecido aos pacientes que tenham os sintomas e aos que já tiveram a confirmação da doença. Confira como estão os principais serviços adotados para combater o problema na cidade, e o que dizem os responsáveis por cada uma das ações em andamento.  

  • Próximos passos - Entre segunda e terça-feira, a UFSM deve concluir as adequações solicitadas pelo Ministério do Trabalho. Começa, então, uma nova fase de testes
  • Responsabilidade - Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com a prefeitura municipal

BUSCA ATIVA
Todas as pessoas com exames que confirmaram os reagentes para toxoplasmose, que passaram por atendimento na rede pública ou privada e tiveram a notificação feita à Vigilância em Saúde do município, respondem ao questionário. Até o momento, dos 617 casos suspeitos na cidade, apenas 300 questionários foram preenchidos. Os demais ainda serão procurados pela equipe para preencher o questionário 

Inicialmente, o documento continha 20 perguntas. No decorrer da investigação, ele foi aprimorado pela equipe do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS). Novas questões foram adicionadas e outras foram modificadas.

As visitas ocorrem conforme a demanda e em casos específicos e considerados de risco. Quando há uma concentração maior de informações em um determinado lugar, por exemplo, a equipe se desloca para fazer a coleta . O material coletado vai para um banco de dados. O cruzamento dessas informações é feito com metodologia científica, segundo parâmetros do Ministério da Saúde. 

  • Prazo - Será aplicada enquanto não for descoberta a causa do surto 
  • Responsabilidade - Equipe formada por médicos e profissionais do município, Centro Estadual de Vigilância e Saúde (CEVS) e Ministério da Saúde

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