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surto de toxoplasmose

Quase um mês após começo do surto, qual a situação dos atendimentos de casos suspeitos

16 Maio 2018 09:30:00

Nos postos de saúde, há redução nos atendimentos, mas médicos particulares dizem que novos casos continuam surgindo

Thays Ceretta


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)
A policlínica Rubem Noal, na Tancredo Neves, é uma das seis UBS que registraram declínio de procedimentos relativos à doença

Quase um mês depois da confirmação do surto de toxoplasmose em Santa Maria, é possível perceber que a população está mais informada sobre a situação e doença. O Diário visitou 16 Unidades Básicas de Saúde da cidade, nos dias 14 e 15 de maio, pela manhã e à tarde, entre às 8h30min às 16h30min. Na maioria delas, a busca por atendimento diminuiu. Em outros locais, aumentou a procura de quem não tem os sintomas, mas que, por precaução, foi até o posto de saúde fazer o exame de sangue que detecta se está ou não com a doença. Já os médicos infectologistas alertam que novos casos continuam surgindo (veja abaixo).

De qualquer forma, as recomendações básicas ainda precisam ser seguidas, como cozinhar bem os alimentos e tomar somente água mineral ou fervida. O cuidado deve ser maior para quem está no grupo de risco, gestantes, crianças até dois anos de idade e imunodeprimidos (pessoas com baixa imunidade).

:: Leia todas as notícias sobre o surto de toxoplasmose em Santa Maria ::

A blitz nos postos

Aumentou procura por pessoas com sintomas da toxo

  • Wilson Paulo Noal 
  • Policlínica Central José Erasmo Crossetti

Aumentou busca por orientações

  • Waldir Mozzaquatro 
  • Walter Aita 

Aumentou a busca por exames

  • Floriano Rocha 
  • São Francisco

Diminuíram os atendimentos de pacientes com suspeitas da doença

  • Oneyde de Carvalho 
  • Dom Antônio Reis 
  • Pronto Atendimento Municipal 
  • Kennedy 
  • Centro Social Urbano 
  • Policlínica Rubem Noal 

Atendimentos não tiveram alteração

  • Joy Betts

Postos que não informaram a situação

  • Itararé
  • Passo das Tropas

271 CASOS
De acordo com o último boletim, divulgado no dia 11 de maio, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-RS) confirmou 271 casos de toxoplasmose na cidade, outros 230 ainda estão sob investigação. Além disso, a cidade contabiliza 847 casos notificados por médicos das redes pública e privada após consultas médicas. O número de gestantes com resultado positivo também aumentou. Agora, são 24 confirmados. Um boletim com a atualização do números de casos confirmados era aguardado para esta terça, porém, a Superintendência de Comunicação da prefeitura informou que, a partir de agora, o boletim será informado apenas nas sextas-feiras, uma vez na semana.

VISITAS 
Das 30 pessoas que estavam aguardando por atendimento na Unidade Básica de Saúde Ruben Noal, duas apresentavam os sintomas da síndrome febril. Entre elas a dona de casa Antonia Roatt, 52 anos. Desde o dia 16 de abril ela sentiu febre, dores no corpo, pescoço e na cabeça além de estar sem apetite. Antonia consultou, e em um primeiro momento foi medicada para uma virose. O quadro clínico dela apresentou melhoras por alguns dias e depois os sintomas voltaram. Ela retornou ao posto no dia 4 de maio, no dia 8 fez a coleta de sangue e dia 14 foi levar o resultado para o médico.  

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- Fiquei muito preocupada com esse surto, não tinha ânimo para nada, fiquei uma semana sem levantar da cama. O aumento dos casos deixa a gente ainda mais nervosa. Desde o surto só tomei água mineral. Fiz o exame de sangue pelo SUS e agora vim trazer, o médico me disse que deu positivo para toxoplasmose, agora vou ser encaminhada para um infectologista - contou Antonia com a voz e a fisionomia de preocupada.

Na Unidade Básica de Saúde Floriano Rocha, das seis pessoas que procuraram o local de manhã, nenhuma pessoa estava em busca de consulta ou orientações sobre a toxoplasmose. A enfermeira do local, Márcias Dias Vianna, explica que desde a confirmação do surto o que aumentou foi a procura de pessoas para fazer o exame de sangue.

- A procura de gestantes não aumentou porque todas vieram nos dois mutirões e estão sendo acompanhadas, são cerca de 130, todas deu negativo para a doença, mas elas continuam vindo aqui para repetir os exames, uma vez ao mês. Na população em geral, aumentou a procura para fazer o exame, para saber se o sintoma é ou não de toxoplasmose, eles vem a gente acolhe e já pede o exame, em questão de dois ou três dias o laboratório já envia o resultado por e-mail, se positivo a gente passa para o médio e a pessoa é encaminhada para o ambulatório do Husm ou para a Casa 13 de Maio - esclareceu Márcia.

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Ao visitar a Unidade Básica de Saúde Walter Aita, a enfermeira Salete Scaramussa é taxativa: a preocupação é com a falta de informação de grande parte da população.
- As pessoas estão achando que tudo é toxoplasmose, se não tem sintoma não precisa ficar preocupado, é preciso se tranquilizar. Muita gente vem nos procurar porque ainda estão confusos, desinformados. Mas é claro que temos que nos manter vigilantes ainda mais com as gestantes - enfatizou Salete.  

Na Unidade Básica São Francisco, Ingrid Souza Maria, 18, aguardava pela consulta do pré-natal. Com 19 semanas de gestação, ela está a espera do primeiro filho, o Emanuel. A jovem ia fazer pela primeira vez o exame de sangue para detectar se está ou não com a doença.

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- Eu não sinto nada de diferente, mas acho que é importante fazer o exame. Fiquei preocupada com o surto, principalmente por causa do bebê. Em casa só estou tomando água fervida e estamos lavando bem os alimentos - contou Ingrid.

Danielle Xavier dos Santos, 26 anos é moradora do bairro Salgado Filho e está fazendo o acompanhamento do pré-natal na Unidade Básica de Saúde Joy Betts e no Hospital Universitário de Santa Maria porque o exame de sangue dela acusou reagente positivo para a toxoplasmose.

MÉDICOS DIZEM QUE NOVOS CASOS CONTINUAM SURGINDO  
Mesmo que nesses dois dias a percepção tenha sido que a procura por atendimento tenha diminuído nas Unidades Básicas de Saúde, para os infectologistas os casos de síndrome febril continuam surgindo. Na Casa 13, por exemplo, a agenda está sempre lotada. A médica infectologista do município, Paula Martinez, comenta que isso significa que o surto ainda não foi controlado na cidade.   

Infectologistas divulgam nota técnica sobre o surto de toxoplasmose em Santa Maria

- O atendimento continua sendo na sexta-feira para as 20 pessoas que são encaminhada e a maioria já tem o exame com reagente positivo. Os casos estão se mantendo, isso significa que o parasita ainda está circulando no ambiente. É visível que as pessoas estão mais informadas, mas todas as recomendações se mantem - afirma Paula.

Na rede particular, a médica infectologista Jane Costa afirma que continuam surgindo casos com sintoma de síndrome febril, ou seja, novos casos suspeitos.
- Não houve uma redução a incidência no presente momento, não nos parece ter havido uma redução no número de casos, em função de que nós continuamos atendendo pacientes com síndrome com quadro sugestivo, o surto não está controlado - disse Jane Costa. 

A orientação é que as pessoas procurem primeiro a Unidade Básica de Saúde, lá o médico dará o encaminhamento, se vai para a Casa 13 de Maio ou para o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm).

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