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Pacientes reclamam de demora no resultado de exames na UPA e PA

10 Janeiro 2018 20:20:00

Instituições afirmam que a demora ocorre porque muitas pessoas deveriam procurar outros locais primeiro

Thays Ceretta

Fotos: Charles Guerra (Diário)/Jalma Barbieri (amparada no filho Misael), 60 anos, reclamou de dor no corpo e também do tempo que ficou aguardando pelo resultado do exame de Raio X

Reclamações na área de saúde são recorrentes em Santa Maria, mas desde a semana passada houve um pico. A redação do Diário recebeu várias ligações de usuários reclamando que o Pronto-Atendimento do Bairro Patronato (PA) e a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), que fica no Bairro Perpétuo Socorro, estavam superlotados e o atendimento, demorado. Segundo os responsáveis de cada setor, não há nada de anormal, o que acontece é que, na maioria das vezes, as pessoas acabam procurado o local errado. O que era para servir de ajuda a pacientes de urgência e emergência acaba virando consultório médico.  

Ontem, o pedreiro Misael Barbieri deixou de ir ao trabalho para acompanhar a mãe até a UPA. Ele amparava a mãe no colo para tentar amenizar a dor que ela sentia. A aposentada Jalma Barbieri 60 anos, procurou atendimento pela segunda vez no local porque além de não conseguir caminhar, estava sentindo dor na cabeça, nas costas e nas pernas. Na primeira vez, ela consultou, foi medicada e voltou para casa. Ontem, retornou com os mesmos sintomas. Ela e o filho, que moram na Vila Schirmer, chegaram por volta das 7h. Em menos de uma hora, foia tendida, fez um raio x no pulmão, mas precisavam aguardar o resultado com o diagnóstico para então ser medicada. Eles foram liberados por volta das 13h.

- O problema é ficar esperando de 3 a 4 horas pelo resultado, e não podemos ir para casa. A gente fica sem comer e com dor - afirmou Jalma.

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EXAMES

Cansado de esperar, o pequeno Bernardo Abella, 4 anos, estava dormindo no colo da mãe Kelen Machado, 32 anos, auxiliar de escritório. A reclamação é a mesma. Em uma semana, ela procurou a UPA pela quarta vez em função das dores do filho.

- Na primeira e segunda vezes, ele foi medicado, e voltamos para casa. Na terceira vez, foi solicitado um exame de sangue e de urina, esperamos o resultado e não deu nada de grave. Deram remédio, e fomos embora, mas hoje (terça-feira) é a quarta vez que a gente retorna, chegamos de madrugada, o Bernardo foi internado e por sorte o meu marido foi cedo até a secretaria de saúde para tentar a requisição para fazer a ultrassom bem cedo. O problema maior é a demora para esperar o resultado do exame - reclama Kelen.

Do lado de fora indignado, o pai da Cecília de 4 anos e meio, Michel Pazatto Sanches, 28 anos, reclamava da negligência dos médicos. Segundo ele, os profissionais não quiseram fazer um exame de raio x na pequena que queixava-se de dor nas costas, na barriga e estava febril. Em uma das consultas um dos pediatras teria dito que a menina estava com sintomas de pneumonia.

- Eu estive aqui na UPA duas vezes e, na terceira, fui ao PA. Lá, eles fizeram o raio x e, como ela estava com água no pulmão, foi encaminhada para o Husm (Hospital Universitário de Santa Maria) e passou por cirurgia. Agora, ela está bem, mas não entendo porque os médicos não fizeram os exames nela primeiro, antes de piorar - desabafa.

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URGÊNCIAS

O coordenador administrativo da UPA, Gabriel Gausmann, explica que o atendimento aumentou. Na última quinta-feira, 314 pessoas foram atendidas, sendo que a média diária é de 280. Um dos motivos é que a maioria das pessoas acaba procurando o local para consultas, sendo que o atendimento prioritário é para urgência e emergência.

- Aqui não temos falta de profissionais, as escalas estão completas, são seis médicos por turno, três clínicos gerais, dois pediatras e um médico para as emergências. A questão é que temos as prioridades da triagem. Consequentemente, nos atendimentos, as emergências e os idosos têm prioridade, e muitas pessoas procuram a UPA porque sabem que vão ser atendidas, mas, na maioria das vezes, elas deveriam procurar as Unidades Básicas de Saúde - explica.

Ainda conforme o administrador, ontem de manhã, o movimento foi considerado baixo. Por volta das 11h, havia 40 pessoas na sala de espera, mas, à tarde, a demanda aumentou. O relógio marcava 15h, e as pessoas que passaram pela triagem às 13h30min ainda não tinham sido chamadas. Isso porque dois pacientes tiveram parada cardiorespiratória, houve caso de acidente e os idosos que chegaram passaram na frente.

Sobre as consultas e os exames, Gausmann comenta que a decisão dos médicos na hora da avaliação é soberana, são eles que decidem o que devem prescrever ao paciente, ou seja, qual medicamento ou exame devem ser indicados. Além disso, é de responsabilidade da UPA realizar exames de raio x e laboratoriais, e a espera pelo resultado dura em média de três a quatro horas.

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PA DO PATRONATO

Em função da reforma do Pronto-Atendimento do Bairro Patronato (PA), os pacientes, tanto adultos quanto crianças, aguardam o atendimento no mesmo local. Ontem, por volta do meio-dia, havia 20 pessoas esperando. Entra elas, a professora aposentada Maria de Loudes, 66 anos. Ela conta que caiu, há oito dias, mas só agora procurou atendimento no posto de saúde do Bairro Itararé. Lá, teriam dito que, para conseguir uma consulta, somente no mês que vem. Com isso, ela foi até o PA tentar uma consulta e fazer um exame de raio x porque sentia dor nas costelas e falta de ar.

- Eu cai limpando o banheiro. Como ainda estou com dor, fui no posto do Itararé, mas, como a gente não pode agendar a doença, e lá não tinha consulta hoje (ontem), me mandaram para cá. Aqui, é mais rápido o atendimento - conta Maria de Lourdes.

Na mesma sala, os pais do Gustavo Bittencourt, 4 anos, aguardavam ser chamados para saber o resultado do exame do filho.

- Viemos consultar de madrugada, o pediatra pediu exame, mas não deu remédio. Pediram para voltar de manhã para ver o resultado. Estamos esperando há mais de uma hora. Além da demora, com a reforma, as crianças ficam junto com os adultos e correm o risco de pegar alguma infecção. Sabemos que não tem o que fazer, se é para melhorar, faz parte - declara Matheus Bittencourte, 26 anos, pai do menino.

Apenas uma das Unidades Básicas de Saúde do município está com o horário reduzido em função do calor. As demais estariam atendendo normalmente.

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