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Avaliação

O que a comunidade espera que o prefeito resolva neste ano

04 Fevereiro 2018 17:00:00

De cada 10 moradores ouvidos pelo Diário nos quatro cantos de Santa Maria, 6 sugeriram que o governo Pozzobom priorize soluções para a saúde, especialmente para as filas que se formam nos postos, de madrugada, em busca de consultas

Diogo Brondani

Foto: Jean Pimentel Arquivo (Diário)

A cada governo que assume a prefeitura de Santa Maria, a esperança da população por melhorias em diversas áreas se renova. As promessas da campanha eleitoral são guardadas a sete chaves pelos moradores, principalmente da periferia. No entanto, o cumprimento delas, muitas vezes, deixa a desejar. Passado pouco mais de um ano do início do mandato do prefeito Jorge Pozzobom (PSDB), o Diário visitou todas as regiões da cidade e ouviu mais de cem pessoas sobre qual a área que precisa ser melhorada com urgência em 2018.

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Saúde foi a principal queixa da população - apontada como prioridade por 63,3% dos entrevistados. Soluções que vão desde a agilidade no atendimento nos postos de saúde até a urgência para que o Hospital Regional abra as portas são as mais requisitadas.


A população de baixa renda, que não tem como recorrer a um atendimento particular ou por meio de convênio, acaba refém das condições precárias que o serviço público oferece.

- O governo está bem ruim. A saúde aqui no bairro Santa Marta poderia ter sido melhor, mas a gente não vê melhoria nenhuma. Tivemos a promessa de um posto, e não foi feito nada. O agendamento não funciona. A gente tem que ir para a fila de madrugada. Ou seja, as coisas continuam como antes, para pior - diz a cabeleireira Maria Rosane de Melo, 55 anos, moradora do bairro da Zona Oeste.

Apesar do alto índice de reclamações das promessas ainda não cumpridas pela prefeitura, o governo tucano foi considerado como regular por 47% das pessoas ouvidas nesta reportagem especial. Do montante, 25% avaliam a gestão como boa, e 16,9%, ruim.

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Depois da saúde, aparece a necessidade de mais infraestrutura. A principal demanda apontada é a melhoria nas ruas asfaltadas e de calçamento.

- Foi um ano regular. A área que está precária é a dos buracos nas ruas, principalmente no Centro. Na Vila Belga, o calçamento está uma vergonha, com aquelas pedras soltas. Até agora, não mudou nada. As ruas estão piores do que quando o Schirmer largou o governo. Aqui no Bairro Itararé, o grande problema é a iluminação pública - considera o porteiro Adilson Augusto Diefenthaler, 55 anos.

Os entrevistados apontaram também pedidos nas áreas da educação, segurança e turismo. Foram 112 pessoas ouvidas pela reportagem durante cinco dias em 29 bairros de todas as regiões da cidade. No total, mais de 150 quilômetros percorridos.

LONGAS FILAS NOS POSTOS SÃO QUEIXAS COMUNS

O que a população quer para 2018? A população quer melhorias na saúde e na infraestrutura. Dentre as principais demandas de cada área, queixas não faltaram por parte dos moradores das diferentes regiões visitadas. Na parte da saúde, ao mesmo tempo em que alguns comemoram a possível abertura do Hospital Regional ainda este ano, muitos pedem agilidade e se queixam por ele estar há mais de um ano pronto e ainda sem funcionar. O que se verifica é um apontamento quase unânime: a demora para atendimento nos postos de saúde. A situação é apontada por todas as regiões.

- A saúde está péssima e precisa ser tratada como prioridade. As filas continuam enormes. As consultas são agendadas, mas tu tens que ir muito cedo. Eu preciso ir de manhã para pegar a ficha para ser atendida de tarde. Isso no posto Wilson Noal, porque o que tem aqui da Cohab Fernando Ferrari nem tem mais médicos para atender - reclama a secretária Carolina Rigon Freitas, 36 anos.

Além disso, outro ponto destacado é a falta de médicos especialistas, principalmente pediatras, nas unidades básicas de atendimento. 

- A saúde está ruim. Precisa agilizar o atendimento, a gente fica quatro horas lá. Falta pediatra. No posto do Centro Social Urbano, ali do bairro (Passo D'Areia), a gente tem que posar para conseguir uma ficha - lamenta Anderson Brasil, 27 anos, que é profissional da área da limpeza.

Na infraestrutura, a reclamação é geral para a situação das ruas. Nas que são asfaltadas, as pessoas querem que os buracos sejam consertados. Nas vias que são calçadas, as pedras estão soltas ou a falta delas aparece como grande problema para os motoritas. Já nas vias que são de terra, as crateras, a poeira e o barro são a dor de cabeça. Outras demandas ainda entra na lista quando o assunto é infraestrutura:

- Está uma calamidade a situação das ruas dessa cidade. Também é preciso investir nos abrigos de ônibus. Os que não estão caindo, já caíram. As pessoas ficam expostas ao sol, à chuva, e, principalmente os idosos, não têm nem onde sentar - reclama o aposentado Aquiles de Souza, 84 anos, morador do Bairro Carolina.


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MAIS MÉDICOS ESPECIALISTAS - "Fizemos um concurso com vaga para 30 pediatras e se inscreveram só três. Não existe mais pediatra. Ninguém quer ser. Acabou. Estamos conversando com a Universidade (UFSM). Temos 160 médicos e 80 se aposentaram. Os outros 80 estão irritados e com razão, porque o salário é uma miséria. A falta de médicos é um problema. Na campanha, prometi contratar 50 médicos, contratei 60. O que salva Santa Maria hoje é o consórcio (Consórcio Intermunicipal da Região Centro). Qual o problema? É muito caro. Para atender esses 64 mil (programa Fila Zero), gastei 6 milhões de reais de consórcio. Nós vamos buscar uma alternativa semelhante a de Lajeado: a Univate assumiu todas as unidades de saúde. No Floriano Rocha, assinamos um acordo com a Unifra. Quero tornar o Fernando Rocha uma referência para convencer a universidade (UFSM) a fazer com o Wilson Paulo Noal."

FILAS NA MADRUGADA - "São duas coisas mais indignas pra mim: a fila da madrugada e as paradas de ônibus. A fila da madrugada, qual o dia que é maior? Segunda-feira. Zeramos a fila da madrugada em Camobi: segunda-feira, a consulta é marcada de tarde, não mais de manhã. E na terça, tu marcas de manhã. Será feita uma força-tarefa (acabar as filas) para todas as unidades. Foi colocado na cabeça das pessoas que se não chegar cedo, não terá ficha." 

UNIDADE NA COHAB SANTA MARTA - Não consegui entregar dia 24 (dezembro). Foram feitas duas licitações e deram desertas. O último orçamento foi de R$ 1 milhão e 100. No acordo que fizemos com a Unifra (assumirá a unidade), temos que entregar assim. Nesse acordo de colaboração, pela força da lei, faremos um chamamento e não vamos precisa fazer a licitação, é o mesmo caso do Instituto de Cardiologia (gestor do Hospital Regional). O projeto está pronto e o dinheiro está pronto. A contratação da empresa será imediata. Meu prazo é de 7 meses, mas vamos fazer em menos. Posso praticamente garantir que até o meio do ano, a obra estará pronta, mas evito dar prazo." 

FALTA DE REMÉDIOS NAS FARMÁCIAS - "Esses dias faltou agulha. Nós mudamos o almoxarifado e estamos fazendo um trabalho completo. Então, nós temos esse problema da farmácia. Esse é um gargalo que tratamos ainda e é horrível. Não tenho como te dizer como será resolvido. Se vai ser imediatamente ou não. Mas mudamos a gestão."  

BURACOS - "O Avançar Cidades (empréstimo do Ministério das Cidades) não inicia antes de agosto. No dia 29 de dezembro, véspera do ano novo, nós estávamos cadastrando (o programa). Cadastramos para contratar empresa que fará consultoria dos 88km. Por exemplo, Avenida Medianeira, a empresa me dirá o que deve ser feito. Desses 88km, veremos o que será feito e o que não precisa. Isso é regra do programa que não mudamos. Estou proibido de falar prazo. Pelo que eu entendi, eu não inicio o Avançar Cidades antes de agosto. O que faremos até agosto? Com os R$ 12 milhões da Corsan, é proibido botar a mão (só para ruas e estradas). Até agosto, não tenho o dinheiro. De março até agosto, eu vou fazer tapa-buraco, mas não a prefeitura. Nós contrataremos uma empresa para fazer. Estamos tapando um buraco que é paliativo. De março até agosto, pegaremos os 12 milhões exclusivo para cidade e interior. São separados 10 lotes que iremos licitar. A empresa que ganhar o lote, vai estar em uma única região. Não adianta ganhar uma rua aqui e outra lá. Vamos facilitar o trabalho e ter mais eficácia. O BRDE está montando um projeto de financiamento. Há uma possibilidade de que um empréstimo, se for aprovado, com um juro muito baixo. Se eu me cadastrar nisso, deixarei os R$ 12 milhões para cidade. Enquanto não tem, divido os dois (cidade e interior). Os 12 milhões são exclusivos para isto. Não tem uma rua nova que será asfaltada. É proibido falar nisso. A única rua no cronograma no Plano, que foi eixada de fora foi a Avenida Rio Branco, e eu quero a Rio Branco. Desses 12 milhões, terá que sair 1,3 milhão para a Rua Maranhão, na Tancredo Neves, que inunda sempre. É todo esse dinheiro que gastaremos lá."

REGULARIZAÇÃO DOS TERRENOS - "Eu acredito que até o final do ano, estaremos com as escrituras de cada um dos terrenos. Isso é importante. Vamos regularizar. O problema são os números de invasões. A Nova Santa Marta é um compromisso pessoal meu. Na Tancredo Neves, que boa parte pertencia a cooperativa, iremos entregar para todos eles. Não será preciso pagar o imposto de transmissão (ITBVI)." 

PARADAS DE ÔNIBUS - "Tem cinco grandes paradões que não vou abrir mão de fazer; na Riachuelo, na Rio Branco, Pinheiro Machado. Será uma parceria publico-privado (PPPs). A ideia é poder fazer parceria, em que eles explorem a publicidade. Vai ser feito no meu governo, com todas." 

COLETA DO LIXO - "Temos um contrato feito pelo Schirmer que delimita uma área para fazer coleta de lixo. Por que eu não posso colocar a Tancredo Neves que é uma cidade aparte? E na Cohab Fernando Ferrari colocar contêineres? Quero ver se amplio o contrato. Eles querem um reajuste como previsto no contrato. Estou disposto, mas quero ver se conseguem aumentar o trabalho. Tem um problema gigantesco: Os contêineres estão sendo coletados com caminhãozinho pequeno. Está sendo encaminhado um aditivo no contrato para dar conta dos inservíveis, como sofá." 

CRECHES E VAGAS - Temos uma meta com a Secretaria de Educação de até o final do governo, ter oito creches. São 50 (funcionários) para cada creche, 500 pessoas. Vou tirar dinheiro para pagar de onde? Estamos buscando alternativa. Estamos indo para Barueri (SP)) ver a nova lei. O Marista pode assumir a creche, pagando professor e eu repasso o dinheiro. Vamos entregar duas creches agora.  

GUARDA MUNICIPAL NOS BAIRROS - "Não tem a menor hipótese de isso acontecer (guardas municipais nos bairros). Nossa cerca eletrônica está totalmente concluída para fazer a licitação. Além do cercamento, cada escola vai ter uma câmera, cada unidade de saúde vai ter uma câmera, interna e externa. Queremos fazer que dentro dessa sala (de monitoramento) tenha Guarda, Brigada Militar, bombeiro, Polícia Civil, Defesa Civil. Vamos começar primeiro co a Guarda Municipal, mas está avançado o diálogo com cada cada entidade." 

AVALIAÇÃO DO GOVERNO - "No primeiro ano do governo, só inaugurei a passarela da Brenner. Não fizemos nada no primeiro ano por não ter dinheiro. Não estou feliz com os números. Me surpreendi de não estar pior. Única coisa que consegui fazer foi pagar o servidor em dia. Estou tranquilo pelo que nós vamos fazer pelos próximos anos. Teremos dinheiro. Além dos 12 milhões da Corsan, R$ 24 milhões para a Perimetral que liga o Minuano e a Universidade, quatro vezes R$ 12 milhões do fundo de saneamento. Há hipótese de vir os R$ 50 milhões do Avançar Cidades e mais os R$ 31 milhões do PAC." 

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