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Política

Em discurso de posse para segundo mandato, reitor da UFSM defende abertura do Hospital Regional

04 Janeiro 2018 00:00:00

Paulo Burmann lembra que Hospital Universitário está superlotado, o que poderia ser amenizado se o Regional estivesse aberto

Jaqueline Silveira

Fotos: Lucas Amorelli (Diário) / Solenidade de recondução do reitor Paulo Burmann no comando da Universidade Federal de Santa Maria na manhã desta quinta-feira

 Reconduzido ao cargo de reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para mais quatro anos na manhã desta quinta-feira, Paulo Burmann reservou o final do discurso de 55 minutos para fazer um apelo contundente pela abertura do Hospital Regional e uma crítica velada ao governo Sartori (MDB) pela demora no funcionamento do complexo de saúde. O reitor afirmou que, enquanto o Hospital Universitário (Husm) está superlotado, há o Regional com "mais de 300 leitos fechados há um ano e meio".

- Nós queremos que esse hospital abra, independentemente de quem será o gestor, para garantir um atendimento de melhor qualidade no Husm, que não rejeita pacientes - defendeu Burmann, apelando a representantes do governo Sartori que estavam sentados na primeira fila do Centro de Convenções, onde ocorreu a solenidade.

O comandante da universidade ressaltou a importância do Regional ser "100% público" para atender a população do Estado. E acrescentou que, se a UFSM for chamada para a gestão do Regional, será "solidária."

Em sua manifestação, Burmann ressaltou ações da primeira gestão, como a adesão integral da UFSM ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ao Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), que resultou no fim do vestibular, e a implantação de políticas afirmativas. Também, entre outras ações, ele destacou a construção do campus de Cachoeira do Sul levantado "no meio da macega, da barba de bode."

Em sua nova gestão, reitor da UFSM muda só três nomes da equipe principal

ALGUMAS REALIZAÇÕES DA PRIMEIRA GESTÃO

Democratização do acesso

  •  Ingresso via Sisu
  •  50% das vagas reservadas para cotistas
  •  96% das vagas ocupadas
  •  1ª instituição de Ensino Superior do país com moradia para indígenas
  • Processo seletivo específico para indígenas, com seis indígenas formados e 40 graduandos

Assistência estudantil

  • Mais de 4 mil estudantes com benefício socioeconômico 

Expansão universitária

  • Campus de Cachoeira do Sul, implantado em 2014, com capacidade para 2 mil estudantes e 200 professores e técnico-administrativos
  • Ampliação do RU, do setor de avicultura e novas salas de aula no campus de Palmeira das Missões
  • Nova Casa do Estudante, laboratório de biometria de plantas e novas salas de aula no campus de Frederico Westphalen
  • Aumento de cerca de 50% das vagas em ensino a distância

Pesquisa e pós-graduação

  • 10 novos cursos e mais de 400 novas vagas

Licitações e obras

  • Mais de 300 mil m2 construídos
  • Centro de Convenções com 1,2 mil lugares

Integração com a comunidade

  • Mais de 25 mil visitantes no Descubra UFSM 2017
  • Agittec com 14 empresas incubadas

Meio Ambiente

  • Implantação da coleta solidária de lixo
  • Projeto Zelo para combate ao abandono de animais no campus

Segurança no campus

  • Novo sistema de monitoramento

Projetos de internacionalização

  • 71 convênios internacionais
  • Cooperação com 130 universidades, distribuídas em mais de 30 países

UFSM anuncia nova equipe de gestão

Burmann abordou a situação financeira da instituição, que desde 2014 tem sofrido cortes tanto no orçamento para investimentos (obras e equipamentos) quanto para custeio (manutenção). Dos quase R$ 150 milhões previstos nesse período para investimentos, a UFSM recebeu menos de 10% do valor, apesar da construção do campus de Cachoeira. Já nas verbas de custeio, os cortes, segundo o reitor, superam o percentual de 20%, que deverá ser mantido em 2018.

A solenidade também de posse do vice-reitor Luciano Schuch e do restante da equipe, durou duas horas e reuniu cerca de 800 pessoas de diferentes segmentos de Santa Maria e do centro do Estado, além de representantes das regiões onde a UFSM tem campi. Já o ministro da Educação, Mendonça Filho, mandou uma mensagem em áudio parabenizando o reitor e desejando sucesso no segundo mandato.

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OPERAÇÕES

No discurso, o reitor criticou as operações da Polícia Federal em universidades, como nas federais de Minas Gerais (UFMG) e de Santa Catarina (UFSC), classificando como "arbitrárias", com prisões e condução coercitiva. Burmann relembrou que uma das operações teve resultado "trágico" com o suicídio do reitor da UFSC, Luiz Carlos de Olivo, em 2017, "que chocou o meio acadêmico nacional e internacional". Ele defendeu a apuração e a responsabilização dos agentes públicos, desde que respeitada a "ampla defesa."

Apesar de não ter citado a Rodin, a UFSM foi alvo de operação semelhante há 10 anos, quando a Polícia Federal apontou desvio de recursos, por meio dos contratos entre o Detran e as fundações ligadas à universidade - Fatec e Fundae -, envolvendo professores da instituição.

A despedida de um vice e a chegada de outro

Burmann é nomeado reitor da UFSM

Na segunda gestão, Paulo Burmann terá um novo companheiro para ajudá-lo na administração da UFSM. O professor e engenheiro eletricista Luciano Schuch, 43 anos, ex-diretor do Centro de Tecnologia (CT), é o novo vice-reitor. Em seu discurso, ele enfatizou a importância da universidade pública, responsável, conforme Schuch, por 90% da produção de pesquisas no Brasil. Nesse contexto, ele citou, ainda, a importância de um hospital público como o Universitário.

- O que seria do povo mais carente sem o Husm? A universidade pública e a educação têm de ser tratadas como investimento - afirmou Schuch.

A exemplo de Burmann, Schuch ressaltou "a reestruturação da administração" a partir da Reitoria, destacando que a prioridade em órgãos públicos deve ser "o combate à corrupção e à burocracia." E defendeu "a forte integração" da UFSM com o setor produtivo e os órgãos governamentais.

Já o professor Paulo Bayard se despediu da direção da UFSM na condição de vice-reitor, agradecendo a Burmann e a toda a equipe. Aproveitou para fazer uma defesa contundente dos servidores públicos das universidades, principalmente das críticas do governo federal.

- Somos criticados por esse, posso dizer, governo ilegítimo - afirmou Bayard, sem citar o nome de Michel Temer (MDB), recebendo aplausos de parte do público presente à solenidade.

O ex-vice-reitor enumerou 10 ações que avaliou fundamentais na administração da qual fez parte. Entre elas, citou o aumento da capacidade dos restaurantes universitários (RU), a reestruturação do convênio com o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) e abertura da universidade aos "excluídos".

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