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eleições 2018

Conheça os atuais 21 pré-candidatos à Presidência da República

14 Abril 2018 14:00:00

A eleição é em outubro, e o registro oficial dos candidatos é só em agosto

José Mauro Batista


A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sacudiu a política nacional e já provoca mudanças no cenário eleitoral de 2018, mesmo que o PT insista na pré-candidatura do seu maior líder. Dúvidas continuam no ar: Lula será candidato? Caso não seja (está inelegível pela lei da Ficha Limpa), continuará influenciando no quadro sucessório? Para quem irão seu votos se não concorrer?

Não há respostas definitivas a essas perguntas, pelo menos no momento. Até agora são, pelo menos, 21 nomes, entre lançados ou citados como pré-candidatos à presidência da República.

- Quem é militante ferrenho votará em quem Lula orientar, não vai ser cem por cento, mas ele terá influência - avalia Guilherme Howes, professor de Teoria Social da Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

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No campo da esquerda, segundo o professor, os votos do petista tendem a migrar para Manuela D'Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSol), por dois fatores: os dois são jovens e demonstraram solidariedade a Lula, na concentração em São Bernardo do Campo, antes de ele se entregar, colando, assim, suas imagens à do ex-presidente.

 Ele também observa que um eventual candidato petista poderá abocanhar uma fatia importante dos votos de Lula. Já Ciro Gomes (PDT) "caminha de uma forma muito independente, não quer a imagem dele colada à de Lula", observa Howes.

Ainda segundo ele, nessa pulverização dos votos do ex-presidente, no caso do "eleitorado de massa", que reúne as camadas mais pobres e menos politizadas,"um terço se pulveriza, indo para Ciro, Marina Silva (Rede) e em candidatos não alinhados com o petismo, como seria o caso de Jair Bolsonaro (PSL). São os chamados lulistas.

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Quanto a Bolsonaro, Howes avalia que o discurso radical do militar "surgiu no vazio radical deixado pelo pelo PT e pela esquerda". O professor diz que Bolsonaro herda votos da população menos informada que votou em Lula, influenciada por igrejas evangélicas.

Para o cientista político José Carlos Martinez, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o momento é muito incerto porque, segundo ele, "não se sabe se o ex-presidente Lula vai ou não continuar preso, e aí muda tudo".

- É difícil saber para onde vão os votos de Lula, que tem capital eleitoral maior que o do PT. Certamente, se ele não concorrer, vão se pulverizar para Ciro, Manuela, Boulos e até Marina, que pode captar um pouco. O próprio PT poderia receber esses votos. Não está descartada a ida do PT para o segundo turno - diz Martinez.

O professor afirma que o ex-presidente continuará tendo força e influenciando o cenário eleitoral.

- Isso ele não perde de jeito nenhum, tem toda a dramaticidade da prisão, e isso não desaparece - afirma Martinez, que vê pontos questionáveis na prisão de Lula "do ponto de vista jurídico e político".

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Quanto a Bolsonaro, Martinez não acredita que o capitão da reserva capte votos no eleitorado de Lula, mesmo o não petista. O professor afirma, ainda, que o militar atingiu o teto nas pesquisas e pondera que, entre as dificuldades, está a estrutura partidária que seria insuficiente.

Já o cientista político Paulo Kramer, professor da Universidade de Brasília (UnB), avalia que o PT já vinha sofrendo reveses antes da prisão de Lula, com a perda de 60% das prefeituras que controlava.

- As eleições municipais são prenúncio das eleições presidenciais, e esse ciclo de decadência do PT vai se confirmar - ressalta.

Segundo Kramer, devido a essa derrocada petista, "o partido está menos preocupado com a vitória e mais preocupado em sobreviver". Quanto à influência de Lula no cenário político, o professor diz que a tendência é de diminuição de sua liderança. A prisão de Lula, conforme ele, favorece Bolsonaro

- Num primeiro momento, é o Bolsonaro quem se beneficia. Há uma demanda por messianismo e não importa se é de direita ou de esquerda - pondera Kramer.

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PRÉ-CANDIDATOS:

Álvaro Dias
Filiado ao Podemos, o senador do Paraná governou seu Estado e passou por outros partidos, entre eles o PSDB. Formado em História, já desempenhou outros cargos. Seu discurso será na linha da renovação e da redução do Legislativo. É de centro.

Ciro Gomes
Filiado ao PDT, o ex-governador do Ceará já foi ministro da Fazenda. É formado em Direito e passou por outros cargos e partidos, incluindo MDB e PSDB. Defende um projeto de desenvolvimento nacional. É de centro-esquerda.

Fernando Collor
Filiado ao PTC, foi eleito presidente da República na primeira eleição direta pós-ditadura, mas sofreu impeachment. Atualmente é senador por Alagoas. É economista e jornalista. Defende a retomada do seu governo interrompido. É de direita.

lávio Rocha
Filiado ao PRB, é empresário ligado ao grupo Guararapes, dono, entre outros, das Lojas Riachuelo. Fundador do Instituto do Desenvolvimento do Varejo (IDV), prega uma agenda econômica liberal, com redução da máquina pública. É de direita. 

Geraldo Alckmin
Filiado ao PSDB, o ex-governador de São Paulo tentará, pela segunda vez, ser presidente. Formado em medicina, promete destravar a economia com reformas como a da Previdência e a tributária, e com política de redução de juros. É de centro-direita.

Guilherme Boulos
Filiado recentemente ao PSol, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), é formado em Filosofia e Psicologia. Defende um programa socialista de governo, com redistribuição de renda e propriedade. É de esquerda radical.

Jair Bolsonaro
Filiado ao PSL, o deputado federal e capitão do Exército é o mais polêmico dos candidatos. Formado em Educação Fìsica, defende a liberação das armas e critica bandeiras, como o casamento entre homossexuais. É de direita radical.

João Amoêdo
Filiado ao Novo, sigla que ajudou a fundar, é formado em Engenharia e Administração de Empresas. Executivo do mercado financeiro, tem 55 anos e defende a redução de impostos e um Estado enxuto, com menos empresas estatais. É de direita.

João Vicente Goulart
Filiado ao PPL, o filho do ex-presidente João Goulart, se espelha no ideário do paí, derrubado pelo golpe militar de 64. Filósofo, considera-se herdeiro do trabalhismo e tem a educação, a defesa de estatais e a ética como bandeiras. É de esquerda moderada.

Joaquim Barbosa*
Filiado recente ao PSB, o ex-ministro do STF ganhou notoriedade como relator do processo do mensalão, precursor da Lava-Jato. O partido tem falado por ele, defendendo um programa de retomada da ética na política, além de transparência. É de centro-esquerda.

José Maria Emayel
Filiado ao PSDC, concorrerá a presidente pela quinta vez. Gaúcho de nascimento, foi líder da Juventude Operária Católica, e hoje é radicado em São Paulo. Defende um ideário liberal-cristão, com redução do Estado e valorização da família cristã tradicional. É de direita.

Levy Fidelix
Filiado ao PRTB, o jornalista e publicitário defende um ideário liberal, com foco nos valores da família tradicional cristã, redução do número de empresas estatais e diminuição da carga tributária. Já concorreu outras três vezes a presidente. É de direita.

Luiz Inácio Lula da Silva*
Filiado ao PT, tem sua pré-candidatura mantida pelo partido, mesmo preso por corrupção e lavagem de dinheiro no caso tríplex. O ex-operário, que foi presidente duas vezes, defende a retomada das conquistas sociais. É de esquerda moderada.

Manuela D'Ávila
Filiada ao PC do B, a deputada estadual e jornalista começou a militar no movimento estudantil. Foi uma das campeãs de voto para a Câmara dos Deputados e defende um programa socialista de redistribuição de renda. É de esquerda.

Marina Silva
Filiada à Rede, a ex-senadora vai disputar a Presidência pela terceira vez. Seu discurso é em defesa da ética na política, do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Historiadora e professora, foi filiada ao PT e ministra de Lula. É de esquerda moderada.

Michel Temer*
Filiado ao MDB, o atual presidente da República tenta viabilizar sua candidatura à reeleição, apesar da alta rejeição nas pesquisas. Advogado, defende a continuidade da política econômica e prega reformas como a da Previdência. É de centro-direita.

Paulo Rabello de Castro
Filiado ao PSC, o economita comandou o BNDES (banco do governo federal que financia programas sociais e projetos de longo prazo) no governo Temer. Adota discurso contra a descriminalização das drogas e a legalização do abordo. É de direita. 

Rodrigo Maia
Filiado ao DEM, o presidente da Câmara dos Deputados nasceu em Santiago do Chile. Bancário, ele foi secretário na prefeitura do Rio e defende uma agenda liberal "sem radicalismos" e com reformas, como a da Previdência Social. É de centro-direita.

Rui Costa Pimenta
 Filiado ao PCO, tentará pela terceira vez concorrer a presidente. Jornalista, foi fundador do PT, do qual foi expulso por discordar da linha moderada, na metade dos anos 90. Defende uma ruptura radical com o estado capitalista. É da esquerda radical. 

Valéria Monteiro
 Filiada ao PMN, a jornalista e ex-apresentadora do Jornal Nacional e do Fantástico da Rede Globo diz que sua meta é reduzir a desigualdade social. Ela não pretende fugir de temas polêmicos como aborto e liberação da maconha. É de centro-esquerda.

Vera Lúcia
Filiada ao PSTU, é sapateira e sindicalista. Começou a militância no PT, do qual foi expulsa junto com o grupo que fundou seu atual partido. Defende o rompimento radical com o estado capitalista por meio de uma revolução socialista. É da esquerda radical. 

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