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Investimento

'Se não tivermos liberdade para trabalhar, não iremos para a cidade', diz dono da Havan

04 Fevereiro 2018 13:00:00

Em entrevista exclusiva ao Diário, Luciano Hang fala que quer abrir filial em Santa Maria, mas dependerá das condições do comércio local

Deni Zolin

Foto: Havan, divulgação/

O anúncio do investimento da rede de lojas catarinense Havan, que pretende abrir 50 megalojas no Rio Grande do Sul, nos próximos anos, foi um dos assuntos mais comentados dos últimos dias. Primeiro, pelo valor do investimento, que pode chegar a R$ 1,5 bilhão. Em segundo, porque a Havan é admirada por muitos consumidores, que querem a vinda da empresa para solo gaúcho. Em terceiro lugar, porque a empresa diz que só abrirá em cidades onde o comércio abre em domingos e feriados, o que reacendeu o debate sobre o funcionamento do comércio. Mas e Santa Maria, receberá uma filial da rede catarinense? O Diário conversou por telefone com o presidente da Havan, o empresário Luciano Hang, e a resposta dele não é definitiva.

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Hang afirmou que Santa Maria está, sim, entre as cidades prioritárias para a Havan se instalar, mas garantiu que a empresa não virá para a cidade se for mantido o atual acordo local que proíbe o funcionamento do comércio em feriados. Antes do anúncio da Havan, o Sindilojas de Santa Maria já iria apresentar uma proposta de abertura do comércio em 10 dos 14 feriados de 2018. Se isso for aprovado, a Havan virá para cá, em data ainda incerta, pois dependerá de achar terrenos. Se não for aprovado, a rede desistirá de Santa Maria. O prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) diz que foi procurado por Hang em novembro e que a Havan já procura terrenos em duas regiões da cidade, perto de rodovias. Pozzobom acredita que a Havan vai se instalar, sim, na cidade. Confira a seguir a entrevista com Hang.

Diário - O senhor pretende abrir uma loja aqui?
Luciano Hang - Cabe uma loja em Santa Maria. O problema é que o comércio em domingos e feriados não trabalha aí, né?

Diário - Em Santa Maria, não pode abrir só em feriados.
Hang - Nós temos 107 lojas no país, já temos mais 30 para abrir, e em todas temos a liberdade de trabalhar em sábados, domingos e feriados. Mas deixando bem claro, respeitando a CLT. Nós temos três turnos de trabalho, abrimos as lojas das 9h às 22h. Damos folga em dois domingos por mês, como manda a lei. Nós não vamos para um município se a gente não tiver a liberdade de abrir. O shopping aí também fecha no feriado?

Diário - Nos shoppings, a maioria das lojas fecha (pode abrir sem mão de obra, só com os donos e parentes).
Hang - Você imagina um shopping ou a loja da Havan para este tipo de dia, em que as pessoas têm a disponibilidade de fazer compras, de levar a família. A Havan é uma loja de lazer, de passear, de compras, de turismo, uma loja linda, enorme, de 15 mil a 20 mil m². E ela vem para a cidade para somar, não para dividir. Ela vem atrair gente da região toda para a cidade. E nós não vamos para nenhuma cidade em que a gente não possa ter essa liberdade de abrir. A gente abre aos sábados, domingos e feriados há 25 anos. Tinha algumas cidades com leis antigas. Nós temos interesse em Santa Maria para colocar uma loja, empregaríamos bastante gente, geraríamos fluxo para a cidade, mas nós vamos escolher as cidades baseadas nesse princípio.

Diário - Aqui haverá uma tratativa entre os sindicatos, e o Sindilojas vai propor a abertura em 10 dos 14 feriados de 2018, o que ainda não é certo que irá ser aprovado. Se for aprovado, o senhor instalará um loja em Santa Maria?
Hang - Nós geralmente fechamos só em Natal, Ano Novo, 1º de maio e domingo de Páscoa. Tem lojas que eu fecho um feriado, tem lojas em que fecho em dois. O resto, volto a frisar, a gente tem escalas de trabalho, escalas de descanso, ninguém trabalha a mais, normal. Eu tenho dito o seguinte: se você não compra na cidade, você acaba comprando em outra cidade ou, pior ainda, compra pela internet em outro Estado ou outro país. Cidade em que fecha o comércio acaba investindo no Alibaba, no site chinês que não gera nenhum imposto na cidade ou aqui no país, e nem empregos. Nós estamos indo contra a modernidade.

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O município só vai para a frente quando ele se abre para o empreendedorismo e o investimento, que geram riqueza para o município. Quanto mais a cidade for fechada, mais as pessoas vão embora. Não tem futuro. Nós temos um padrão de abertura. Eu negocio até quatro feriados, mais do que quatro feriados nós não negociamos porque entendemos que a Havan tem essa característica. A Havan terá movimento em todos os dias, e não será só de Santa Maria, mas de toda a região. Se nós não tivermos a liberdade para trabalhar, nós não vamos para a cidade.

Diário - Se houver acordo para fechar em só quatro feriados, a Havan virá?
Hang - Sim, daí a Havan estará aí e vamos fazer festa. Santa Maria é uma cidade polo, uma cidade grande. É esse tipo de cidade que a Havan procura no país todo para colocar lojas. Santa Maria é uma das prioridades para colocar uma loja, justamente por ser um polo regional. Eu já tive contato até com o prefeito.

Diário - Quanto tempo levaria para instalar a loja aqui e quantos empregos teria?
Hang - Depende de a gente achar o local ideal. Depois de encontrar o terreno e ganhar o alvará de construção, em 60 ou 90 dias nós inauguramos uma loja. Na internet, tem um vídeo "Assim nasce uma Havan", de 15 mil metros quadrados, que erguemos em 60 dias. A loja poderá ter 100, 150 ou 200 empregos, dependerá do tamanho da loja.

Diário - Em relação às quatro usinas hidrelétricas que o senhor pretende construir na região, em que fase estão?
Hang - Chama-se complexo Toropi, entre Júlio de Castilhos, São Martinho da Serra e Quevedos. Já entramos na Fepam e estamos em últimas análises. Esse projeto está rodando há 10 anos e até agora não saíram as licenças. Quem perdeu? A cidade, o Estado, a população. Eu já investi R$ 100 milhões nesse projeto. São R$ 400 milhões em investimentos em quatro usinas hidrelétricas, com total de 63 Megawatts (MW) de potência. Quando coloca um canteiro de obras com centenas de pessoas, é geração de empregos e renda em farmácias, mercados, restaurantes, hotéis. E depois a contribuição mensal do ICMS que fica na cidade. Não sei agora detalhes de cada usina, pois o responsável pelo projeto está em férias. Já temos três usinas já e invisto nisso porque 50% das nossas lojas são tocadas com energia própria. Com essas novas, vai sobrar energia e vamos colocar energia à disposição do mercado.

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