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Viticultura

Produtores da região têm boa expectativa para safra de uva

02 Janeiro 2018 12:00:00

Em Jaguari, parreirais estão sendo prejudicados por defensivos da lavoura de soja

Diogo Brondani

Fotos: Lucas Amorelli (Diário)Maioria dos parreirais está chegando ao ponto de colheita da uva

Um bom vinho ou um suco saboroso dependem de vários fatores para alcançar um alto grau de qualidade. Dentre eles, o principal é a característica da sua matéria prima, no caso a uva. A colheita da safra 2018 está prestes a iniciar nos primeiros dias de janeiro, e os produtores da região têm boas perspectivas para a produção. Na localidade de Val Feltrina, no interior de Silveira Martins, o enólogo Rafael Torri, 32 anos, cultiva, junto dos pais Neida e Arnaldo Torri, um parreiral de 1,5 hectare de uvas dos tipos niágara, goethe e isabel. A família, descendente de imigrantes italianos, já tem tradição de mais 70 anos na plantio da fruta para produção de vinho. A expectativa para a safra desse ano, para a produção de sucos e vinhos da Adega Torri, é colher cerca de 20 toneladas.

- A uva está excelente. Há previsão de pouco chuva, e isso é bom porque não prejudica os grãos, pois a umidade pode contribuir para a proliferação de mosquitos e outros insetos que podem danificar a fruta. Se for analisar, um parreiral desse tamanho teria capacidade produzir o dobro, mas as nossas plantas já tem mais de 70 anos, o que resulta em qualidade e sabor diferenciados - salienta Rafael (foto), que complementa o seu abastecimento com cerca de 30% de uva vinda da Serra Gaúcha.

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Um inverno não tão rigoroso fez com que a maturação dos cachos ocorresse cerca de 20 dias mais cedo do que o tradicionalmente, o que, consequentemente, adiantará a colheita que deve iniciar já agora nos primeiros dias de janeiro e contar com ajuda dos vizinhos. Depois da colheita, toda a produção de suco e vinho ocorre na propriedade da família.

O presidente da Associação de Vitivinicultores do Vale Central Gaúcho - Vinhos do Coração, Carlos Eugenio Daudt, diz que as condições de tempo apontam para uma boa safra. 

- Não posso dizer o que vai acontecer nos próximos dias de janeiro, mas pelas projeções do tempo, a safra deve ser boa. No ano passado, por exemplo, minhas uvas estavam uma maravilha, mas choveu mais de 200 milímetros em janeiro e destruiu tudo. Não colhi nem 30% do estimado. Se o tempo continuar como está, com algumas chuvas mas com sol predominante, não tem problema. O problema é quando fica nublado, porque os cachos ficam úmidos e vulneráveis a danos. No entanto, a meu ver, tudo está se encaminhando para uma boa safra, pelo menos melhor do que os últimos dois anos - aposta Daudt.

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Segundo ele, houve uma antecipação de todo o processo.

- Tivemos um inverno ameno, o que fez a uva brotar antes, a chamada uva do cedo, que seria colhida a partir de 15 de janeiro mas que já está pronta. As de meia estação, que teria a colheita em final de janeiro, será no meio do mês. Assim como as cabernet sauvignon em fevereiro - diz o presidente.

Como a Associação de Vitivinicultores do Vale Central Gaúcho - Vinhos do Coração ainda está no seu primeiro ano de formalização, não há dados dos associados quanto à produção para efeitos comparativos.

EM JAGUARI, PARREIRAIS SÃO PREJUDICADOS POR DEFENSIVO DA SOJA

A produção de uvas da região do Chapadão, em Jaguari, deverá ter uma quebra na safra 2018 em função do uso de agrotóxicos nas lavouras de soja. Conforme a Emater do município, a redução da produção deve ficar em torno de 50%.

- Os defensivos usados para controle de folha larga e outras ervas daninhas nas lavouras próximas dos parreirais estão prejudicando a produção. Foi criada até uma Lei Municipal para o regramento quanto ao uso de agrotóxicos importados, principalmente o 2,4-D, mas ninguém respeita. Esse produto não permite que a planta desenvolva os grãos. Alguns pomares que produziam cerca de 15 toneladas devem ficar na casa das 7 toneladas - diz o técnico da Emater de Jaguari, Eduardo Rosa Sturza.

O município tem tradição na produção de vinhos, sucos e uva e tem uma área de cultivo de cerca de 130 hectares. Em 2015, chegou a produzir 1,2 milhão de quilos. No entanto, o número vem caindo a cada safra por incidência do uso do produto aplicado em lavouras mas que é levado pelo vento e acaba atingindo os parreirais.

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