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agronegócio

Colheita de soja na Região registra crescimento da produtividade

14 Abril 2018 13:00:00

Melhoramento genético e chegada de novas tecnologias são alguns dos motivos do crescimento

Diogo Brondani


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)

O trabalho e as pesquisas com objetivo do aumento da produtividade das lavouras de soja são evidentes quando comparamos os números das últimas safras. Segundo a Embrapa, a produtividade média ao longo dos últimos 20 anos no Estado apresentou uma variação entre 600 a 3,2 mil quilos por hectare (kg/ha). A produção vem aumentando ano após ano graças uma série de fatores, como melhoramento genético e a chegada de novas tecnologias voltado ao campo. Na região central, no inícios dos anos 80, quando houve a expansão do plantio dessa cultivar, o rendimento médio por hectare ficava na casa das 30 sacas por hectare (1.8mil kg/ha). Atualmente, a média fica em torno do dobro desse índice, no entanto, em pontos isolados, tem produtores que chegam a colher até 90 sacos por hectare (5,4 mil kg/ha).

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Para a engenheira agrônoma diretora do Instituto Phytus, de Santa Maria, Clarice Balardin, vários foram melhorados ao longo das últimas décadas possibilitando esse aumento.

- Muita coisa mudou nos últimos 30 ou 35 anos quando falamos em soja. Paramos de perder solo por erosão, foram aplicadas práticas como curvas de nível, as máquinas que eram para o plantio convencional passaram a ser adaptadas, houve melhoria genética da planta e mais atenção como o solo, como análise e aferimento dos pontos que maior potencial de produção - diz a agrônoma.

Clarisse complementa ainda que as tecnologias digitais da agricultura de precisão, que trazem informação em tempo real, como drones e aplicativos, aliadas a fundamental presença de um técnico especializado na empresa rural, também são pontos que contribuíram para essa evolução.

DISPARIDADE
Na região que compreende a cobertura do escritório regional da Emater, a produtividade média, até o momento, é de 49 sacos por ha. Segundo o órgão, é um rendimento considerado bom em função de que alguns municípios tiveram estiagem em áreas localizadas, provocando a queda na média. 

No distrito de Arroio do Só, em Santa Maria, por exemplo, o produtor Claiton Martini Bianchin, 48 anos, está tendo uma rentabilidade de cerca de 55 sacos, ou seja, em torno de 3,3 mil kg/ha.

- O rendimento poderia ser melhor se não fossem aqueles dois períodos de estiagem, um em janeiro e outro em março, que castigaram a lavoura. Pelo menos o preço está compensando - diz o produtor que cultiva cerca de 120 hectares.

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O exemplo de variação ocorre quando a rentabilidade de Bianchini é comparada ao da lavoura de Neimar Weber, 54 anos, da localidade de Linha Base, em Silveira Martins.

- Não faltou água em nenhum momento. Tivemos as chuvas certas nos momento certo. A produtividade ficou nos 77 sacos/ha. Poderia até ter sido melhor, mas eu troquei a semente e o rendimento não foi tão bom. Mas está ótimo se comparar alguns outros municípios. O preço também está ajudando - afirma Weber.

Na sexta-feira, a saca de soja estava cotada a R$ 76,50. Uma das melhores valorizações dos últimos meses. No começo do ano, o preço era de R$ 61,50.


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)

Colheita na região chega à metade. Rendimento varia
A área de soja plantada na região de abrangência da Emater Regional de Santa Maria é de 900 mil hectares e está 49% colhida. No distrito de Arroio do Só, em Santa Maria, o produtor Roberto Rossini Santini, 53 anos, vê na época da colheita motivos a mais para incrementar a renda da família. Isso porque, além de usar o seus equipamento para colher a sua produção, ele negocia com os vizinhos a prestação do serviço de colheita. 

- Uns ajudam os outros. A gente faz uma parceria para colher em conjunto em troca de uma porcentagem da produção. Facilita para eles, já que não precisam investir na compra de equipamentos, e também para gente é uma renda extra. Ajuda a cobrir os custos como insumos, óleo diesel e a prestação do financiamento das máquinas. Com isso, o rendimento da nossa lavoura é um lucro dividido entre e eu mais dois irmãos - conta o produtor.

A família também planta arroz, mas, nos últimos anos, reduziu a sua área de cultivo, devido a baixa valorização do grão.

- O arroz produzido em outros países do Mercosul entra aqui com uma qualidade inferior ao nosso e faz com que o preço despenque. O custo de produção de uma saca fica entre R$ 35 e R$ 36 e a cotação é de R$ 33. A conta não fecha nunca - analisa o agricultor que diz que não extinguiu totalmente o cultivo do arroz por causa do alto investimento feito na propriedade para armazenamento dos grãos.

Chuva evita novas perdas nas lavouras de soja da região

No estado
No Estado, a colheita da soja chega a 52%. O avanço da área colhida teve um ritmo acelerado na última semana devido ao clima quente e seco. Com a baixa umidade do ar e do solo, o período diário de colheita em condições favoráveis foi ampliado, inclusive noite adentro, dando mais efetividade aos trabalhos. 

As lavouras colhidas mais recentemente no Estado apresentaram uma maturação mais uniforme do que as primeiras, proporcionando maior velocidade de colheita e grãos de melhor qualidade. No entanto, a rápida perda de umidade verificada recentemente tem causado, em alguns casos, pequenas perdas por debulha na plataforma de corte. Nesse cenário, as produtividades obtidas seguem apresentando grande amplitude, variando de 30 a 80 sacas por hectare, em um mesmo município. Em termos gerais, entretanto, a média estadual ainda fica dentro das estimativas, que apontam para uma produtividade próxima dos 3 mil kg/ha (50 sacas).


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)

Práticas simples que ajudam o produtor a reduzir desperdícios
Conforme o engenheiro agrônomo do Emater regional, Luiz Antônio Rocha Barcellos, as principais práticas que vêm sendo usadas para o aumento do rendimento das lavouras são o melhoramento genético das cultivares (sementes), as quais têm um excelente potencial de produtividade e uma maior resistências a doenças fúngicas. 

- Além disso, a fertilidade de solo melhorou em função do plantio direto, já que as plantas de cobertura no inverno aumenta a proteção da área das lavouras contra enxurradas provocadas por chuvas pesadas. No entanto, é preciso incentivar os produtores a utilizarem também o plantio em contorno ou em nível, que dificultam a descida das águas coxilhas abaixo - alerta Barcellos.

Há ainda outros métodos que estão sendo elaborados visando contribuir para o rendimento da lavoura, como o manejo integrado de pragas com a identificação de insetos, lagartas e percevejos para definir o tipo de inseticida adequado e o número de aplicações a ser feito.

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