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Coluna Moda

Moda e a desconstrução dos padrões de gênero

19 Agosto 2017 00:00:00

Colunista mostra duas marcas de roupas que trabalham a fluidez de gêneros

Na minha última coluna eu falei um pouco sobre a ruptura dos padrões de gênero através dos figurinos de David Bowie e acabei ficando com vontade de explorar um pouco mais o gender-bender e a desconstrução de gênero na moda.

Meu primeiro contato com uma marca que tinha como um dos pilares a fluidez de gênero foi em 2010 com a santa-mariense Cabra-Montéz, que era comandada pelo diretor criativo Raul Dotto, formado em Artes Visuais e Moda.

Para a Cabra, a roupa não estava "ligada ao gênero, mas ao corpo". Raul produzia peças unissex, tendo como objetivo desfocar as linhas de gênero. Era a primeira vez que eu virava cliente e também tinha a oportunidade de trabalhar com uma marca que, como a própria descrição da Cabra dizia, usava "a moda como um manifesto contra o preconceito". 

Foto: Cabra-Montéz
Foto: Cabra-Montéz
Foto: Cabra-Montéz/Reprodução

Alguns anos depois, o número de estilistas que se preocupa e investe no gender-bender tem aumentado (pra nossa alegria!). Convidei a Laura Oliveira, que ao lado da Bruna Carvalho é uma das responsáveis pela Brusinha & Cia, para falar um pouco mais sobre o assunto. Afinal, elas estão trabalhando na prática a ideia de desconstrução não só de gênero, mas também de tamanho, "fazendo roupas do PP ao XGG e sem distinção de sexo".

A marca surgiu em 2016, e todos os produtos são criados e confeccionados por elas _ que são estudantes de Design de Moda no Senac RS em Porto Alegre _ em ateliê próprio. O principal objetivo foi criar uma marca que fosse inclusiva e tivesse "diferentes tamanhos e diferentes gêneros, mostrando que as peças ficam bonitas em todos, basta se sentir confortável e ter vontade de usar".

Foto: Brusinhaecia / Reprodução


Foto: Brusinhaecia / Reprodução

        

Foto: Brusinhaecia/Reprodução
Foto: Brusinhaecia
Foto: Brusinhaecia / Reprodução

Apesar de a marca sofrer certo estranhamento e julgamento por parte de um público mais conservador, principalmente com relação à fluidez de gênero, Laura sentencia: "nem se compara com o apoio e o incentivo das pessoas que se identificam com a marca, que é o nosso público real, que é o que realmente importa pra gente".

Para quem quiser encomendar a sua peça (elas só trabalham sob encomenda!) ou apenas conhecer mais o trabalho da Brusinha & Cia e exercitar a liberdade de tantos padrões que nos são impostos culturalmente _ e só nos fazem mal.
Be free!


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