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surto de toxoplasmose

Reportagem especial: o drama de quem sofre com a toxoplasmose

28 Abril 2018 12:00:00

Em boletim mais recente, 105 casos foram confirmados em Santa Maria

Tatiana Py Dutra


Algumas semanas atrás, a toxoplasmose era uma ideia distante para a maioria dos santa-marienses. Mas, desde que o surto da doença foi admitido pelas autoridades de saúde do Estado e do município, no último dia 19, saber mais sobre esse mal (especialmente, formas de evitá-lo) virou uma obsessão coletiva. Palavras como protozoário, hospedeiro, linfonodo e contaminação passaram a frequentar o vocabulário diário, bem como os cuidados com a procedência de vegetais e com a qualidade da água ficaram mais constantes. 

: : Leia todas as notícias sobre o surto de toxoplasmose em Santa Maria : : 

Mas a menos que o leitor conheça alguma vítima da toxoplasmose, provavelmente essa doença continuará sendo algo intangível. Afinal, o que sente um paciente? Como convive com essa doença? O que fez para contraí-la? Nos últimos dias, o Diário procurou pacientes com a doença para que respondessem a essas e outras perguntas. Por coincidência, as cinco pessoas que conhecemos correspondem ao perfil da maioria das 105 vítimas do protozoário Toxoplasma gondii com diagnóstico confirmado em Santa Maria: são mulheres e têm entre 20 e 49 anos. E, ainda: moram na zona oeste da cidade. Segundo médicos infectologistas consultados pelo Diário, a maioria dos pacientes vive no entorno da Avenida Borges de Medeiros e em bairros como Passo D'Areia, Parque Pinheiro, Tancredo Neves e imediações.  

Porém, a história de cada uma tem diferentes particularidades, sintomas e danos causados pela doença. Em comum, o incômodo, as dores e a dúvida: qual a fonte da contaminação? Nem as autoridades têm a resposta.
- Não me arrisco a opinar - disse a secretária municipal de Saúde, Liliane Mello Duarte, em entrevista publicada pelo Diário na última quarta-feira.
Liliane acrescentou que está em andamento uma investigação epidemiológica feita por profissionais do Estado e do município, que é "como se fosse uma investigação policial".  

Sabe-se que a maioria das pessoas, em alguma fase da vida, já teve contato com o protozoário e não apresentou sintomas, ficou imunizada. Já quem desenvolve a toxoplasmose, percebe os primeiros sintomas de 10 a 14 dias após ingerir água ou alimento contaminado. 
- O tempo médio de duração da doença vai de três a seis semanas - explica o infectologista Fábio Lopes Pedro.
O médico diz que o tratamento com antibióticos e anti-inflamatórios não mata o protozoário. O agente ficará instalado para sempre no corpo do paciente - e pode, ou não, voltar a causar danos para seu hospedeiro. 

E foi isso o que nos contaram outras duas mulheres, que tiveram a vida invadida pela toxoplasmose décadas atrás. A biomédica esteta Mireli Salla, 29 anos, conta que sua mãe teve toxoplasmose enquanto estava grávida dela, mas que a doença não a afetou. Por outro lado, Rosane Viñas Vieira, 58, teve a doença durante sua última gravidez, há 20 anos. Ela perdeu um dos gêmeos que esperava, e ou outro, assim como ela própria, convive até hoje com as sequelas. Por isso, a psicóloga, que hoje mora no interior do Paraná, manda um recado para seus conterrâneos:
- Eu diria, de todo o coração, que as pessoas se conscientizassem muito, levassem muito a sério a toxoplasmose. Deixou marcas muito profundas na minha vida. E digo isso não só para as gestantes, mas para toda a população, as pessoas idosas, as crianças. Cuidem-se. É uma doença que precisa e acompanhamento adequado. Temos de estar atentos à prevenção. 

RESISTINDO À TERCEIRA INTERNAÇÃO

Nunca uma suspeita de virose deu tanta dor de cabeça à auxiliar de laboratório Josiane Baptista da Silva, 24 anos. Literalmente. A cefaleia e a dor no corpo passaram a incomodar no dia 16 de março, e, nos nove dias seguintes, ela procurou ajuda médica por três vezes.
- Consultei uma vez, disseram que era virose. Na segunda, que era enxaqueca. Na terceira, os linfonodos estavam inchados. Foi quando me internaram pela primeira vez - relembra Josiane. 
A jovem foi internada de 27 a 30 de março. Ela fez exames e, medicada, ganhou alta. Porém, no dia 3 de abril, precisou voltar ao hospital, pois os sintomas haviam voltado com força total e a dor nos linfonodos (ínguas) do pescoço, tornado-se insuportável. Nos 15 dias seguintes, quando esteve hospitalizada, o resultado dos exames apontou, enfim, o diagnóstico. Para a mãe de Josiane, a funcionária pública Marizete, foi até um alívio:


- Me preocupei muito nas primeiras semanas, quando os médicos não sabiam o que era. Ela teve de tomar até morfina para dor de cabeça. Ficamos assustados, com medo.
Após duas semanas, a moça foi liberada para voltar para casa. Mas a doença não deu trégua. Na última segunda-feira, ela foi hospitalizada novamente, com dores fortíssimas na cabeça e no pescoço. No dia seguinte, aliviada pelos medicamentos, conversou com o Diário sobre a curiosidade que só cresce: qual a origem da doença? Carnes malpassadas não fazem parte de seu cardápio e a higienização dos vegetais que ingere, ela avalia estar a contento. Ela diz que na casa onde vive com o marido, o pai e a mãe, no Bairro Tancredo Neves, não há gatos. A água que ingeria no lar era da torneira, mas a fonte era a mesma da família, e ela foi a única a contrair toxoplasmose.   
Apesar de ser um caso isolado em casa, Josiane sabe que a doença ronda pessoas conhecidas:
- Uma amiga e uma vizinha e amiga estão com toxoplasmose, mas ninguém faz ideia de como pegou. A saída é se cuidar.

>> A transmissão

O ser humano, ao ingerir água, alimentos ou carnes cruas ou malpassadas com cistos do protozoário, passa a desenvolver outros cistos, que se alojam no organismo. O mais comum é nas fibras musculares, gânglios do pescoço e axilas, mas, em casos mais graves, os cistos podem se alojar no intestino, sistema pulmonar e nervoso


EFEITOS CUMULATIVOS
Após dois meses convivendo com os sintomas, e uma semana da descoberta do diagnóstico de toxoplasmose, a analista de tecnologia da informação resume, até com certo humor, seu calvário:
- Que azar!
A mulher, de 41 anos - que pediu para não ter sua identidade revelada -, peregrina por consultórios médicos, salas de exames e pronto-atendimentos desde fevereiro. Como provas, além de receitas médicas e encaminhamentos, mais de meia dúzia de remédios diferentes para tratar os sintomas da doença que assusta os habitantes de Santa Maria.
No início, eram dores de cabeça, que começavam sempre à tardinha e a forçavam a tomar analgésicos. Depois de alguns dias de dor intensa, ela solicitou ao cardiologista um encaminhamento para tomografia.
- Eu estava fazendo exames de rotina, o que me incomodava era a dor. Pedi o exame, mas não deu nada - conta.
Dias depois, novos sintomas: febre e dores no corpo. Ela suportou a situação por dois dias antes de ir ao Pronto-Atendimento, onde foi diagnosticada com faringite. Saiu com a recomendação de fazer de cinco dias de tratamento com anti-inflamatório. Quando o prazo acabou, a febre voltou, e a analista de tecnologia da informação retornou ao pronto-atendimento. Sucederam-se exames de sangue e de Raios X do tórax e também dos seios da face. Um clínico-geral diagnosticou seu caso como sinusite e indicou um medicamento específico, que parou de ser usado quando, na consulta com um otorrinolaringologista, o especialista disse que não havia sinal de sinusite no exame.
- Mas ele me recomendou procurar um fisioterapeuta, porque me queixei que morria de dor na (coluna) cervical - lembra.
A mulher fez sessões de fisioterapia até que os linfonodos em sua nuca aumentaram de volume e ficaram extremamente dolorosos. Foi mais ou menos nesse período que a prefeitura anunciou que a tal síndrome febril era toxoplasmose.
- Corri para a internet para ver os sintomas e me identifiquei. Foi então que marquei consulta com o infectologista, que me deu o diagnóstico.

Sem pensar na origem
A analista admite que não pensa muito no que pode ter causado a doença. Ela esteve na praia no início de janeiro, mas não sentiu-se mal; não come carne malpassada, higieniza bem os vegetais, bebe água filtrada em casa e no trabalho. Ela não tem conhecimento de que algum de seus vizinhos da Cohab Santa Marta tenha adoecido e, na família, foi a única contaminada. Bem, ao menos é o que ela espera.
- O médico pediu que minha filha e meu marido fizessem os exames. O dela não foi reagente. Mas meu marido vai ter de fazer o exame uma outra vez, porque um dos índices deu alterado.
Enquanto torce pela saúde do marido, a analista reflete sobre as mudanças que a doença trouxe para a sua vida. Ela conta que continuou trabalhando no período, mas que ficou muito debilitada. O que mais a impressionou, diz, foi o acúmulo de sintomas.
- A impressão que tive é que a doença foi evoluindo, da febre à dor de cabeça, cada vez, uma coisa. Mais recentemente, eram as dores nas costas e o inchaço abdominal. Nunca tive uma doença que me debilitasse tanto e por tanto tempo. Foi muito difícil descobrir o que era. É uma doença muito incomum. Mas, agora, acho que os casos serão diagnosticados mais rápido - torce.

>> Tipo" uma gripe"

A toxoplasmose pode ser confundida com outras doenças. Em muitas pessoas, podem aparecer sintomas parecidos com os da gripe, como dor de cabeça, coriza, dor no corpo, febre, fadiga e dor de garganta


UM CONJUNTO DE VULNERABILIDADES

A microempresária Marli Madeiro da Rosa, 43 anos, estava no nono dia de internação hospitalar quando, finalmente, o diagnóstico chegou: toxoplasmose. Seu pensamento voou para casa, no Parque Pinheiro Machado.
- A primeira coisa que pensei: meu marido vai querer se livrar do meu gato - relembra a microempresária, que é dona de Tufi, 4 anos.
Não foi o que aconteceu. Após fazer perguntas sobre hábitos do gato (como se o local onde defecava poderia ser fonte de contaminação), o médico tranquilizou a paciente sobre a presença do animal, fazendo apenas uma observação:
- Ele disse que não. Que só era para eu tomar cuidado, não ficar tocando nele - conta Marli.
Se Tufi acabou absolvido de "envolvimento" na doença de sua dona, não faltam suspeitas nem mesmo agravantes que justifiquem a doença da microempresária. Portadora de artrite reumatoide, Marli toma medicamentos que baixam sua imunidade. Assim, ela pertence a um dos grupo de risco da toxoplasmose: os imunodeprimidos. E ela revela ser adepta de hábitos que, depois do surto da doença, tornaram-se não recomendáveis até para quem tem saúde de ferro.
- Tomo água da torneira e costumo comer carne malpassada. Inclusive, dias antes de adoecer, eu havia comido, e bastante - admite a microempresária.
Os primeiros sintomas apareceram ainda no final de março, quando a moradora do Bairro Pinheiro Machado começou a sentir fortes dores na cabeça e também no corpo.
- Achei que era gripe ou coisa assim. Fui no Pronto-Atendimento (PA) do Hospital de Caridade, e disseram que era virose. Só que as dores foram piorando, e eu fui me medicando. Aí, começou a aparecer febre. Eu tomava remédio, a febre sumia, depois voltava - lembra Marli.
A microempresária esperou por sete dias antes de ser internada em função da febre, que não cedia, e seu quadro pregresso de saúde. Ela deixou o hospital no último dia 11, mas ainda está afastada do trabalho e tomando antibióticos e anti-inflamatórios. Quase um mês se passou, mas a doença segue presente em sua vida:
- Ainda sinto dores no corpo e na cabeça, além de muita fadiga. Me sinto muito cansada fazendo as coisas mais simples. 

>> Imunodeprimidos

A toxoplasmose é uma doença que pode até passar desapercebida em pessoas consideradas saudáveis. Já em pacientes com o sistema imunológico debilitado, podem surgir sintomas específicos, como problemas de coordenação, convulsões, confusões, visão turva e, em alguns casos, até mesmo infecções respiratórias, como pneumonia e tuberculose

Recomenda-se que pacientes com problemas de imunidade baixa, em especial os portadores do vírus HIV, mulheres grávidas e as que planejam uma gravidez procurem um médico para realizar os exames necessários e saber se têm toxoplasmose ou não. Da mesma forma, se perceber sintomas como visão turva, confusão e perda da coordenação, talvez sejam sinais de toxoplasmose severa. A ajuda médica, para esses casos, é imprescindível


GESTAÇÕES DELICADAS

A dona de casa Neusa de David Salla, 64 anos, e a psicóloga Rosane Viñas Vieira, 58, compartilham histórias de gestações complicadas pela toxoplasmose. O desfecho das histórias é que foi diverso: enquanto Neusa e seu bebê não experimentaram sequelas da doença, Rosane e o filho que sobreviveu à infecção ainda precisam enfrentá-las.
Neusa recebeu o diagnóstico de toxoplasmose ocular aos 24 anos, após a primeira crise da doença. Ela viria a ter mais três. Na última, estava grávida da filha Mirela.
- Ela me contou que procurou o médico, mas ela morava para fora e nem tinha bem o conhecimento do que poderia acontecer. Mas, aí, ela veio de Mata para Santa Maria para fazer o tratamento. Ela tinha medo que eu ficasse com sequelas - conta a filha, uma biomédica de 29 anos.
Neusa recuperou totalmente a visão com o tratamento. Só guarda como lembrança uma cicatriz na retina. Mirela não teve nenhuma sequela.
- Só fiquei reagente à doença. Mas se a minha mãe não me falasse, eu nem saberia - diz a biomédica.
Já as cicatrizes que a toxoplasmose deixou em Rosane estão no corpo e na alma. A doença chegou sorrateira, em sua última gravidez, há 20 anos.
- No terceiro mês, fiz o ultrassom e houve diagnóstico de gestação gemelar. Eram gêmeos! Um mês depois, tive quadro febril. Liguei para minha ginecologista, que me acalmou. Disse que era uma virose. Tomei medicamento por dois, três dias e, depois, passou. Mas, em seguida, veio um quadro de risco de perda dos bebês, sangramentos. Tive de passar o resto da gravidez em repouso - conta.
A psicóloga seguiu fazendo os exames pré-natais, que incluíram nove ecografias, que jamais apontaram problemas com os fetos. No sétimo mês, veio o parto prematuro. E na hora do nascimento dos bebês, um triste quadro de saúde se revelou.
- Um deles, o Gabriel, tinha entrado em óbito, não tinha se desenvolvido. O outro, João Vitor, nasceu com peso abaixo do normal. Todo mundo ficou apavorado, porque não havia indícios de problemas. Foi o Teste do Pezinho do João Vitor que acusou toxoplasmose. Foi um susto para mim e para a família inteira.

Da mãe para o feto
Os médicos concluiriam que Rosane adquiriu a toxoplasmose, que se manifestou num quadro febril no início da gestação; e o protozoário passou aos fetos pela placenta. E se João Vitor conseguiu sobreviver, não ficou incólume a doença: perdeu de 80% a 90% a visão do olho esquerdo e teve problemas neurológicos, porque o toxoplasma está alojado no cérebro.
- O protozoário promoveu calcificações intracranianas, e ele começou a ter convulsões. A primeiro foi aos seis meses de vida. Ele toma anticonvulsivos até hoje - conta Rosane.
Assim como o filho, a psicóloga teve o parasita presente em seu dia a dia desde então. As crises, em geral, afetam sua visão. A mais severa foi há 10 anos.
- Fui a uma consulta periódica ao médico e ele me pediu o exame, e deu que o parasita está ativo. Após testes de fundo de olho, o médico disse: "Graças a Deus, você veio. Se demorasse mais três dias, ficaria cega". Vou resumir o que fiz para não perder a visão: tomei 480 comprimidos de antibiótico, 4 mil miligramas por dia para que eu conseguisse fazer esse parasita desativar - relembra.
Os testes para detectar a atividade do toxoplasma são rotina para mãe e filho. Ela se diz agradecida por João não ter desenvolvido outros problemas físicos ou intelectuais em função da doença, mas lamenta pelo filho que perdeu.
- Se tivesse sobrevivido, seria especial, dada a quantidade da sequelas que teria - comenta.
Como a maioria dos pacientes de toxoplasmose, Rosane não tem certeza da fonte de contaminação, mas imagina que possa ter sido alguma fruta mal lavada ingerida durante a gestação. Pelos efeitos danosos da doença em sua vida, ela recomenda que ninguém negligencie a prevenção.
- Deixe frutas e verduras de molho na água com uma colherinha de água sanitária. Cuidem-se - recomenda. 

>> Toxoplasmose congênita

Bebês com toxoplasmose congênita podem nascer com pulmões e baço anormalmente grandes, podem sofrer também de convulsões e de amarelamento da pele e dos dentes, além de graves infecções nos olhos.

Somente uma pequena parte dos bebês que nascem com toxoplasmose demonstram sinais da doença nos primeiros dias de vida. Geralmente, os sintomas só aparecem na adolescência.


PERDA DA VISÃO ALERTOU JOVEM DA DOENÇA

Mesmo que, aparentemente, a toxoplasmose não represente maior gravidade aos pacientes, a doença pode ser longa e exigir um gasto elevado para seu tratamento. É essa situação que enfrenta uma comerciária de 29 anos, moradora do Bairro Tancredo Neves. A jovem está doente há mais de um mês e foi acometida por um dos efeitos mais perigosos da enfermidade, que é o comprometimento da visão. O protozoário se alojou ao lado da retina do olho direito, causando perda de cerca de 90% da visão desse olho.
O drama da comerciária teve início em 12 de março. Os primeiros sintomas foram de uma gripe. Ela sentiu dor de garganta e febre, e procurou o Pronto-Atendimento da Tancredo Neves. O médico prescreveu remédios para a garganta e a mandou para casa. Na ocasião, não havia alarme sobre o surto da toxoplasmose, por isso, a possibilidade de ter contraído a doença sequer foi cogitada pela comerciária.
Nas semanas seguintes, os sintomas não passaram. Ela sentia dor de cabeça, febre e fadiga. Um mês depois, quando parecia que a saúde estava melhorando, começaram a surgir caroços no pescoço e sob os braços (os linfonodos, também chamados de gânglios ou ínguas, comuns da toxoplasmose). 
- De uma hora para outra, perdi 90% da visão do olho direito - conta a jovem.

Infecção

Foi somente em 16 de abril, mais de um mês depois da consulta no PA da Tancredo Neves, que ela acabou descobrindo a toxoplasmose. Devido à perda de visão, foi a um oftalmologista, que pediu exames e comprovou a presença do protozoário. Imediatamente, prescreveu antibióticos e colírios para combater a infecção ocular. 
Devido à longa enfermidade, a comerciária, que está desempregada, revela não conseguir arrumar trabalho e depende da ajuda da família para pagar os gastos com os medicamentos. Até agora, ela já desembolsou quase R$ 600 em exames e remédios. Ainda precisará comprar novas caixas do antibiótico, o que deverá aumentar a despesa para mais de R$ 800. Sem plano de saúde, só não gastou mais no exame dos olhos porque o pai conseguiu que seu plano de saúde desse um desconto. Havia pressa no resultado.
- Se dependesse do SUS, ficava cega - reclama. 
Até a última quarta-feira, quando contou seu relato para o Diário, ela ainda estava em recuperação em casa e pediu para ter seu nome preservado. A paciente seguia coma medicação, mas a visão ainda continuava afetada. 
A jovem não sabe como contraiu a toxoplasmose. Ela não tem gato nem cachorro em casa e não come carne malpassada. Por isso, suspeita da água. 
- Eu tomava água direto da torneira. Não tenho filtro em casa. Agora, só tomo água fervida - afirma a comerciária. 

>> Toxoplasmose ocular

A coriorretinite é a lesão mais frequentemente associada à toxoplasmose e, em 30% a 60% dos pacientes com essa enfermidade, a etiologia pode ser atribuída ao toxoplasma. Dois tipos de lesões de retina podem ser observados: a retinite aguda, com intensa inflamação, e a retinite crônica, com perda progressiva de visão, algumas vezes chegando à cegueira.

O tratamento inclui uso de antibióticos e deve começar o mais cedo possível


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E X P E D I E N T E

reportagem
TATIANA PY DUTRA

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