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Pet

Especialistas ensinam como perceber e tratar o estresse canino

02 Novembro 2017 22:00:00

Com observação e atitudes simples é possível recuperar o bem-estar do cão

Luisa Neves

Há dois anos, a funcionária pública Tatiana Sarturi abrigou a vira-lata Nina. Como já era tutora de 10 cães, a ideia era cuidar da pet até que fosse adotada.

- A Nina chorava muito e não interagia com a matilha - lembra a tutora.

Tatiana ficava triste com o sofrimento da cadelinha até que um novo tutor manifestou interesse em adotá-la: Nina se aproximou de Miguel, filho de Tatiana, à época, com 4 anos.

- Ele estava brincando em frente de casa. Ela, que nunca interagia com ninguém, se aproximou e, naquele momento, ambos se adotaram e ela ficou conosco - emociona-se Tatiana, acrescentando que, hoje, Nina está tranquila e feliz.

Segundo o médico veterinário Raul Rosa, da clínica Latimia, de Santa Maria, é preciso estar atento às mudanças de rotina e de comportamento do cão:

- Quando o animal está desenvolvendo alguma doença, tende a ficar abatido, estressado ou agressivo. Outros fatores ambientais podem deixá-los estressados, porém, antes de tudo, é fundamental descartar problemas fisiológicos.

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O médico veterinário Vagner Augusto de Oliveira Schmidt, da clínica Help Vet, de Santa Maria, concorda com Rosa. Para ele, ao perceber sinais de mudança de comportamento no pet, o tutor deve procurar diagnóstico clínico.

- Os animais nem sempre expressam o que sentem. Por isso, nossa atenção deve estar voltada aos sinais, entre eles, distúrbios de comportamento - diz.

Schmidt conta que, no dia a dia da clínica, é comum que os tutores busquem atendimento para os cães para averiguar mudanças bruscas de comportamento e, durante a consulta, descubram que pequenas alterações na rotina e no ambiente podem melhorar a situação do animal.

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Mas, o que pode deixar seu animalzinho estressado? Rosa enumera falta de atenção dos tutores, privação de passeio, experiências traumáticas (violência, atropelamento ou cirurgias) e perdas afetivas estão entre os principais causadores de abatimento do pet. Schmidt acrescenta que confinamento em espaços pequenos também pode ocasionar distúrbios comportamentais em cães.

ANSIEDADE

Outro problema cada vez mais comum em cães é a hipervinculação.

- Isso leva à ansiedade e ao desenvolvimento de síndromes. Animais com esse problema não ficam sozinhos, não aceitam dividir a atenção do tutor com outros pets e resistem à chegada de novos membros da família - afirma Schimidt.

Rosa diz que, geralmente, a Síndrome da Ansiedade de Separação (SAS) é gerada pelo próprio tutor, principalmente, quando humaniza o animal, deixando-o dependente demais.

- Não podemos ser extremistas. O animal merece carinho e cuidado, mas não a ponto de dominar o relacionamento e o ambiente. Ele aprende regras com facilidade e se habitua a situações, lugares e horários. A dependência excessiva pode prejudicá-lo seriamente, deixando-o ciumento e até agressivo - explica.

 Santa Maria - RS - Brasil - 23/10/2017Pauta Pet - depressão e afetividade canina
No novo lar, Nina está tranquila e felizFoto: Lucas Amorelli / New CO DSM

Perceba os sinais

_ Apresenta o que os veterinários chamam de apetite depravado (come coisas estranhas como fezes, pedras, madeiras, entre outros)
_ Abocanha moscas com frequência
_ Cava continuamente (demonstra vontade de destruir o ambiente)
_ Lambe-se excessivamente
_ Persegue luz e sombra
_ Persegue a cauda ou rodopia excessivamente
_ Lambe ou mordisca as pastas e a cauda, podendo chegar à automutilação
_ Apresenta agressividade e resistência a carinho
_ Mostra-se apático
_ Perde o apetite
_ Late sem parar
_ Urina e defeca em locais inapropriados
_ Apresenta vômitos e salivação ofegante
_ Isola-se com frequência
_ Persegue o tutor por toda a casa

Pelo bem-estar canino

Segundo os especialistas, é possível perceber os sinais e com atitudes simples recuperar o bem-estar do cão. Veja algumas dicas para deixar seu pet tranquilo e feliz como ele merece.

_ Com exames clínicos, exclua a possibilidade de doenças fisiológicas
_ Procure sempre atendimento profissional. Existem medicamentos e terapias alternativas que podem solucionar o problema
_ Faça pequenas modificações no ambiente que está estressando o animal
_ Leve-o a lugares onde possam brincar, correr e gastar energia
_ Controle a dependência excessiva que pode gerar a hipervinculação entre tutor e pet. Ao mesmo tempo, não seja um tutor distante e indiferente. Aqui vale o equilíbrio da relação
_ Tenha paciência. O tratamento pode demorar. Em algumas situações, não há cura total
_ Prepare-os para mudanças de rotina e, sempre que possível, faça com que elas não aconteçam de maneira brusca
_ Observe o seu pet. Quanto mais você conhecê-lo, mais fácil será identificar sinais de tristeza ou estresse fora do normal

Fonte: Raul Rosa e Vagner Schmidt, veterinários

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