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baú do rock

VÍDEO: você lembra quais bandas faziam sucesso nos anos 80 em Santa Maria?

11 Janeiro 2018 10:30:00

O Diário abre o baú da cena autoral musical da cidade

Suelen Soares

Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)
Expoentes do rock santa-mariense Pylla (da esquerda para a direita), Arion, Pinttoo e Molina, se reencontraram para relembrar os velhos tempos

Um gênero musical popularizado mundialmente nos anos de 1950 transformou Santa Maria em uma referência no Estado e, até mesmo, fora dele. A Cidade Cultura chegou a ser conhecida como a Seattle do Sul, referência à cidade norte-americana, berço do rock mundial. Para celebrar as bandas autorais e os palcos das décadas passadas, o Diário produziu uma série de três reportagens especiais, que serão publicadas de hoje até sábado, que revisitam parte desta história, ainda viva nas cucas de quem viveu esse cenário e pelas composições das gerações seguintes.


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DÉCADA DE 80
Na década de 1980, o espaço localizado na Avenida Presidente Vargas, em frente à atual Biblioteca e Arquivo Municipal, era considerado um templo musical. Lá, foram realizados shows históricos. Décadas depois, o local foi palco do reencontro entre os músicos Pylla, Renato Molina, Alexandre Pinttoo e Arion Helder Pilla, expoentes do rock local, que se reencontraram a convite do Diário, nesta quarta-feira. Entre abraços, sorrisos e lágrimas, os roqueiros recordaram os bons e velhos tempos e contaram que, aquela, foi uma era de descobertas, de luta, de resistência e, acima de tudo, a década de ouro desse estilo musical.

PERSONALIDADE MUSICAL
Em 1981, quando Edson Luiz Kroth, o Pylla, chegou a Santa Maria, o rock já estava por aqui, mas meio adormecido. E foi no decorrer dos anos que o músico foi escrevendo o seu nome na história da Cidade Cultura. Atualmente, com mais de 30 anos de carreira, celebrados no último ano com um show especial no Theatro Treze de Maio, o "Magrão", de fala mansa e pausada, acredita que cena local independente começou a mudar quando as bandas encontraram as suas próprias linguagens e, principalmente, quando passaram a prezar pela originalidade.

  

- As letras eram repletas de expressividade e de temas sociais que retratavam bem o que aquela juventude vivia no período. Cada banda tinha o seu estilo, mas todas tinham um lance muito em comum, que era falar sobre a preocupação com a época em que vivíamos. Tinha muita coisa engasgada naquela juventude, que foi muito oprimida nos anos 1970 - contextualiza o músico.

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Um dos destaques foi a Thanos, que surgiu em 1984. Ela foi a primeira banda de heavy metal de Santa Maria e, também, a pioneira a emplacar uma música nas rádios locais.

- A gente montou uma coisa que, até então, não tinha se visto aqui. Um grupo com figurinos, roupas específicas e, no palco, efeitos da época, com explosivos e cenários. Alguns atores participavam do show. Havia um escudo que descia no palco, enfim, coisas que só víamos quando vinha um grande show - diz Pylla.

Foto: Arquivo Pessoal
Banda Fuga surgiu no fim dos anos 80. 

Anos depois, surgiram outras bandas, como a Banana Explícita, A Bruxa e a Fuga, que também carregaram uma força poética e a atitude inerente aos grupos daquele contexto.

SONHO DE ROCK STAR 
O servidor público e músico Renato Molina, 59 anos, já tinha uma banda nos anos 1970, chamada Corpos e Climas. Mas, foi em 1982 que ele começou a conviver com os roqueiros. Com o grupo A Bruxa, criado em 1986, Molina embarcou no gênero que imortalizou Elvis Presley. Três anos depois, em 1989, ele deixou a banda e começou a formação da Nocet, que faz shows até hoje. Como todo o jovem que fez parte de um grupo musical, Molina conta que sonhou em viver de música.  

- Eu confesso que passou pela minha cabeça, um dia, viver de música. Na verdade, quando você gosta, você sonha. Eu tenho no rock'n roll aquilo que me move - destaca o artista.

Foto: Arquivo Pessoal (Diário)
A Bruxa foi uma das bandas que mais se destacou naquele período. A composição da época, da esquerda para a direita: Clóvis Muller, Jessé, Guido Isaía, Alberto, Pipoca (esq. acima) e Renato Molina (direita. acima)

Ao lado das bandas Fuga, Doce Veneno e Felling, a Nocet lançou, em 1993, de forma totalmente independente, o antológico álbum Elo Um. Nesse disco, as bandas gravaram suas músicas autorais e fizeram diversos shows pelo Estado, reafirmando a parceria e a amizade deles.

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- Os anos 1980 vieram recolhendo tudo o que o rock trouxe desde os outros anos. Então, a gente viveu isso. Conviver com essa galera foi a minha salvação. A música é a salvação - acredita o servidor que, atualmente, é vocalista e violonista da banda Magical Mystery.

Com anos de estrada, Molina acredita que a cena do passado influencia as bandas ainda hoje.

- Estamos vivendo uma retomada de bandas fazendo um caminho mais autoral. Algumas, até com algum tempo de estrada, mas sem nenhum link direto com o que foi feito nos passado. A Rinoceronte é uma delas, e tem outras, mas eu gosto muito deles - destaca Molina.

ELES SE SENTIAM "OS CARAS"
O servidor público e músico Arion Helder Pilla, 54 anos, distanciou-se do rock, mas não consegue evitar as lágrimas sempre que fala sobre esse tempo. Além de guardar na memória tudo o que viveu, ele ainda tem uma pasta com recortes de jornais de todos os principais momentos daquela época. 

- Nós achávamos que nós éramos os caras. Que éramos os bons, que alguém iria nos descobrir e que a coisa ia acontecer. Nós éramos jovens e bonitos. Como isso não ia dar certo? - brinca o músico.

Arion foi integrante das bandas Avenida Principal e Alto Rizco e, mais tarde, na década seguinte, da banda Doce Veneno. Como compositor, perdeu as contas de quantas músicas escreveu, mas o que ele não esquece é do quanto foi bom ter sido um dos personagens desse período.

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O músico acredita que o boom do rock na cidade se deve a dois momentos: o apogeu de bandas brasileiras, como a Legião Urbana, Capital Inicial, Ultraje a Rigor e, também, a chegada das rádios FMs:

- Não foi em todo o Estado, mas Santa Maria respondeu a esse boom. Havia programas diários nas rádios que tocavam nossas músicas autorais. Nós íamos ao Bobby Som e gravávamos as demos para levar para as emissoras.

Arion conta, ainda, que não se ganhava dinheiro com a música naquele tempo. Pelo contrário, eles até gastavam do próprio bolso para tocar em locais, como o Clube Caixeral, o Avenida Tênis Clube e o Santamariense, e em locais abertos, como a Avenida Presidente Vargas.

- Centenas de pessoas se reuniam com o objetivo de apenas compartilhar ideias e ouvir um som - recorda o músico.

Saudosa, a lembrança daquela época vem sempre acompanhada de muita emoção. E isso acontece porque Arion pensa nos amigos, na música e, acima de tudo, no sonho.

- A juventude nos permite sonhar. Eu me transformei em um burocrata, sou orgulhoso do meu trabalho, mas eu tenho comigo que a minha passagem por aqui, tinha outro propósito. E que, talvez, eu não tenha conseguido viver, porque a maturidade nos impõe a realidade - finaliza o servidor.

MENINO PRODÍGIO  
O cantor Alexandre Pinttoo, 43 anos, era um menino quando começou a circular no meio musical da cidade. Ele conta que passou por todas as bandas da época, inclusive, na banda Thanos, desde o primeiro ensaio. Ele carregou caixa e foi operador de som da Alto Rizco e da Névoa Púrpura. Depois dessas experiências, montou a banda Anúbis. Mais tarde, Pinttoo ainda passou pela Doce Veneno, pela Fuga e pela Black Cat.  

- Eu estava em todas e tenho orgulho de dizer que sempre estive com eles, mesmo sendo mais novo. Eu comecei a viajar com o Pylla quando eu tinha 13 anos. Ele tinha que pedir autorização para a minha mãe. E eu toco com ele até hoje - orgulha-se o músico.

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Pinttoo vive da sua arte e é, com frequência, atração em diversos espaços da cidade. Quando ele se lembra daquele tempo, em que o cabelo na cintura era identidade da época, o músico reconhece o aprendizado e diz que, até hoje, faz uso daquelas lições:

- É muito louco, pois eu era piá. Depois, fiz sete anos de canto lírico porque era uma forma de me aprimorar. Eu os ouvia tocando e cantando e queria aprender. Hoje, eu sou músico profissional, vivo da música, literalmente.

O cantor acredita que a maior diferença entre as bandas daquela época e as de atualmente é que se produzia mais músicas autorais e pouco se tocava cover. Para ele, o sentimento que brota ao rever os amigos que acompanharam o seu crescimento e com os quais ele tem muitas histórias é de muita saudade e felicidade.

- O que eu sinto quando vejo esses caras é uma mistura de saudade com a vontade de vê-los sábado, em minha casa, fazendo um churrasco. Os anos 1980 foram o começo de tudo que veio depois. Isso só aconteceu porque essas primeiras bandas existiram - ressalta Pinttoo.


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