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blocos de ontem e hoje

Os blocos carnavalescos de Santa Maria: a memória dos que acabaram, os sobreviventes e os novos formatos que se firmaram

12 Fevereiro 2018 19:00:00

Xameguinho e Nagandaya são blocos que resistiram e continuam firmes na folia

Suelen Soares


Foto: Gabriel Haesbaert/Bloco Xameguinho é composto por 50 crianças, filhos de associados do Clube Dores

É Carnaval e, apesar de Santa Maria não ter a folia na rua, com competição entre escolas de samba e blocos, a festa está garantida com a programação dos clubes e das entidades sociais da cidade. Quem abre alas por aqui são os tradicionais blocos carnavalescos, reconhecidos protagonistas da festa mais popular do país reunindo pessoas de todas as idades e classes sociais. Assim como em outras cidades do Brasil, vários blocos foram criados e fazem parte da história da folia de Santa Maria. Alguns, surgem e desaparecem, enquanto outros, têm tradição e garantem fôlego de sobra para sobreviver por muitos Carnavais.   

OS SOBREVIVENTES

Os blocos Xameguinho e Nagandaya são dois dos mais tradicionais do Coração do Rio Grande que, ainda hoje, estão na ativa. O Xameguinho é um dos bloco mais antigo, em atividade, na cidade. Criado em 1983, para acompanhar a rainha infantil do Clube Dores, ele foi se destacando, ano a ano. Segundo a assessora social do Clube Dores, Clebiana Lima, 41 anos, atualmente, o grupo é composto por 50 crianças, filhas de associados do clube. Clebiana, que fez parte da primeira edição do bloco, em 1983, conta que o objetivo era seguir os passos do bloco Xamego, grupo adulto, que já existia no clube.  

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- O Xameguinho surgiu por meio do Xamego porque, na época, sentiram necessidade de levar as crianças para brincar o Carnaval. E nós desfilávamos na avenida. Fomos escolhidos melhor corte de Carnaval da cidade e conseguimos manter o bloco, até hoje - destaca Clebiana.

As inscrições para participar do bloco começaram em dezembro do ano passado. São aceitas crianças de 5 a 12 anos. Todos os anos, os pequenos foliões apresentam uma coreografia nova, que é ensaiada pela coreógrafa Fabiana Colvero.

Em 2014, a convite da prefeitura, o bloco foi homenageado no Carnaval de Rua da cidade. O desfile quebrou um hiato de 12 anos em que o bloco não participava dos desfiles de rua. Segundo Clebiana, o Dores vê nas crianças o futuro do clube, e o bloco é "a menina dos olhos" de todos.

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- A gente costuma dizer que o Xameguinho é um sentimento. Porque ali, a gente cresce, faz amizade e traz os associados para que, desde pequenos, possam brincar e entender o sentido dessa festa tão tradicional.

O MAIS QUERIDO

O bloco vai celebrar 16 anos de fundação em um dos maiores Carnavais da região, na cidade de Jaguari. Segundo o fundador do Nagandaya, Marcelo Cunha, o nome foi inspirado no CD do cantor Gilberto Gil intitulado "Kaya na Gandaia". Mas, esse nome só surgiu em 2003, após o fundador ter problema com o primeiro nome do bloco, que havia sido batizado como Tôa Tôa.  

- Não tínhamos a menor ideia que existia um bloco em Santa Maria com esse mesmo nome.

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Mas, com a ajuda de um e de outro, surgiu, em 2003, o Nagandaya, com o lema "O bloco é de todos", o que fez o grupo ficar entre os quatro maiores do clube, o que, para nós, já era uma grande conquista - recorda o fundador.


Segundo o organizador, uma das características do grupo é a capacidade de organização e o respeito aos demais foliões. Ele comenta que, em 2010, o bloco começou uma nova etapa, indo explorar o Carnaval da Quarta Colônia e, na sequência, Jaguari. Com isso, veio o desafio de tornar o Nagandaya o melhor bloco do interior do Estado.

- O Nagandaya é o bloco mais querido de Santa Maria e comemora 16 anos com muito orgulho. Nosso Carnaval é para todos os gostos e estilos, e quem já fez parte do bloco nesse tempo, com certeza, leva consigo boas recordações - afirma Cunha.

BONS TEMPOS

De acordo com o ex-presidente do Clube Atiradores Santamariense, Luiz Carlos Druzian, o Carnaval na cidade teve os seus tempos áureos nas décadas de 1970 e 1980, quando surgiram os primeiros blocos organizados e ligados às entidades sociais.  

- Era um número bem expressivo de pessoas que participavam dos blocos e nem todo mundo era sócio. Então, as diretorias facilitavam para que todos participassem, deixando o ingresso com o preço mais acessível - relembra Druzian.

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Segundo ele, que foi presidente do clube por 15 anos, e fundador da Associação das Entidades Sociais e Recreativas de Santa Maria, há um certo saudosismo da folia daquele tempo.  

- Nós chegamos a ter até nove blocos no clube, e tudo dava certo, porque era muito organizado. E os blocos de um clube visitavam as outras entidades, era muito bom. A gente sente saudade disso tudo - afirma.

FICOU NA HISTÓRIA

Quando o assunto são os blocos do Coração do Rio Grande, um dos mais lembrados é o bloco Xamego, criado em 1978, por Francisco Ramos, Ieda Forgiarini, Belchior Martins e Ari Forgiarini. Campeão por inúmeras vezes das competições entre blocos nos desfiles de rua, o grupo chegou a ser considerado "hors concours", em função dos vários títulos. 

Foto: Divulgação (Diário)

Bloco Xamego foi criado em 1978 e foi o maior vencedor do concurso entre blocos da cidade

Em 1988, foi realizado o último desfile do Xamego e, naquele mesmo ano, ele foi homenageado pela prefeitura. Segundo o vice-presidente social do Clube Dores, Cleber Ruviaro, o Xamego foi um bloco inesquecível, principalmente porque agregava os sócios e conquistava cada vez mais espaço e simpatia dos amantes do Carnaval.

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- O bloco chegou a ter 250 pessoas, tinha carro alegórico e até se teve a intenção de transformá-lo em uma escola de samba. Depois, até instrumentos musicais foram comprados. É uma pena ter terminado. Mas como não havia mais competição, nós resolvemos encerrar o bloco e só ficaram as boas lembranças _ diz o ex-coordenador do bloco.

Segundo Ruviaro, além de inspirar a criação do Xameguinho, o Xamego também foi a fonte inspiradora da banda do músico Luiz Oliveira, intitulada "Super Banda Xamego", a sensação dos Carnavais do clube durante quatro anos.

SAMBANDO NA PRESSÃO

O bloco Panela de Pressão não existe mais há 10 anos aproximadamente. Porém, as lembranças das folias vividas por seus integrantes estão bem presentes na memória de quem participou do bloco. Um dos idealizadores do grupo é o produtor André Farias, que comenta o quanto o bloco fez sucesso na cidade. Segundo ele, o Panela de Pressão surgiu em 1989, após cinco amigos, todos adolescentes, decidirem montar o grupo. O nome surgiu da expressão "panelinha", que diz respeito a um grupo fechado. Mas, ele lembra que, de fechado, o bloco não tinha nada. No primeiro ano, foram 68 integrantes e, com o tempo, o número chegou a 1,1 mil participantes.

- Nós nos inspiramos no Xamego, que era um dos únicos blocos organizados. E o Panela atuou por 19 anos. Fizemos história. Fomos pentacampeões do Carnaval de rua e sete ou oito vezes da competição entre blocos do ATC - recorda o produtor.

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Além dos desfiles e competições entre blocos, o fundador relembra que também existem muitas histórias divertidas. Entre as curiosidades, está a participação no desfile da escola de samba Barão de Itararé.

- Teve um desfile da Barão de Itararé, em que aconteceu algum problema, e eles nos pediram um apoio. Naquele ano, nós tínhamos uns 700 participantes. Então, nós formamos praticamente todas as alas. Só não desfilamos de baiana e na bateria - conta Farias.


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