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Ex-presidente de Escola de Samba e fundadora de bloco lembra os bastidores do Carnaval

11 Fevereiro 2018 18:30:00

Suzi Xavier presidiu a Mocidade Independente das Dores no ano em que agremiação foi campeã

José Mauro Batista


Fotos: Suzi Xavier (Arquivo pessoal)

Nascida e criada no Bairro Perpétuo Socorro, Suzete da Silva Xavier, a Suzi Xavier, fez história no Carnaval da cidade. Ela integrou a Escola de Samba Unidos do Itaimbé, mas foi na Mocidade Independente das Dores, como presidente, que Suzi conquistou seu maior triunfo: o primeiro e único campeonato da agremiação do Bairro Dores. Casada com Ivan dos Santos Xavier, Suzi é mãe de Mariane, 28 anos, doutoranda em Enfermagem, e de Amanda, 26, brigadiana e estudante de Direito. Afastada do Carnaval, a técnica em Gestão Pública hoje é taróloga e mora no Bairro Camobi. 

Diário de Santa Maria - Sua paixão pelo Carnaval vem de família?
Suzi Xavier -
Meu pai, Mário, foi jogador de futebol, era o famoso Gigante de Ébano, do Guarany Atlântico. E como todo jogador de futebol, gostava de samba. Quando eu era criança, ele me levava no Carnaval infantil do Clube 13 de Maio.  

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Diário - Quando surgiu o seu envolvimento com eventos carnavalescos?
Suzi -
Aos 14 anos, eu frequentava a Sociedade 13 de Maio e fazia parte do departamento de decoração do clube. Depois de casada, fui para a Unidos do Itaimbé. Minhas filhas tinham curiosidade de conhecer uma escola de samba. Num jantar, a Jupira Bicca, presidente da Itaimbé, perguntou se eu não queria ser vice-presidente da escola, e foi aí que eu me envolvi como 2ª vice-presidente da Unidos. Depois, fui convidada pelo seu Romeu do Nascimento para integrar a Mocidade Independente das Dores e fui ficando por lá. Fui 2ª vice-presidente da Mocidade, na gestão do presidente Carlos Alberto Krauchenberg.  

Diário - Como foi sua passagem pela Mocidade?
Suzi
- Eu era presidente da Mocidade em 2011, e ganhamos o Carnaval homenageando o Sérgio de Assis Brasil (cineasta, radialista e professor santa-mariense, que faleceu em 2007). Esse foi o único título da Mocidade em toda a sua história. Pela Unidos do Itaimbé também ganhei um Carnaval. Como presidente, entendendo que uma escola é como uma empresa. Procurei pessoas comprometidas e montei uma diretoria muito boa. Na casa da Rhéa Sylvia (professora de Comunicação Social da UFSM, que faleceu em 2012), conheci o carnavalesco Anderson Braz. Naquela época, o Anderson era da Vila Brasil (escola de samba) e eu fiz um convite para que ele fosse meu carnavalesco na Mocidade. Ele levou amigos para compor a equipe de Carnaval que nós precisávamos, porque era compromisso ganhar aquele Carnaval.  

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Diário - Como é a rotina de quem preside uma Escola de Samba?
Suzi
- Não é fácil. Só quem vive no mundo da Escola de Samba, compondo diretoria, é que vai compreender as dificuldades. O Carnaval é cultura, um teatro a céu aberto. Primeiramente, a diretoria se reúne para definir um tema que tenha a ver com a situação financeira da escola. A agremiação tem que fazer eventos durante todo o ano, tem que pagar as contas, buscar parcerias e apresentar um programa de trabalho para que as pessoas acreditem na proposta. 

Diário - A senhora também fundou um bloco de Carnaval?
Suzi
- Fundei o Tom Maior, nome de uma escola de São Paulo. Foi com a mesma diretoria e a mesma equipe da Mocidade que fizemos esse bloco. Em 1º de julho de 2011, montamos o bloco para o Carnaval do ano seguinte, mais aí não teve Carnaval. Veio um problema de saúde e eu resolvi cuidar de mim.  

Diário - De que a senhora mais sente saudade daquela época?
Suzi
- Sinto saudade mesmo é quando falo da minha equipe lá da Mocidade e de todas as emoções que vivemos. Desde quando íamos pegar as fantasias nas costureiras. Quando víamos um carro alegórico pronto era aquela emoção. Eu me emociono só de falar. Mas é só disso que tenho saudade, nada mais. 

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Diário - Suas filhas são envolvidas com o Carnaval?
Suzi
- Elas gostavam, mas a vida muda. A mais nova, Amanda, fez concurso da Brigada Militar, serve no 4º RPMon, em Porto Alegre, e estuda Direito à noite. A outra, Mariane, é doutoranda em Enfermagem na UFRGS e não tem tempo para se dedicar ao Carnaval. 

Diário - O que falta para o Carnaval de Santa Maria?
Suzi -
Sou do tempo em que havia união entre o poder público e as escolas de samba. Hoje vejo que o poder público não dá muita importância. As pessoas falam que as escolas têm que trabalhar, mas quando eu estava na Mocidade, fazíamos chás, matinés, e eu tinha uma diretoria que trabalhava comigo. Hoje não vejo isso nas escolas. 


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