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Entrevista

'Carnaval é aquilo que está dentro de ti e tu libertas, é energia que gira', diz Ruby Saratt

12 Fevereiro 2018 11:43:00

Estilista figura entre os nomes mais lembrados durante as festas carnavalescas de Santa Maria

Pâmela Rubin Matge


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)
Ruby confeccionou muitas fantasias para rainhas que foram campeãs em concursos estaduais

À linha do tempo de Ruby Saratt estão costuradas as melhores lembranças das matinês e bailes de Carnaval do Clube Comercial, na sua cidade de origem, São Borja. Com uma vocação que, segundo ele, "vem de alma" e de uma vivência que só deu continuidade ao ateliê da família, o estilista é um ícone do segmento e sua grife Ruby Saratt é reconhecida dentro e fora do país. Com 30 anos de alta costura e há 17 em solo santa-mariense, traz na bagagem o garbo e a distinção do Studio Berçot, escola francesa referência em moda. Mas Ruby também deixa legado ao fundir luxo e brasilidade ao figurar entre os nomes mais lembrados do Carnaval na cidade. Seja no requinte das fantasias que confeccionou, bem como na presença marcante em eventos que celebram a data.

Diário de Santa Maria - Qual a sua lembrança mais remota do Carnaval?
Ruby - Nasci no meio dos alfinetes e cresci olhando revistas de rainhas de Carnaval no ateliê da tia Dila. Sempre fui atrevido e, desde pequeno, já desenhava para as amiguinhas. Lembro das rainhas para quem minha mãe e minha tia costuravam. Tinha aquela pegada de alta costura. Nos camarotes do Clube Comercial, em São Borja, as pessoas usavam máscaras e roupas repletas de plumas, leques e cristais. 

Diário - Em que momento sua trajetória profissional se costura ao Carnaval?
Ruby - Por volta dos 14 anos, eu mesmo fiz uma fantasia poá, de palhaço, para o desfile no Carnaval de Rua de São Borja, na década de 1970. Era de cetim, metade vermelho, metade azul, com bolas brancas. Ganhei meu primeiro prêmio. Fiquei em 2º lugar na categoria Originalidade. Depois, passei a confeccionar fantasias para rainhas que foram campeãs em concursos estaduais. Em Santa Maria, o destaque é a Serena Valandro, que coleciona títulos. Era preciso uma van só para "o plumaredo" dela. A primeira fantasia campeã no Estado foi a L'opera Fantastic, toda em prata e roxo. Também fui figurinista e até dei nome a uma Escola de Samba de São Borja, a Aquarela, e aqui, em Santa Maria, fui figurinista da Escola Vila Brasil.  

Pelos trilhos, chegou o samba em Santa Maria

Diário - Qual foi seu Carnaval inesquecível?
Ruby - Muitos. Lembro até da época dos lança-perfumes, que adorávamos e íamos a São Tomé, na Argentina, buscar. Tenho saudades. Sempre aproveitamos em turma e até hoje. Não adianta irmos "assistir ao Carnaval". Temos que estar entre amigos, em sintonia. 

Diário - Como você avalia o Carnaval em Santa Maria?
Ruby - Decaiu muito pelo fim dos bailes nas entidades sociais e pela falta de incentivo à cultura, seja por empresas que não apoiam, seja pelo poder público, que nunca mais retomou ao que era anos atrás. E as pessoas têm de ir atrás, não podem deixar o Carnaval acabar, pois é a nossa cultura. 

Diário - O que é imprescindível para um desfile ou no conceito de uma fantasia?
Ruby - Luxo. O Carnaval é glamour, é brilho. E, independentemente do material, tudo vem acompanhado de uma expressão cênica, da pessoa de fato "vestir a fantasia". Porque no Carnaval a gente é meio ator. 

Diário - Além da confecção de fantasias, qual seu envolvimento com a data?
Ruby - Total. Organizava bailes do Carnaval do Clube Caixeral, era jurado em vários concursos de rainha municipais e concursos de fantasia no Estado. Por três anos organizei o Gala G, que reunia a comunidade gay. Eu sempre participo de alguma maneira, mas, desde 2010, decidi me dedicar somente à alta-costura. Fantasia de Carnaval demanda muito trabalho. A gente tem que ter uma especialidade, e por mais que eu queira, não dá para abraçar o mundo. 

Diário - Você diz que Carnaval é luxo e glamour. Não soa contraditório, já que é considerada a maior festa popular do país?
Ruby - O luxo sai até do lixo, serve para qualquer fantasia. Veja o do Rio, onde famílias se preparam o ano inteiro para os desfiles. O luxo do Carnaval está no sangue. Muitas vezes, é quando os "pobres" podem "se vestir de ricos". É quando qualquer pessoa é admirada, aplaudida e eleva sua autoestima. E a situação financeira não não impede ninguém de brilhar no Carnaval, seja no clube, na rua ou na Sapucaí. Não interessa qual é a passarela. Quem desfila, vira estrela. 

Diário - O que não pode faltar no Carnaval?
Ruby - A essência. Aquele perfume e magia que só o Carnaval tem e que te faz delirar, sonhar. É aquilo que está dentro de ti e tu libertas. Carnaval é isso, é energia que gira.

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