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Carmem Silvia Ferraz conta sobre os anos na ala das baianas da Escola de Samba Barão de Itararé

13 Fevereiro 2018 17:00:00

Diretora da ala das baianas ela é popularmente conhecida por tia Silvia das baianas

Karen Borba

Arquivo pessoal
Carmem Silvia Ferraz é diretorda da ala das baianas da Escola Barão do Itararé

Ela nasceu em Júlio de Castilhos e se mudou para Santa Maria ainda na infância. No Coração do Rio Grande, conheceu o ritmo que a move até hoje, o samba. Aos 29 anos, passou a integrar o grupo de carnavalescos da Escola de Samba Barão de Itararé e lá, conheceu o atual companheiro, Jorge Ademir. Aos 59 anos, a mãe de Lilian, Aline, Liliane, Jéson, Geovane e Jeferson se diz apaixonada pelo Carnaval e conta ao Diário sobre como a folia lhe faz feliz.

Diário de Santa Maria - Como começou sua paixão pelo Carnaval?
Carmem Silvia Ferraz
- O envolvimento começou quando entrei na Barão de Itararé. Na época, meu marido e eu fomos convidados para começar a frequentar a escola. Como ele era mestre de bateria, foi para a bateria. Já eu, fui convidada para a ala das baianas, que precisava de gente. Comecei a frequentar a escola e nunca mais saí. As pessoas tinham uma visão de que só senhoras desfilavam nessa ala. E me perguntavam por que eu saía lá. Quando comecei, eu tinha 29 anos, e foi a primeira vez que desfilei.

Diário - Por que a senhora veio para Santa Maria?
Silvia
- A minha mãe veio para trabalhar, nós gostamos daqui e por aqui ficamos.

Diário - E como foi o seu primeiro desfile na avenida?
Silvia
- Foi ótimo. Na época, lembro que fiquei muito envergonhada. Mas hoje me acho a rainha da escola (risos).

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Diário - Na época, havia mulheres envolvidas no Carnaval?
Silvia -
Tinha, sim! E não eram poucas. Porque, geralmente, iam os casais. Então, um acompanhava o outro. Mas tinha um preconceito, porque era uma Escola de Samba e muita gente tinha esse preconceito. Hoje em dia, já não. Todo mundo participa. Famílias, crianças, pessoas de todas as classes e idades vão. Tem muita integração.

Diário - A senhora levava seus filhos para a quadra de ensaio da Escola de Samba? Como era a rotina deles pequenos na época da folia? 

Silvia - Enquanto pude, eu trouxe meus filhos. Eles iam para a quadra comigo e sempre participavam. Mas isso foi até eles completarem 16 anos, mais ou menos. Depois que cresceram, não quiseram mais. Eu também sempre respeitei. Agora eles vão à avenida, sempre que tem Carnaval, mas não desfilam.

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Diário - E como é ser diretora da ala das baianas?
Silvia
- Tem que ter espírito de liderança, tem que interagir com as pessoas, conversar, dar carinho. Porque na ala das baianas são muitas senhoras e elas acabam virando amigas, comadres. Então é uma família, é tudo de bom.

Diário - E esse trabalho é o ano inteiro?
Silvia
- Não, não... Agora já fazem três anos que a gente não está fazendo Carnaval, infelizmente. Então, a gente se dispersou bastante. Mas estamos sempre em contato. Quando eu ligo, conversamos do mesmo jeito.

Diário - Então foram muitas amizades durante o Carnaval?
Silvia
- Sim! Fiz muitos amigos. São tantos que nem dá para citar. Todo mundo me conhece por Tia Silvia das baianas. Na escola, somos uma grande família, desde a bateria até o último componente.

Diário - E também foi lá que a senhora conheceu o seu Jorge?
Silvia
- Sim, a gente se conheceu na quadra da escola. Uma amiga minha me apresentou a ele, a gente começou a conversar, conversar e, quando viu, já era namoro. Agora faz sete anos que estamos juntos.

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Diário - O que o Carnaval acrescentou na sua vida desde que a senhora começou a frequentar a agremiação?
Silvia
- Eu adoro Carnaval! Enquanto as minhas pernas aguentarem, eu estarei na avenida. É uma coisa que eu faço durante o ano e que eu amo. Amo o barracão, a quadra, tá no meu sangue, sabe?

Diário - A senhora sempre soube sambar?
Silvia
- Não, mas isso a gente aprende, está no sangue! (risos).

Diário - Qual o espírito de ser baiana?
Silvia
- A baiana é uma ala muito respeitada na agremiação, no Carnaval, é o coração da escola. É muito bom, todo mundo chega para nos visitar, o povo, os repórteres, todos querem conversar com a ala das baianas. É aquele vigor, aquela coisa boa, um prazer, a gente nem sente passar o tempo.

Diário - E com o cancelamento de mais um Carnaval de Rua, o que a senhora acha dessa situação em Santa Maria?
Silvia
- É uma coisa muito triste, né? Porque isso é o divertimento do pessoal, a distração do povo. A situação que nós vivemos, atualmente, o dinheiro não da para irmos num clube fazer a festa. Na rua seria público, né? Uma pena...

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