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vida e saúde

Por que os pais atrapalham na escola?

05 Março 2018 18:57:00

Colunista relata cenas do cotidiano e questiona a intolerância na relação escola, professores e pais


Início de ano letivo é bem agitado nas famílias. Adaptação na escola para filhos e pais. São novos horários, novos colegas, professores e atividades mil. Diante desse contexto, não posso deixar de registrar algumas observações sobre a rotina de volta às aulas. 

O filho iria executar uma atividade extra, dentro da própria escola. O professor indagou a mãe que tentava tirar fotos do pequeno para registrar o momento da estreia na nova modalidade esportiva. Ele disse que a mãe havia invadido o local da atividade. Um detalhe: não tinha começado a aula e não havia mais nenhum aluno no local além do filho dela. O instrutor alegou que, "por uma questão de direito de imagem", a mãe não podia tirar foto do próprio filho no local.  

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Dias antes, ouvi uma professora, também de atividade extra, comentar que pensava em parar de deixar os pais acompanharem as aulas dos filhos, pois "tiravam a atenção" deles. Após escutar tal explanação, parei para observar os pais que acompanhavam os filhos na atividade da professora. A maioria estava sentada olhando a movimentação de sua prole ou conversando entre si, e um pai registrava a ação com um celular, de longe. 

Pensei se os pais que não participam da vida escolar são omissos. Porém, se participam, são impertinentes e "atrapalham". E cabe registrar que sou defensora da autonomia de filhos e professores, funcionários e etc no ambiente escolar. 

Admito que os pais, assim como os demais integrantes da comunidade escolar, muitas vezes, são sem noção. Podem "atrapalhar" e dar maus exemplos. Há situações adversas aos genitores, bem evidentes, como a falta de educação para o trânsito quando vão deixar seus filhos no colégio. Cometem tantas irregularidades (param em faixa dupla, ocupam duas vagas no estacionamento, etc) ao longo de uma semana que poderiam ter a carteira apreendida. Quando querem interferir sem propriedade na linha pedagógica da escola ou quando implicam com a professora da sala de aula do filho e a detonam mediante análises superficiais em grupos de WhatsApp de pais. 

Mas tenho observado que, nesse nosso ambiente de intolerância generalizada, os pais também viraram alvo de injustiça dentro do próprio ambiente escolar. Atribuo isso à falta de diálogo. Atualmente, as pessoas perderam a capacidade de escutar o outro, de se colocar no lugar do outro, de analisar mais profundamente os cenários.   

Assim como não existe uma escola ideal, 100%, também não existem pais ideais, 100%. Fico feliz em observar que muitos pais se preocupam e querem fazer parte do ambiente escolar, pois o envolvimento é fundamental para aprimorar processos, ajudar no desenvolvimento da própria escola e das crianças. Pais não são os donos do colégio, podem ser vistos como aliados no processo educativo formal.  

Ou seja: o pai que procura saber da relação dos filhos com os professores, comportamento em sala de aula, notas e dificuldades, normalmente está disposto a ajudar o professor e ser parceiro da escola tomando medidas complementares em casa para melhor a performance do filho. 

A parceira entre a família e a escola é positiva em muitos aspectos, e essa comunicação tem de ser franca e sensata para produzir bons resultados. E a maioria dos pais parceiros é o aquele que dedicam seu tempo para o filho e querem uma relação mais próxima das escolas. Finalizo com uma frase de Mário Sérgio Cortella: 

"Toda a vez que se faz essa separação, a família de um lado e a comunidade docente de outro, é claro que não se pode ter sucesso. A escola está soterrada de tarefas. A família precisa receber da escola uma clareza em relação a isso para que assuma algumas coisas. E aí, alguns pais e mãe dizem que não têm tempo. Tempo é uma questão de prioridade. Quando eu digo que não tenho tempo para você, eu estou dizendo que não escolhi você. Pode ser que eu não tenha todo o tempo, mas algum tempo eu tenho. Ao dizer que eu tenho esse tempo, estou fazendo uma escolha, eu disse não para outras coisas. Se eu não tenho para os meus filhos, o que eu estou escolhendo? É essa a pergunta que os pais têm de fazer". 




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