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sociedade

Auschwitz

03 Janeiro 2018 15:23:00

Colunista conta sobre sua percepção ao visitar o mais conhecido campo de extermínio de judeus, na Polônia


Depois de algumas horas de viagem, havíamos chegado - eu e um pequeno grupo de estudantes de Relações Internacionais - à pequena cidade polonesa de Oswiecim, batizada pelos alemães de Auschwitz. Nos arredores da cidade encontra-se o antigo campo de concentração (extermínio) construído pelos nazistas, Auschwitz-Birkenau.

O campo de Auschwitz entrou em atividade em 1940 e foi fechado em meados de janeiro de 1945, quando os soviéticos invadiram o local e prenderam os nazistas. Quando as portas do campo de Auschwitz foram, finalmente, abertas aos judeus, mais de 7 mil pessoas ainda lutavam para sobreviver lá dentro.

Foto: Arquivo pessoal / Portão de entrada do campo de extermínio

No portão de entrada, víamos a sádica inscrição ARBEIT MACHT FREI (em tradução livre: o trabalho leva à liberdade). Na frente do portão, trilhos ferroviários. Neles era conduzido o "gado humano": muita gente, crianças, mulheres, homens jovens e velhos. Ficavam dias sem comer e beber. Algumas vezes, semanas. Nos olhos deles ainda restava a esperança. Era um vislumbre, uma centelha de esperança. Muitos sabiam que o fim estava próximo.

Somente visitando Auschwitz compreendi o que foi a horrível máquina construída para o extermínio sistemático de seres humanos. A visita guiada descreve os detalhes chocantes, as atrocidades indizíveis: "Durante os quase 5 anos de funcionamento, o campo de Auschwitz recebeu 1,3 milhões de pessoas, em média. Desse total, 1,1 milhão morreu, incluindo homens, mulheres e crianças".

Auschwitz incorpora todo o Holocausto, os 6 milhões de judeus mortos, os milhões de seres humanos brutalmente assassinados pelos nazistas entre 1933 e 1945. Após deixar Auschwitz, a caminho das minas de sal de Cracóvia, mergulhei num profundo silêncio. Revivia em pensamento as imagens das celas, da câmara de gás, das malas, dos cabelos. Uma viagem cultural e o enfoque existencial

Hoje, vivemos numa era em que as histórias da Segunda Guerra Mundial são "águas passadas". A cada ano, perdemos as testemunhas, e tudo o que sobra são histórias recontadas tantas vezes que perderam a veracidade original. O que nos resta são caricaturas: Hitler e Himmler, os monstros. Churchill e Roosevelt, os líderes honrados. Stalin, um herói de guerra. Milhões de judeus, as vítimas. Ao fazermos uma viagem cultural, esse olhar superficial, generalista, reducionista e simplificado é modificado.

A viagem mistura informação e entretenimento, explora as possibilidades turísticas de cada região, valoriza as culturas locais como: história, culinária, música e artesanato. Amplia nosso olhar inquietante e enriquece nosso espírito inquisitivo. Contribui com o nosso desenvolvimento cultural, intelectual e humanístico. Auschwitz foi o destino em que reforcei a necessidade de valorizar cada momento de minha existência.

Dali saí com várias certezas: escolhi corretamente o curso de Relações Internacionais como minha formação acadêmica e profissional. E a frase do escritor e crítico literário sueco, Arthur Lundkvist, que li nas viagens pela Polônia, corroborou e corrobora a minha fome de viver: 

"Há uma alegria selvagem em estar vivo. Há uma embriaguez da existência. Cada hora é uma amante para o meu desejo infinito".  

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