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moda

Padrão de beleza x padrão de conduta

24 Fevereiro 2018 14:00:00

Colunista aborda a volta às aulas e o significado de usar uniforme na formação das pessoas


As festas de Carnaval terminaram, e as escolas de samba já estão com foco em 2019. O país aos poucos volta ao prumo. Um ciclo se encerra, outro inicia. Temos um 2018 inteiro pela frente. E na ausência das escolas de samba, convido a falarmos sobre as escolas de ensino. A volta às aulas é um dos balizadores desse novo ciclo e as escolas cumprem papéis importantes como o da aprendizagem e o da socialização. São processos demarcados, entre outras questões, pela apresentação visual de cada aluno. Algumas escolas exigem uniformes presumindo suas vantagens: praticidade, organização, inclusão e equilíbrio das diferenças sociais. Essa medida também tende a conferir responsabilidade aos alunos.

Por outro lado, os uniformes colidem com a importância que as roupas possuem na construção das estratégias identitárias das crianças e jovens. Apesar de ser uma regra previamente aceita, o efeito prático do uso de uniformes, segundo o historiador Malcolm Barnard (2003), é a imposição de uma instituição sobre o que todos devem pensar ou dizer, como se as pessoas estivessem gritando a mesma coisa. O que me leva à seguinte questão: usar uniforme é estar parcial ou totalmente censurado? Ou não é bem isso?

Não creio que aqui haja certo ou errado. Nem quero polemizar a questão. Vestir-se faz parte do processo de aprender a se expressar e é possível que isso não seja considerado por todas as escolas. No colégio público em que eu estudava nos anos 1980, o uniforme obrigatório era um traje simples: camiseta branca e bermuda ou calça marinho. Eu odiava ficar no padrão sem entender o porquê. Hoje reconheço que essa regra frustrava a minha expressão pessoal. Eu tinha vontade de ser diferente, mas me subordinava. Mesmo assim, houve um aspecto positivo: aprendi a importância da adaptação e da adequação aos códigos sociais.

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Para as gerações de agora e as futuras, que são mais livres, a imposição de um traje específico pode provocar a criatividade e a experimentação. Jovens inquietos ou com gostos menos convencionais conseguem minimizar a obrigatoriedade do uso de uniformes por meio de acessórios, maquiagem ou customização.

Normas devem ser obedecidas, mas sou a favor de que os uniformes escolares sejam facultativos (exceto em escolas militares, que trazem esse rigor não apenas no visual, mas no discurso). Via de regra são os pais que sabem o que se adequa melhor às suas convicções, à personalidade dos filhos, à realidade de suas famílias. E em tempos de redes sociais, há ainda um ponto muito importante sobre esse tema: evitar que os filhos sejam fotografados ou usem peças com a logomarca dos colégios fora do ambiente escolar.

Então, que voltem as aulas e que as escolas cumpram seu papel na sociedade: o de formar pessoas plurais. Apesar dos uniformes.

Qual a opinião de vocês sobre o tema? Vamos continuar conversando? Podem me procurar para mais bate-papos sobre moda e maternidade real lá no Instagram @hinerasky. Espero vocês, e até a próxima coluna!


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