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opinião

Quem me dera ser imperador!

13 Janeiro 2018 14:00:00

Curiosamente, ao percorrer os bosques da cidade, entrando por algumas ruas à sua margem...



Viena surpreende em matéria de tempo e de espaço. Múltipla, o centro da cidade é inteiramente distinto dos seus arredores, dos bairros distantes, periféricos, nos quais Beethoven viveu. Como não conseguia pagar o aluguel, ele era sistematicamente despejado das pequenas casas que ocupou!

Curiosamente, ao percorrer os bosques da cidade, entrando por algumas ruas à sua margem, passamos por essas casas. Vamos, por cá e por lá, a restaurantes singelos que turistas não frequentam, somente os que vivem nesta múltipla cidade. Uma cidade na qual a liberdade existe na medida exata, na qual ninguém joga toco de cigarro e fósforos no chão, mas em certos restaurantes - o Das Schreiberhaus Heurigen & Catering, na Rathstraße 54, por exemplo - fumo meu cachimbo vagarosamente. Ainda que em outros, como no Griechenbeisl, não se possa fumar. Mas nele encontro mein liebe Augustin, daquela linda canção: "Oh du lieber Augustin, Augustin, Augustin, oh, du lieber Augustin, alles ist hin".

Há alguns anos fruímos do privilégio de percorrer esses caminhos e de assistir, no Musikverein, o Concerto do Ano Novo. Sempre no dia 31 de dezembro - com ingressos menos caros - repetido no dia primeiro de cada ano para a alta burguesia. Lá, vimos/ouvimos Georges Prêtre, Zubin Meta, Daniel Barenboim, Franz Welser-Möst, Gustavo Dudamel e, este ano, Riccardo Muti.

Aconteceu, então, agora, há poucos dias (estou a escrever este pequeno artigo em Paris, no dia 9 de janeiro). Conduzindo aquela orquestra maravilhosa, Muti ergueu os braços e - nona peça da primeira parte do concerto - começou a reger a Stephanie-Gavotte, de Alfons Czibulka.

Apertei a mão de minha mulher e ela sussurrou ao meu ouvido que estava encantada.

Desde menino eu ouvia meu pai cantar uma canção que começava assim: "ah! quem me dera ser imperador/deste teu corpo sedutor!". Uma melodia que se integrou ao meu quase cotidiano. A primeira vez que a cantarolei para a Tania ela me disse que a conhecia pela voz do Rudy, meu sogro e amigo de verdade.

A canção do meu tempo de menino, que sempre me acompanhou, havia sido - descobrimos então - arrancada do tema desdobrado por Czibulka na Stephanie-Gavotte!

Fascinante! Nosso passado e o presente nessa canção da nossa infância e de agora.

No dia 2, ainda em Viena, fomos a uma loja formidável, embora pequenina, a DaCapo Klassik - na Seilerstätte 30 - cheios de esperança. Mas nada, nada da gavotte que nos encanta. Restava-nos a expectativa de comprar a gravação do concerto, o que aconteceu ontem aqui. Encontrei-o na Fnac e cá o temos.

De repente, no entanto - interrompendo, a buscar mais inspiração, o quanto escrevo neste meu artiguinho quinzenal - vou ao google, digito "stephanie gavotte czibulka" e entro em transe! Lá está ela, em inúmeras, inúmeras versões.

Peço ao leitor que vá lá e me compreenda ao repetir, de quando em quando, sempre, "ah! quem me dera ser imperador!".


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