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OPINIÃO: Por que mais um plano diretor para Santa Maria?

09 Maio 2018 09:07:00

Queremos Santa Maria com políticos que tenham vergonha na cara

As entidades de Santa Maria tiveram a preocupação de que a cidade tivesse seu Plano Diretor. Arquitetos e entidades representativas convidaram Danilo Londó, especialista nessa área, para assessorar os trabalhos na elaboração desse plano. O auditório da União dos Funcionários Municipais, na esquina da Praça Saldanha Marinho com a Rua Roque Callage, foi o lugar que abrigou as constantes reuniões que se estendiam até altas horas. Depois de muito trabalho, discussões e consultas até chegar no que seria o melhor para Santa Maria, o plano foi apresentado e aprovado pela prefeitura.

No que deu esse plano? Cada gestão fez o que quis, sem respeitar as leis, mas segundo a vontade política de quem estava no poder. Cito alguns fatos porque sou testemunha: o alargamento da Rua do Acampamento, essencial para o trânsito. Foram construídos três prédios recuados segundo as normas e depois ninguém mais as respeitou. Quando da reforma de uma loja, o proprietário era obrigado a assinar um contrato abrindo mão de 3 metros para o alargamento da rua. Na Acampamento, esquina da Tuiuti, seria construído um túnel para evitar cruzamentos, o que hoje seria essencial, mas foi liberada a construção de um prédio, o que inviabilizou o projeto.

A avenida que devia iniciar frente à antiga rodoviária, fazendo o contorno da cidade por cima do Arroio Cadena até a Walter Jobim, também fundamental, teve seu início de projeto com a construção de três pontes, nos cruzamentos da Rua Tuiuti, Venâncio Aires e Silva Jardim. Hoje são ornamentos. Depois, em função de o plano ter ido água abaixo, foi liberada a construção do prédio do Sesc, bem onde deveria passar a avenida.

O alargamento da Rua Duque de Caxias teve construções recuadas, com prejuízos para os proprietários. Rua do Comércio, hoje Calçadão Salvador Isaia: existiam dois prédios já construídos, o Edifício Imembui e Galeria do Comércio. Pelo Plano Diretor, apenas poderiam ser construídos prédios com três pavimentos, além do térreo, só para uso comercial, não se poderia construir prédios de apartamentos.

O prédio onde funcionava a Casa Hermann, que vai da Dr. Bozano até a Alberto Pasqualini, foi vendido para os Irmãos Trevisan, que construiriam um hotel com nove andares e garagens no subsolo. Seria importantíssimo para Santa Maria, que, na época, tinha carência de hotéis. Mas o projeto foi rejeitado pela prefeitura, argumentando que, pelo Plano Diretor, só poderia ter três pavimentos. Inviabilizou o empreendimento.

Fruto disso, adquiri o prédio onde funcionava a Trevibel. Continuei no ramo da Casa Hermann e Trevibel, loja de perfumaria e artigos odontológicos. Quatro anos mais tarde, resolvi construir um novo prédio, pois o original era muito antigo e sem condições de reformas. O edifício ao lado, onde funciona hoje a Loja Camila, pertencia ao Dr. Raimundo Cauduro, que constantemente estava na loja, conversando comigo. Quando falei que ia construir, ele colocou o prédio à disposição para construirmos juntos. Falei que ficaria inviável, em função do plano diretor, que só previa prédios de três pavimentos. Construí o prédio em quatro anos, sem poder fazer um apartamento, só loja e salas.Surpresa! Quatro anos mais tarde, foi construído o Shopping Santa Maria, com 11 andares.

Essa é a Santa Maria que vivemos, mas não é a Santa Maria que queremos. Queremos Santa Maria com políticos que tenham vergonha na cara. Que levem em conta o que as pessoas de bem querem para a cidade e não a vontade política de alguns, que, em troca de favores, desobedecem às leis. Antes de qualquer Plano Diretor, precisamos ter a consciência de que Santa Maria não tolera mais políticos que antes de eleitos são uma coisa e que, depois, transformam-se totalmente. 

Um Plano Diretor pode e deve ser atualizado de tempos em tempos. Mas não por interesse particular de alguns, mas, sim buscando o consenso da comunidade.

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