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Abraço no Augusto Maria de Saa

11 Fevereiro 2018 14:00:00

Lá pelas tantas, no Grêmio Literário, em Lisboa, ao mesmo tempo que falavam seus amigos...


Cá estamos, o Augusto Maria de Saa e eu, em face do Tejo, em Lisboa. Estamos, mas cá não estamos, pois somos literatura, simplesmente.

Em um conto publicado em um livro escrito pelo J. Malhão Fernandes há o relato de um episódio vivido pelo Pacheco no Terreiro do Paço, em Lisboa. Bem ao lado do lugar de onde se foram, no regicídio de 1908, três pessoas. Dom Carlos e seu filho e herdeiro, o Príncipe Real Dom Luís Felipe, e o Augusto Maria de Saa também ali assassinado. Incrível, porém sua morte não é lembrada. Inexplicável. Nada, nem uma linha a respeito da morte do Saa no regicídio. Se bem que ele continua a escrever, vivinho da silva!

Embora seja assim, cá estamos e não estamos, pois na verdade somos outros. Eu - o Malhão Fernandes - e o Saa na pele do Francisco Seixas da Costa. Se formos ao dia 28 de janeiro deste ano, após as duas da tarde, os encontraremos - o Francisco e eu - no Grêmio Literário, em Lisboa.

O Grêmio foi criado por uma carta régia de D. Maria II, no dia 18 de abril de 1846, mas parece que foi ontem. Pois o Francisco hoje (28 de janeiro de 2018, não 18 de abril de 1846) completa setenta anos nesta esfera!

Já escrevi nesta coluna quinzenal que o não existe! Vivo me repetindo para afirmar a verdade... Conhecemo-nos em Brasília, na primeira metade dos anos 2000. Depois o Francisco veio para a embaixada de Portugal cá em Paris, onde estou neste momento a escrever.

Andamos então a circular pelos seus arredores e um dia nos mandamos para Bruxelas com a Gina e a Tania, ele sempre a descobrir restaurantes formidáveis. O Restaurant de l'Ogenblik, mais camarada do que o La Maison du Cygne, que fica no andar de baixo onde Marx e Engels em 1850 escreveram o Manifesto. Em frente ao edifício no qual viveu Victor Hugo, uma festa!

Agora Lisboa, onde os estrangeiros não encontram o chique e a classe de Londres/Paris, mas veem, pelas tardes, pardais a voar e - qual declamava e (en)canta o João Villaret - há um toque de sinos na luz da manhã! Lisboa, onde a simplicidade nos permite dar de cara, de repente, com o Bocage no Nicola e jantarmos na sala dos fumantes do Gambrinus. A proximidade de Sesimbra - onde se há de almoçar no Ribamar - em outro dia indo a Évora para almoçarmos, os quatro, no Manuel & Carolina.

Lá pelas tantas, no Grêmio Literário, ao tempo em que falavam seus amigos, passaram-me a palavra e eu nada mais disse senão que em seu coração mora a Amizade. Estarmos com ele no almoço dos seus setenta anos foi demais!

PS: proponho aos que agora leem estas linhas que visitem o blog do Francisco - duas-ou-tres.blogspot.com - e saibam de tudo de Lisboa e do mundo! 

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