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opinião

2018: o que queremos?

03 Janeiro 2018 16:51:00

No início, aconteceram mudanças. Mas a continuidade é que infesta o poder



Não sou cientista político, nem filósofo nem historiador etc. Mas alguém que, com 85 anos, teve uma vida igual a de qualquer outro cidadão, e hoje decide comentar observações.

Dizem que "a pior democracia é melhor do que qualquer ditadura". Nasci quando aconteceu a primeira ditadura no Brasil. Getúlio tomou o governo e ali ficou. Os fatos, só conheço por relatos e informações. Atrocidades aconteceram, pois a história conta que o Presídio de Ilha Grande foi palco de muitas delas. Mas acho que foi bom para o Brasil, pois, tempos depois, Getúlio voltou pelo voto do povo. Todavia, seu final foi o mais trágico possível. Vimos a seguir vários regimes de exceção em vários países. No o Chile, de Pinochet, que tive oportunidade de visitar, senti a pujança daquele país. A ditadura de Fidel, em Cuba, que substituiu outra, também trouxe uma reforma naquele país. Assim, outros países: Paraguai, Venezuela etc. No início, aconteceram mudanças. Mas a continuidade é que infesta o poder.

O Brasil, antes de 1964, vivia uma crise e uma insegurança total. O comunismo, que devastou vários países, ameaçava o Brasil. O que aconteceu na Polônia, Espanha, etc, foi terrível. Aqueles que não aceitavam o regime, eram fuzilados em praça pública, sem dó nem piedade. No Brasil, também aconteceu esta tragédia, quando comunistas mataram 36 colegas militares, enquanto dormiam. Era, e ainda é, um regime assustador. Na tentativa de impedir o pior, a sociedade se mobilizou, com movimentos por toda a parte. A marcha das famílias, no Rio, com mais de 500 mil pessoas, foi um marco para que a situação mudasse. E o Exército tomou conta do poder. Revolução sem mortes. Período que vivenciei como empresário, e os dados mostram que os primeiros 12 anos do governo foi o de maior crescimento do Brasil. Com movimentos contra os Atos Institucionais, a situação foi piorando, até a abertura para a volta da democracia. Lamentavelmente, o primeiro presidente eleito faleceu antes de assumir.

A análise que faço é a seguinte: o melhor regime é a democracia, mas, para isso, o país precisa de pessoas competentes e honestas. A raiz de tudo é a falência da educação e dos valores morais. Sem isso, nenhuma democracia se sustenta. Temos um presidente, Temer, com visão e vários projetos bons, que poderiam ser a salvação do Brasil, mas nossos políticos só procuram se beneficiar e vender seus votos. Como disse, aprovo os projetos de Temer, mas se as acusações contra ele forem provadas, ele merece as punições da lei.

Penso muito neste 2018, nas eleições, e a decepção é grande. Não vejo nenhuma perspectiva para o Brasil. Lamentavelmente, a corrupção também tomou conta dos órgãos públicos. Quando surgem, no Judiciário, pessoas que resolvem moralizar o Brasil, outros, que galgaram cargos mais elevados mandam libertar os corruptos. Como pode um governador, que quebrou o Estado do Rio, orgulho de nós brasileiros, roubando vergonhosamente, tirando os salários do povo e comprando jóias de milhões para presentear a esposa, e quando justamente condenado, surge um senhor, todo poderoso, sem vergonha na cara, que manda libertar ele e a mulher, deixando-nos todos perplexos e estupefatos.

É esse o Brasil que queremos? Nas eleições de 2018, até pode surgir algum candidato com condições de se eleger presidente. Mas o que adianta uma andorinha cercada por centenas de abutres? Sem a mobilização da sociedade, com todo o respeito, penso que a democracia não é a solução. Votar em ladrões é coisa que não faço. Mas, mesmo assim, desejo o bem do povo brasileiro.

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